Crítica: Homem-Formiga (Sem spoilers)

blog abreEstreia esta semana nos cinemas de todo Brasil, o aguardadíssimo filme do herói da Marvel menos indicado para ter um filme-solo, no caso, o Homem-Formiga (Ant-Man, 2015). O superlativo “aguardadíssimo”, nem é tanto pela ansiedade de ver o personagem nas telas, mas sim por saber como a Marvel Studios encerrará sua Fase 2 e deixará abertas as portas para Guerra Civil – esse sim, aguardado com ansiedade pelos fãs – em maio do ano que vem, inaugurando a Fase 3.

Pendurar a roupa no varal: a humilhante vida doméstica de um super-herói

Pendurar a roupa no varal: a humilhante vida doméstica de um super-herói

Sobre o Homem-Formiga, há pouco o que dizer. Pouco, porque dizer muito seria estragar surpresas. O filme é tão divertido, tão leve e despretensioso, que nem parece que faz parte da mesma leva que inclui o sombrio Capitão América 2 – O Soldado Invernal (2014) e o controverso Vingadores  – A Era de Ultron (2015). A Marvel soube explorar magistralmente o conceito da insignificância do herói, seja pelo seu tamanho físico como pelo seu tamanho enquanto lenda do universo de heróis – lembrando que estamos falando de Scott Lang, o segundo homem a vestir o uniforme do herói, bem menos importante que seu antecessor, Hank Pym, que ajudou a fundar os Vingadores nas HQs – e criar uma aventura gigantesca. Desculpem, mas não dá pra evitar o trocadilho.

Pequena na estatura, grande no talento: Cassie vai fazer você vomitar arco-íris

Pequena na estatura, grande no talento: Cassie vai fazer você vomitar arco-íris

Nesse jogo de antíteses, o Homem-Formiga é um filmaço. A trama conta a história de Scott Lang (Paul Rudd), um ex-presidiário que tenta recomeçar sua vida após sair da cadeia. Ele tem uma filha pequena, Cassie (a fofa Abby Rider Fortson, que dá vontade de morder as bochechas), com quem tenta se relacionar, mas por conta do seu passado, encontra sérias dificuldades. Nesse ínterim, o Dr. Hank Pym (Michael Douglas) descobre que o seu projeto das Partículas Pym, um soro que reduz o tamanho das pessoas e que poderia ser usado para fins de espionagem militar, está sendo retomado pelo empresário Darren Cross (Corey Stoll), seu ex-aprendiz e atual CEO das empresas Pym.

Nunca pise num formigueiro.

Nunca pise num formigueiro.

Assim, o cientista contrata Lang para roubar os planos e evitar que estes caiam em mãos erradas, com fins desastrosos. Para isso, dá a ele o uniforme do Homem-Formiga, um traje que o próprio Pym já tinha utilizado trinta anos atrás, mas por conta de um acidente – que fará os nerds pularem na cadeira do cinema, de felicidade – foi aposentado. A partir daí, a trama se desenvolve numa sequência de ação ininterrupta e uma série de gags que mostram o treinamento de Lang como herói e sua adaptação aos poderes que a roupa lhe confere.

Você nunca achou uma banheira tão ameaçadora

Você nunca achou uma banheira tão ameaçadora

A perfeição com que a câmera mostra as proporções diminutas e o ponto de vista de Lang quando está em tamanho reduzido é um espetáculo à parte. A sensação de proporção foi cuidadosamente estudada e o público tem a experiência de crescer e reduzir junto com o personagem. Tem cenas para torcer pelo herói, para se sensibilizar pela sua história de vida, para rir com as trapalhadas dele e de seus amigos latinos Luís (Michael Peña), Kurt (David Dastmalchian) e Dave (T. I.) e há cenas para vibrar, com as participações especiais.

Com amigos como esses...

Com amigos como esses…

O mais impressionante é que, se formos levar em consideração a trajetória do Homem-Formiga nos quadrinhos, há muita história para ser contada, visto que são necessárias duas origens de herói – a de Pym e a de Lang – além de desenvolver a história do vilão e suas motivações e aprofundar na personalidade de Lang – o cara legal que escolhe o caminho errado e tenta uma segunda chance. O diretor Peyton Reed faz isso brincando, com fluidez, se deixar nada fica fora do lugar. A trama é redondinha, sem buracos no roteiro (talvez até existam, mas tão irrelevantes para o contexto que nem foram notados) e você sai do cinema com a sensação de ter visto um dos filmes mais legais da temporada.

Jaqueta Amarela: concorrendo ao top dos nomes de personagem mais ridículos

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Para quem se preocupava pelo fato de Reed ser um diretor de comédias e o próprio Paul Rudd também ser ator deste gênero, o que poderia “pasteurizar” o herói, fique tranquilo. Homem-Formiga é, sim, uma comédia da Marvel, bem diferente dos filmes de aventura explosiva, como Vingadores, por exemplo. Mas não é uma comédia que desrespeita o personagem. Todo seu heroísmo está lá, e quem conhece a trajetória de Lang nos quadrinhos, vai reconhecê-lo nas telas.

Aiouuuuuuu, Anthony!!! (Sim, a formiga tem nome!)

Aiouuuuuuu, Anthony!!! (Sim, a formiga tem nome!)

Com isso, a Marvel Studios mostra que filme de super-herói não precisa ser aquela coisa fantasiosa e irreal. Os filmes podem enveredar por outros gêneros, como comédia, espionagem (como Capitão América 2), ficção científica (Guardiões da Galáxia) e, quiçá, terror, romance… Uma aula de como fazer cinema que sua concorrente deveria aprender – e juro que queria evitar esse comentário, mas é impossível não notar a diferença gritante.

Lang, tenho uma missão para você. Vamos fazer um filme secundário para derrubar os medalhões da concorrência.

Lang, tenho uma missão para você. Vamos fazer um filme secundário para derrubar os medalhões da concorrência.

Há duas cenas pós-crédito: a primeira dá um gancho para um possível Homem-Formiga 2, enquanto a segunda remete à Guerra Civil. Fica a torcida para que maio de 2016 não demore muito a chegar.

Cotação: blog cotação

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