Crítica: A Cruz

blog abreNão é de hoje que o amor pelos super-heróis me fez descobrir novidades bacanas. Contudo, às vezes também me meto em algumas furadas. A chegada da série do Demolidor na próxima sexta-feira (10 de abril) me levou a fazer assinatura no canal on demand Netflix – onde a série será exibida, com exclusividade. Entre as incontáveis opções e sugestões do canal – baseada no gosto pessoal, ao qual  o novo usuário cadastra, selecionando três opções de filmes que já assistiu – encontrei o longa A Cruz (Cross, 2011), filme feito diretamente para o mercado de vídeo.

Filme tem cara de história em quadrinhos

Filme tem cara de história em quadrinhos

A sinopse parecia interessante: um vigilante que possui uma cruz celta que o impede de morrer, usa os poderes do amuleto para combater as forças do mal através das eras. Com toda cara de quadrinhos de super-herói, comecei a usufruir a assinatura por este longa-metragem e só não cancelei a assinatura depois da experiência porque o Demolidor ainda não estreou. Brincadeiras à parte, o filme tem mesmo toda cara de gibi, a começar pela introdução, feita no estilo motion comic (quadrinhos em movimento). Mas é só. Uma trama ruim, com efeitos especiais que poderiam ser feitos em qualquer computador caseiro e atuações fracas de atores que até têm certa notoriedade, como Brian Austin Green (da série Barrados no Baile), Willian Zabka (Karatê Kid) e Michael Clark Duncan (À Espera de um Milagre).

Desperdício de talento: Rei do Crime mantem a ordem jogando baralho

Desperdício de talento: Rei do Crime mantem a ordem jogando baralho

Callan (Green) é um vigilante que herdou de seu pai – assassinado sob circunstâncias misteriosas – uma cruz celta que passou de geração em geração ao longo das eras. Essa cruz lhe concede invulnerabilidade e “poderes empurrativos” (ele estende o braço e uma força sai dele, jogando o inimigo longe. Nada além disso). Seguindo o desejo do pai, Callan forma uma força de elite para caçar criminosos pela cidade. Tecnicamente, criminosos que a polícia comum não poderia prender, mas são bandidos comuns mesmo, liderados por Erlik (Duncan), que nada mais é do que um Rei do Crime mais pobre, que prova ser o maioral do pedaço matando o capanga que rouba dele no jogo de poker – isso depois de um enfadonho discurso sobre lealdade numa cena que dura uns 10 minutos. Sério, não é piada!

Globalização milenar: sangue de deuses gregos ativam artefato místico egípcio.

Globalização milenar: sangue de deuses gregos ativam artefato místico egípcio.

A situação se complica quando chega à cidade o perigoso “viking” Gunnar (Vinnie Jones, o Fanático de X-Men: O Confronto Final). Dono de uma maldição que o impede de morrer, Gunnar sobreviveu durante séculos e necessita do sangue de descendentes dos deuses gregos para alimentar seu bastão egípcio mágico (sim, essa salada de povos antigos existe. O roteirista deve ter achado cool!) e, assim, conseguir por um fim à sua maldição. Em sua busca pela linhagem dos deuses, os bandidos acabam sequestrando várias mulheres, entre elas, a “peguete” de Callan, que ele conheceu num bar ao defendê-la de uma dupla de bêbados e ela, em agradecimento, aceitou uma carona só pra ir pra cama com ele.

É o fim do mundo! Nunca houve um "efeito especial" tão ruim na história da humanidade.

É o fim do mundo! Nunca houve um “efeito especial” tão ruim na história da humanidade.

Chega a ser constrangedor encontrar atores do cacife de Michael Clark Duncan em um papel tão vergonhoso. Aliás, ele se esforça para dar personalidade ao seu vilão. O problema é que o personagem é ruim mesmo e o roteiro não ajuda nem um pouco. O clímax do filme – a óbvia batalha final entre Callan e Gunnar – é risível e tão empolgante quanto uma corrida de minhocas. Quando você pensa que a luta vai começar pra valer, ela já acabou e tudo se resolveu. Hã? Mas nada é tão cômico quanto a representação do bastão egípcio tomando conta das almas de todo o planeta: uma mancha vermelha se espalhando pelo globo, num efeito tão ruim que parece ter sido criado no Paintbrush.

A cruz e seu "poder" (ou quase isso).

A cruz e seu “poder” (ou quase isso).

Toda essa tosquice poderia ser explicada pelo baixo orçamento do filme (cerca de US$ 2 milhões) e pelo fato de ter sido produzido por empresas acostumadas a fazer filmes religiosos – as produtoras Morningstar Films e Truth and Grace Films – mas considerando que já existem várias provas de excelentes filmes feitos com pouco dinheiro e por produtoras inexperientes, a desculpa não cola. O filme é ruim porque tem um roteiro mal trabalhado e um diretor incompetente. Não adianta colocar uma cruz no filme achando que ele será abençoado e salvo do fracasso. Tem coisas que nem milagre resolve.

Cotação: blog cotaçãocruz

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