Crítica: Quarteto Fant4stico (spoilers leves)

blog abreAntes de começar: optamos pela grafia “Quarteto Fant4stico”, como no material promocional, para diferenciar este filme da produção de 2005, que tem o mesmo título.

Quando um diretor anuncia que o filme inspirado em personagens de quadrinhos não será baseado em nenhuma HQ, já dá pra desconfiar que coisa boa não há de vir. Todas as notícias divulgadas na produção do filme Quarteto Fant4stico (que estreia dia 6 de agosto) causavam um verdadeiro rebu nas redes sociais, uma mais preocupante que a outra. O primeiro teaser tinha muito de filme de ficção científica e nada da equipe de super-heróis – diga-se de passagem, a primeira equipe de super-heróis da Marvel, só para deixar clara a sua importância no cânone da cultura pop.

Nem precisaram de mim para queimar o filme...

Nem precisaram de mim para queimar o filme…

Como onde há fumaça, há fogo, o filme mostra exatamente aquilo que se esperava dele, ou seja: nada. Enquanto toda comunidade de fãs insistia em execrar as produções anteriores (Quarteto Fantástico, 2005 e Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado, 2007), o diretor Josh Trank conseguiu descaracterizar ainda mais os personagens numa trama rasa e arrastada que tem uma única cena de ação: a do clímax. O filme tem ótimas oportunidades de engatar e incluir várias referências aos personagens do universo do Quarteto Fantástico, inclusive inserindo vilões, criando ganchos para as continuações… mas perde todas elas.

Nerds em ação: Ben (esq) e Reed fazendo ciência

Nerds em ação: Ben (esq) e Reed fazendo ciência

A trama: Reed Richards (Owen Judge) é um garoto gênio nerd incompreendido por pais e professores. Com a ajuda de seu único amigo, Ben Grimm (Evan Hannemann, que força na expressão marrenta), ele cria um equipamento capaz de teletransportar matéria, mas ninguém lhe dá crédito. Anos depois, Reed (Miles Teller) apresenta seu projeto numa feira de ciências e é contratado pelo professor Franklin Storm (Reg E. Kathey) para ajudá-lo a desenvolver o mesmo aparelho, que deveria acessar uma dimensão desconhecida. Lá, ele tem contato com outros jovens gênios: a filha adotiva de Storm, Susan (Kate Mara, que concorre com Nicolas Cage ao prêmio de expressão imutável) e Victor Von Doom (Toby Kebbell), que faz a linha rebelde sem causa: “sou mau, não gosto do Governo, mas vou trabalhar para ele”.

Equipe ganha poderes ao visitar uma dimensão paralela

Equipe ganha poderes ao visitar uma dimensão paralela

Soma-se à equipe o outro filho rebelde de Storm, Johnny (Michael B. Jordan), que só aceitou entrar no projeto para poder recuperar seu carro, tomado pelo pai após um racha noturno e temos um quarteto de jovens exploradores. E Ben Grimm (Jamie Bell)? Deslocado no meio de tantos crânios, ele pulou fora para viver sua vida e só foi trazido de volta quando os testes provaram que o equipamento funcionava e Reed não quis excluir aquele que começou tudo com ele. Os quatro visitam a dimensão desconhecida, acontece um acidente e eles voltam com poderes. Com isso, o Governo passa a usar suas habilidades especiais em missões militares.

Os poderes de Sue se explicam por... bem, não se explicam!

Os poderes de Sue se explicam por… bem, não se explicam!

A opção de utilizar o Quarteto Fantástico Ultimate como base para a origem dos heróis foi uma ideia interessante, pois apresenta uma abordagem diferente, já que as versões anteriores do Quarteto (de Roger Corman e de Tim Story) usam a versão oficial dos poderes adquiridos pelos raios cósmicos em uma viagem espacial. A forma como os heróis adquirem, cada um, um poder diferente, também é criativa (exceto pela Sue, que tem uma solução totalmente esdrúxula). O visual do Coisa é o melhor de todas as suas versões, onde as pedras se movem em seu corpo, dando a impressão de que ele é um ser realmente feito de pedras aglomeradas.

Dr. Destino ganha visual que causa vergonha até em cosplayers

Dr. Destino ganha visual que causa vergonha até em cosplayers

Infelizmente, todas essas boas ideias se perdem numa edição malfeita e uma direção desleixada. Não há química alguma entre Reed e Sue, nem qualquer indício de que serão marido e mulher. Ela, por sinal, é o gênio da equipe, enquanto Reed é reduzido a um reles coadjuvante bobão. Nem vou comentar sobre o Dr. Destino com armadura plástica translúcida, de um amadorismo inconcebível. Destino é um dos personagens mais simples de serem transpostos para as telas – um homem de rosto queimado numa armadura. Fizeram o Coisa bem feito e borraram no Destino. Cosplayers fazem melhor.

"Acho que a gente devia chamar os Vingadores..."

“Acho que a gente devia chamar os Vingadores…”

Para enterrar de vez, a última pá de terra fica com o modo como o grupo foi nomeado. Sinceramente, nós não merecíamos uma piada tão tosca… Ainda não foi desta vez que veremos o Quarteto Fantástico com todo glamour nas telas. Eu, particularmente, não considero as produções anteriores ruins, apenas medianas. Tem lá os seus defeitos – muitos – mas divertem. Esta versão tem muito boas ideias e alguns momentos interessantes que até dão a impressão de que o filme vai engatar. Infelizmente, são mal aproveitadas em detrimento a uma seriedade que nunca combinou com os personagens que são, por essência, descontraídos. Como mostrado nos trailers, o filme pode funcionar como uma trama de ficção científica. Mas que ninguém diga que é um filme do Quarteto Fantástico.

Cotação: blog cotaçãoquarteto

 

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