Crítica: Cinderela

blog abreHá pouco a ser dito sobre Cinderela (Cinderella, 2015), o novo longa-metragem da Disney, que estreia no dia 26 de março e adapta o conto de fadas de Charles Perrault, exceto que ele reinventa o clássico desenho animado da própria Disney, lançado em 1950, mas desta vez com atores reais. Contudo, nesta adaptação, a Disney optou por se manter fiel à trama original, diferente do que fez com Malévola (2014), onde recontou a história da Bela Adormecida sobre o ponto de vista da vilã e a transformou em anti-heroína (leia a crítica aqui), e em Caminhos da Floresta (2015), onde Cinderela calça sapatos dourados ao invés de cristal, além do príncipe ter pouco de encantado (leia a crítica aqui).

Cinco patinhos foram passear. Música da Xuxa vai parar nas telonas. Não, pera...

Cinco patinhos foram passear. Música da Xuxa vai parar nas telonas. Não, pera…

Não que isso seja um defeito, pelo contrário. Particularmente, creio que as releituras são sempre positivas, no sentido de explorar um ângulo da história não visto antes, mas a magia do conto original ainda é importante, pois não podemos nos esquecer do objetivo dessas histórias: transmitir um ensinamento aplicável na vida real. Não é à toa que os contos de fada são imortais e vêm sendo contados e recontados de geração em geração.

A Hidra jamais me descobrirá nesse disfarce de camponesa.

A Hidra jamais me descobrirá nesse disfarce de camponesa.

Mas voltando ao filme: a história explora muito mais o relacionamento de Ella (Lily James) – sim, a jovem tem um nome! – e seus pais, interpretados por Ben Chaplin e Hayley Atwell, a Agente Carter da série de TV. É ela quem ensina a filha a sonhar, acreditar em fadas-madrinhas e, principalmente, a ter coragem e ser gentil – frase que se torna um mantra, mais ou menos como “grandes poderes trazem grandes responsabilidades” ensinado ao jovem Peter Parker, antes dele se tornar o Homem-Aranha.

Madrasta chegando para causar.

Madrasta chegando para causar.

Um belo dia, sua mãe morre e o pai casa-se novamente, dando à jovem uma madrasta (Cate Blanchet) e duas irmãs: Drisella (Shophie McShera) e Anastasia (Holliday Grainger). Ambiciosa e cheia de si, o trio de mulheres, logo de cara, começa a abusar da bondade de Ella e a situação fica pior assim que o pai da jovem também morre. A partir daí, passam a tratá-la como uma criada e até colocaram-lhe o apelido de Cinderela – não vou contar o motivo. Vai que você é a Bela Adormecida e esteve hibernando nos últimos 65 anos…

Drisella e Anastasia: futilidade em dose dupla e cores invertidas.

Drisella e Anastasia: futilidade em dose dupla e cores invertidas.

Cinderela nunca reclamava e distraía-se cantando e conversando com seus amigos animais: um ganso e quatro ratinhos, a quem precisava proteger dos ataques de Lúcifer, o gato da madrasta – aí entra o trabalho da empresa Rodeo FX, responsável pelos efeitos visuais na criação dos ratos por computação gráfica. Tudo muda quando ela conhece o príncipe Kit (Richard Madden, de Game of Thrones), se apaixona e é correspondida. Com a perspectiva do amor verdadeiro, Cinderela ganha um incentivo para lutar por sua felicidade e sair das garras da madrasta cruel – se ela deixar, evidentemente.

"Volte antes da meia-noite ou a magia acabará!" E você achando que sua mãe é chata e exigente...

“Volte antes da meia-noite ou a magia acabará!” E você achando que sua mãe é chata e exigente…

As interpretações por vezes soam caricatas e extremistas – Cinderela é excessivamente boa, a Madrasta é excessivamente má e suas filhas são excessivamente fúteis. Tudo no superlativo, para destacar as características de cada personagem. Talvez tenha faltado um pouco mais de realismo – um pouco só, para não estragar a história, como aconteceu em Malévola – mas nada que atrapalhe a diversão. A cena com a participação da Fada-madrinha (a ótima Helena Bonham Carter) e a transformação da abóbora em carruagem, dos ratos em cavalos e o vestido de Cinderela são momentos mágicos e cheios de poesia, como só a Disney sabe fazer. Além disso, remetem ao desenho animado – até a palavra mágica Bibidi-Babidi-Bu foi mantida.

Senhorita, conceda-me o prazer desta dança?

Senhorita, conceda-me o prazer desta dança?

Para finalizar, Cinderela é um filme que traz uma história conhecida com poucas novidades, mas que encanta como se fosse a primeira vez. O figurino belíssimo enche os olhos e a trama resgata o sonho e a fantasia que ficaram perdidos em algum lugar do passado. Algo que está fazendo muita falta em nossos dias tão conturbados. Além, é claro, de nos ensinar que coragem e gentileza podem não ser ingredientes da felicidade, mas certamente colaboram para fazer a vida um pouco melhor.

Elsa pega uma gripe e percebe que o frio pode, sim, incomodar.

Elsa pega uma gripe e percebe que o frio pode, sim, incomodar.

Ah, sim! Já ia esquecendo: o curta-metragem Frozen: Febre Congelante, exibido antes do filme, é uma graça. Elsa pega uma gripe enquanto prepara uma festa de aniversário para sua irmã Anna e, a cada espirro – e sem que ela perceba – cria vários bonecos de neve, os Snowgies, que Olaf considera seus irmãos menores. O curta apresenta também uma nova canção, Making Today a Perfect Day (Fazendo de Hoje um Dia Perfeito), que não tem o mesmo encanto de Let it Go, mas promete se tornar o novo hit da garotada.

Cotação: blog cotação cinderela

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