Crítica: Divertida Mente

blog abreQuando saí de casa para ir ao cinema ver Divertida Mente (Inside Out, 2015), a nova animação da Pixar que estreou neste final de semana, já tinha a certeza que era diversão garantida. Afinal, até agora, em 15 filmes, a Pixar nunca decepcionou. Teve sim, filmes menos legais, como é o caso da franquia Carros (2006 e 2011) e Valente (2012), mas ninguém pode dizer que esses são animações ruins. São menos boas, dentro do universo de produções geniais da empresa.

A história é focada na garota Riley e suas emoções

A história é focada na garota Riley e suas emoções

Considerando que a última grande novidade da produtora foi em 2009, com Up – Altas Aventuras (Valente não conta, pois, como já dito acima, é um filme menor que se juntou às continuações de Carros, Toy Story e Monstros S.A.), começou-se a dizer por aí que a Pixar estava perdendo a criatividade. Divertida Mente chega para provar que ainda tem muita coisa na cabeça dos criadores da empresa e eles fazem isso justamente mostrando o que se passa na cabeça de uma garota de 11 anos de idade – não por acaso, inspirada na filha de Pete Docter, o diretor do longa.

Da esquerda para a direita: Raiva, Nojinho, Alegria, Medo e Tristeza, os sentimentos na mente humana.

Da esquerda para a direita: Raiva, Nojinho, Alegria, Medo e Tristeza, os sentimentos na mente humana.

A premissa é divertidíssima: cinco sentimentos – Alegria, Tristeza, Medo, Raiva e Nojinho – vivem dentro da cabeça da jovem Riley, uma garota que vive muito feliz com sua família no estado de Minnesota. As memórias são armazenadas em pequenos globos coloridos, predominando os momentos alegres. Ao final do dia, todos os globos são enviados para serem armazenados, deixando a sala de controle vazia para o dia seguinte e novas memórias. As memórias mais importantes são as que definem o caráter de Riley e forma pequenas “ilhas de personalidade”: a ilha da Família, da Amizade, do Hóquei (esporte no qual a garota se destaca), da Honestidade e da Bobeira (quem nunca teve desses momentos?).

As ilhas de personalidade na mente de Riley

As ilhas de personalidade na mente de Riley

Alegria (voz de Amy Poehler no original e Mia Mello na versão dublada) tem o controle da situação e mantém o caráter otimista, com poucas intervenções dos outros sentimentos. Porém, tudo começa a mudar quando Riley muda com sua família para São Francisco. A adaptação na nova cidade se torna mais difícil porque Tristeza (Phyllis Smith no original e Katiuscia Canoro na dublagem) tenta ajudar na mesa de controle e acaba provocando um incidente que a leva Alegria e ela para o local onde as memórias de longo prazo são armazenadas. Sem a Alegria e a Tristeza, Riley passa a ser comandada pelos outros três sentimentos e o resultado é cada vez mais catastrófico. Assim, as duas emoções terão que correr contra o tempo para voltar ao seu lugar antes que a garota mude sua personalidade.

A vida em família era perfeita, mas tudo pode mudar com a idade.

A vida em família era perfeita, mas tudo pode mudar com a idade.

Os conceitos utilizados no filme são bastante complexos, de modo que é certo afirmar que a animação não é para crianças. Sim, elas vão gostar das trapalhadas dos personagens, que são coloridos e fofinhos, mas a história mesmo, quem vai absorver são os adultos (prepare-se para uma chuva de perguntas dos pequenos, papai e mamãe!). E também vão chorar em determinados momentos, pois numa trama em que as emoções são personagens, não poderiam deixar de mexer com as do público. Todo mundo vai se lembrar daquela música chata que não sai da cabeça, daquele amigo imaginário que ficou na lembrança ou entrar no Subconsciente, um local sinistro e escuro onde se esconde nossas memórias mais ocultas.

Bing Bong, o amigo imaginário. Filme trata conceitos complexos de psicologia de forma lúdica e divertida.

Bing Bong, o amigo imaginário. Filme trata conceitos complexos de psicologia de forma lúdica e divertida.

O título brasileiro, embora tenha pouco a ver com a tradução ao pé da letra – Inside out seria algo como “De dentro pra fora” ou “do avesso” – cabe perfeitamente naquilo que o filme é: uma divertida incursão na mente humana, explicando de forma lúdica conceitos que psicólogos levam anos para compreender. Vale mencionar que, embora os cinco sentimentos sejam os personagens principais, há outros dentro da mente de Riley, como os Mentalúrgicos, criaturas que vasculham os globos de memória e vão jogando fora aqueles que já não são usados há muito tempo.

Lava, um curta-metragem para encher os olhos (de lágrimas)

Lava, um curta-metragem para encher os olhos (de lágrimas)

Uma coisa é certa: depois de ver Divertida Mente, você nunca mais vai olhar seu comportamento ou falar da memória da mesma forma. É mais um grande acerto da Pixar, que continua mais em forma do que nunca, inclusive com a produção de curtas-metragens. Lava, que é exibido antes do longa, também é pura emoção. Todo musicado, com um toque latino, conta a história de um vulcão em busca de seu par. Não se espante se, ao final, você estiver rindo do trocadilho feito com a última frase do filme (não vou estragar seu prazer. Vá ver o curta!) e chorando pela ternura da história. Ao mesmo tempo.

Cotação: blog cotação diverrtidamente

Anúncios

3 comentários

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s