Crítica: Demolidor

Blog abreEstreou ontem pela Netflix, a série Demolidor, baseada no famoso herói cego da Marvel, que retoma o personagem em live-action após um hiato de mais de 10 anos desde o longa-metragem feito para o cinema. Depois de um longo e tenebroso inverno, a Fox não deu andamento a um novo filme do personagem e a Marvel retomou os direitos em 2013, podendo assim, iniciar a produção da série. Foram investidos US$ 200 milhões na parceria com a Netflix, que compreende a produção de quatro séries – Demolidor, Jessica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro – para os próximos três anos.

O elenco principal reunido.

O elenco principal reunido.

A grande vantagem é que os espectadores não precisam esperar meses para ver o final da série, uma vez que todos os episódios são disponibilizados de uma só vez – o Demolidor tem 13 episódios de 60 minutos cada – para que o assinante veja conforme sua conveniência. Assistimos os três primeiros episódios para poder fazer essa crítica e já podemos perceber a diferença que faz o personagem estar nas mãos certas – no caso, a Marvel.

O longa-metragem foi legal... mas faltava um "tempero materno".

O longa-metragem foi legal… mas faltava um “tempero materno”.

Não que a produção da Fox tenha sido mal feita, pelo contrário. Não faço parte daqueles que engrossam o coro dizendo que o longa-metragem estrelado por Ben Affleck tenha sido um fiasco. Obviamente, ele teve alguns erros, mas de modo geral, o personagem foi bem fiel aos quadrinhos com as devidas adaptações – o uniforme de couro é bacana e a forma que acharam para mostrar como funciona o radar do herói também foi um recurso interessante. Mas, como dizem por aí, não há lugar como a casa da gente: só mesmo nas mãos da “mãe” é que o personagem ganharia o perfil ideal para agradar aos fãs e ao público em geral com maioria de votos.

Acidente cegou o jovem Matt Murdock e ampliou seus outros sentidos

Acidente cegou o jovem Matt Murdock e ampliou seus outros sentidos

A série opta por contar a origem do Demolidor em flashback (talvez uma influência de Arrow, a série que retrata a origem do Arqueiro Verde, no canal pago CW), já começando com o acidente que cegou o garoto Matt Murdock (Skylar Gaertner) e ampliou seus outros sentidos. Em seguida, a história dá um salto no tempo, com ele já na vida adulta (interpretado por Charlie Cox), iniciando a abertura de seu escritório com o parceiro Foggy Nelson (Elden Henson).

Karen olha seção de classificados: "Advogados iniciantes precisam secretária. Para trabalhar e para ser a primeira cliente"

Karen olha seção de classificados: “Advogados iniciantes precisam secretária. Para trabalhar e para ser a primeira cliente”

Ao longo da trama, detalhes do que aconteceu antes e depois do acidente vão sendo narrados, conforme Murdock vai se envolvendo em seu primeiro caso: a defesa da jovem Karen Page (Deborah Ann Woll), acusada de assassinato. A estratégia se mostra acertada, pois diferentemente de Arrow, não é usada à exaustão, mas sim em momentos específicos, permitindo que sejam trabalhadas duas tramas paralelas (a origem do personagem e a história do crime), numa narrativa fluente que envolve o espectador.

Quando Luke Cage estrear, não terei mais que costurar feridas.

Quando Luke Cage estrear, não terei mais que costurar feridas.

Os personagens secundários são inseridos aos poucos: o Rei do Crime (Vincent D’Onofrio) só dá as caras no final do terceiro episódio, mas marca presença no primeiro, só com sua voz, agindo nos bastidores, como o personagem dos quadrinhos. Outro que aparece no terceiro episódio é o repórter Ben Urich (Vondie Curtiss-Hall), que terá importância fundamental nos capítulos seguintes. Uma surpresa para os fãs dos quadrinhos é a presença de Claire Temple (Rosario Dawson), a enfermeira que cuida de Murdock: nas HQs, ela é interesse amoroso do herói Luke Cage, já antecipando uma interligação futura com a série do homem da pele de aço.

Jornal na parede lembra dos Vingadores.

Jornal na parede lembra dos Vingadores.

E por falar em interligações, não faltam referências aos filmes da Marvel Studios: a dupla Nelson e Murdock compra um escritório no bairro de Hell’s Kitchen (assim mesmo, em inglês), cujo preço caiu muito após “as coisas caírem do céu no meio da cidade”, uma referência à batalha contra os alienígenas Chitauri, no longa dos Vingadores (2012). A sala de Ben Urich também tem um jornal na parede, com a manchete “Batalha em Nova York”, outra menção ao filme. Por fim, conforme já havia sido divulgado anteriormente em material promocional da série, Jack Murdock (John Patrick Hayden), o pai do pequeno Matt, enfrenta um lutador chamado Crusher Creel, que nos quadrinhos é o vilão Homem-Absorvente – e que já apareceu na série Agentes da Shield (episódio 1 da segunda temporada).

O pretinho básico nunca sai de moda.

O pretinho básico nunca sai de moda.

A série tem classificação indicativa 18 anos pela sua violência explicita – braços quebrados, corpos perfurados e cenas de luta com bastante sangue – mas faz justiça, com o perdão do trocadilho, ao herói. Os personagens estão perfeitamente bem caracterizados e os roteiros mesclam o tom sombrio de uma cidade dominada pelo crime com momentos de humor na relação entre Foggy e Matt. Mais uma vez, a Marvel prova que sabe como cuidar de seus “filhos” e oferece um produto de qualidade. Cada um pode escolher como deseja ver a série, mas para este crítico, o melhor é degustar aos poucos, para aproveitar bem o que cada episódio tem a oferecer. O que é muita coisa.

Cotação: blog cotaçãodemolidor

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