Crítica: Caminhos da Floresta

blog abreEstreia na próxima quinta-feira, dia 29, em circuito nacional, o novo longa-metragem da Disney Caminhos da Floresta (Into the Woods, 2014), que faz uma releitura de vários contos de fada como Rapunzel, Chapeuzinho Vermelho, João e o Pé de Feijão e Cinderela. O diferencial é que esses contos são apresentados como uma história única, interligadas por um fato em comum, num interessante exercício de criatividade.

Quero dois pães bem fresquinhos... senão transformo vocês em sapos!

Quero dois pães bem fresquinhos… senão transformo vocês em sapos!

O filme começa quando a Bruxa (Meryl Streep, sempre impecável) se arrepende de uma maldição que rogou à casa do Padeiro (James Corden) anos antes quando o pai dele roubou legumes da horta da bruxa para saciar os desejos de sua esposa grávida. Ela, além de lhes roubar a criança que nasceu depois – Rapunzel (Mackenzie Mauzy) -, ainda lançou um feitiço na família, de modo que seu próximo filho não pudesse gerar outra criança.

Quer vender sua vaca? Pago com feijões.

Quer vender sua vaca? Pago com feijões.

Sem uma explicação plausível – ela apenas achou que já era hora de retirar o feitiço, oras! – a bruxa decidiu realizar o sonho do padeiro e sua esposa de terem um filho, mas para cancelar o feitiço, seria necessário uma lista de ingredientes e é aí que as histórias se cruzam: uma vaca branca como leite, um capuz vermelho como sangue, cabelos amarelos como milho e um calçado puro como ouro. Enquanto procuram os itens, o padeiro e sua esposa vão se relacionando com os outros personagens e causando algumas situações bem divertidas.

Rapunzel, Rapunzel, joga-me suas tranças para que eu possa subir aí e cantar no seu karaokê!

Rapunzel, Rapunzel, joga-me suas tranças para que eu possa subir aí e cantar no seu karaokê!

O grande problema do filme está no seu ritmo. Baseado num musical da Broadway da década de 1980, o filme é praticamente todo cantado (cerca de 80% da história), o que pode tornar tudo um tanto cansativo. Tudo bem que o filme é anunciado como um musical, mas para quem tem como referência do gênero produções como Cantando na Chuva, Grease e Footloose, a cantoria infinita chega a incomodar – são 27 canções ao todo, sendo que a primeira canção que abre a história tem 14 minutos de duração.

Parei de vestir prada. A moda agora é usar cabelos azuis.

Parei de vestir prada. A moda agora é usar cabelos azuis.

Apesar disso, o filme tem momentos brilhantes. Além do fato de interligar as tramas dos contos de fada – o que, por si só, já é uma ideia genial – o filme também cria uma cadeia de eventos que vai resultar numa tragédia que estende a trama por cerca de mais meia hora após tudo parecer ficar bem. Ou seja: quando a gente pensa que o filme vai acabar bem, tudo o que aconteceu antes provoca um fato que mexe com todo mundo e dá continuidade à história.

Ter um filho é mais complicado do que lhe contaram, não é, Sr. Padeiro?

Ter um filho é mais complicado do que lhe contaram, não é, Sr. Padeiro?

A princípio, parece um erro e um alongamento desnecessário na trama. Porém, com o desenrolar dos acontecimentos, percebe-se que houve uma preocupação em passar uma lição de que nossas ações egoístas causam consequências que mal podemos imaginar quando a fazemos. É fantástica a cena onde os personagens se culpam um ao outro (cantando, claro!) pelo desastre e podemos perceber que a culpa nunca é individual, mas sempre é causada pelo egoísmo de querer ter vantagens pessoais.

Oh, meu Deus! Qual sapato levarei? Ambos estão uma pechincha!

Oh, meu Deus! Qual sapato levarei? Ambos estão uma pechincha!

Há sim, cenas desnecessárias. Algumas músicas são longas demais, o Príncipe da Cinderela faz uma bobagem que não acrescentou nada à trama e um fato lançado no início da história – o padeiro tinha uma irmã que foi roubada pela bruxa – e que parecia que seria desenvolvido no desenrolar da trama ficou totalmente esquecido. Mesmo assim, o filme tem o mérito de fugir do lugar-comum de simplesmente recontar uma história já conhecida, como é uma tendência atual em Hollywood, mas trazê-las sob uma nova ótica – e o que é melhor: uma ótica inteligente.

Pra que esse talento tão grande, seu lobo, se o senhor vai ficar na tela por apenas 10 minutos?

Pra que esse talento tão grande, seu lobo, se o senhor vai ficar na tela por apenas 10 minutos?

Além disso, os talentos infantis de Lilla Crawford (Chapeuzinho Vermelho) e Daniel Huttlestone (João) mostram que o futuro de Hollywood está garantido, com ótimas interpretações. Vale dizer que o filme conta também com a presença de Johnny Depp no papel do Lobo Mau. Mas não se anime muito: sua participação é bem curta. Cabe aqui o alerta: o filme vale a pena ser visto. Mas vá preparado para uma cantoria praticamente interminável nos 125 minutos de projeção. O filme é musical MESMO!

Cotação: blog cotaçãowoods

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