Top 10: Melhores HQs de 2014

blog abre2Natal já passou e se aproxima o final de ano, época de balanços e retrospectivas. Nós não poderíamos ficar de fora dessa tradição e fizemos nosso review em tudo o que foi publicado no ano. As revistas mensais apresentaram nível baixíssimo esse ano, mas, em compensação, tivemos uma enxurrada de encadernados que surpreenderam por sua qualidade e capricho. Os vários eventos voltados para a cultura pop – sejam caracterizados pela sofisticação, como a Comic Con Experience, ou pela simplicidade e intimismo, como o Festival Guia dos Quadrinhos (antigo Mercado de Pulgas) – comprovaram que há espaço para todos os públicos e que esse tipo de acontecimento tende a crescer cada vez mais e atrair mais fãs. Mas deixando de lado o blá-blá-blá vamos à nossa lista dos dez melhores, lembrando que listas são pessoais e sempre sujeitas a discordâncias, mas estamos abertos a comentários.

Ele (ainda) tem a força!

Ele (ainda) tem a força!

10 – He-Man e os Mestres do Universo – É um grande prazer ter de volta um herói que marcou a geração dos anos 80 em histórias de qualidade escritas por conceituados roteiristas da DC Comics como Keith Giffen (Liga da Justiça), James Robinson (Starman) e Geoff Johns (Lanterna Verde) – este último escreve uma minissérie sobre as origens dos personagens de Etérnia, ainda inédita no Brasil. Foram dois encadernados, um marcando o retorno de He-Man e seus amigos e outro mostrando o combate dos guerreiros de Etérnia contra os heróis da Liga da Justiça. Como brinde, o leitor ainda pode (re) ler o clássico crossover de Superman Vs. He-Man publicado nos anos 1980. Um presentão!

Sétima e nona arte como uma só.

Sétima e nona arte como uma só.

9 – Disney Temático – Em 2014 tivemos muitos aniversariantes, que foram homenageados pela coleção Disney Temático. Em março tivemos os 50 anos do Urtigão; em julho foi a vez do Peninha comemorar seu jubileu de ouro e desde setembro estão sendo publicadas edições que destacam os 80 anos do Pato Donald (são quatro edições especiais – e nem poderia ser menos, afinal, o pato inaugurou a Editora Abril!). Mas, das 12 edições publicadas este ano, uma delas se destacou das demais pela qualidade das histórias e, curiosamente, não foram as edições festivas: foi o especial Cinema, com a versão Disney para Casablanca e sátiras relacionadas à História sem Fim, ET e Twin Peaks. Sem dúvida, tesouro para os fãs da sétima e da nona arte.

Nostalgia pura!

Nostalgia pura!

8 – Coleção Histórica Marvel – O resgate de material clássico é, por si só, uma ótima iniciativa que serve tanto para agradar os leitores veteranos, que terão a oportunidade de reler histórias antigas, como os leitores mais novos, que podem conhecer aquelas hqs que fizeram os super-heróis serem conhecidos e amados no mundo inteiro. O ano começou com quatro volumes do Homem-Aranha, seguido por quatro dos X-Men, quatro dos Vingadores e, por enquanto, um do Drácula – a Panini confirmou mais três. De todos, o melhor é o dos Vingadores, que resgatou importantes arcos como a Saga de Thanos, a guerra Kree-Skrull e a batalha contra Ultron, já antecipando o filme que virá em 2015. A coleção só pecou pelo descuido de encher os volumes com quadrinhos e não deixar espaço para a parte editorial: um texto de abertura contextualizando o tema, capas originais e outros extras, que enriqueceriam aquilo que a coleção se propõe: a ser “histórica”. Só por isso, ela está na oitava colocação e não nas primeiras posições.

Agradável surpresa

Agradável surpresa

7 – Franklin Richards: Filho de um Gênio – Uma agradável surpresa esse encadernado. Além da qualidade editorial (capa dura, papel de qualidade, preço camarada) e do formato diferenciado (15cm X 23cm, pouco menor que o formato americano e maior que o formatinho), a publicação mostra Franklin Richards, o filho do Senhor Fantástico e da Mulher Invisível, juntamente com o robô Herbie aprontando horrores em histórias cheias de humor sarcástico e o frescor infantil. Claramente inspirado em Calvin e Haroldo, o encadernado é uma leitura divertida e despretensiosa.

Vilões em evidência

Vilões em evidência

6 – Vilania Eterna – a grande saga do ano da DC Comics focada nos supervilões tinha tudo para dar errado: além de ser o tradicional “evento caça-niqueis” que já saturou, ainda matam todos os super-heróis e dão protagonismo aos vilões, muitos deles sem qualquer carisma. No entanto, a estratégia mostrou-se uma ideia genial. A editora aproveitou para contar as origens de alguns vilões de seu novo universo “Novos 52” em HQs interligadas à série principal e criou uma história competente e bem amarrada de Geoff Johns que é valorizada pela arte de Dave Finch. Convenhamos: ver Lex Luthor provar sua superioridade ao Batman e ver o Morcego se humilhando perante o vilão não tem preço!

Coleção tricampeã

Coleção tricampeã

5 – Graphic MSP – Este ano foi mais “pobre” em questão de graphic novels de Mauricio de Sousa – apenas duas, contra três do ano passado – mas nem por isso os autores deixaram a peteca cair. Tivemos que esperar até agosto para ler Bidu: Caminhos, com a fofíssima história de amor e amizade idealizada por Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho. Em dezembro, Danilo Beyruth retomou o Astronauta e criou, em Astronauta: Singularidade, uma trama cheia de ação e aventura, bem ao estilo do personagem. A qualidade técnica do conjunto – texto, arte, gráfico – garante a presença do projeto em nosso Top 10 pelo terceiro ano consecutivo.

Inovadora

Inovadora

4 – Turma da Mônica Jovem – Umbra – Eles fizeram de novo! A equipe de Mauricio de Sousa ocupa mais um lugar em nossa lista pela surpreendente trilogia criada para a Turma Jovem. Inicialmente, dava a entender que seria apenas mais uma HQ criada para homenagear o Dia das Bruxas – inclusive, com o mesmo efeito fosforescente na capa usado no ano passado. Porém, o roteiro adulto inovou ao apresentar uma trama densa, cheia de tensão e obscuridade que inclui a morte de um personagem – algo inédito, em se tratando de Mauricio de Sousa. Como a Turma Jovem permite uma temática mais séria, Mauricio se permitiu inovar. E deu super certo, como tem dado desde que a TMJ surgiu em 2008.

Dois monstros clássicos: o autor e o personagem

Dois monstros clássicos: o autor e o personagem

3 – A Saga do Monstro do Pântano – Esta coleção não tem nada de inovador: segue o mesmo padrão publicado nos Estados Unidos, coletando todas as HQs do personagem escritas por Alan Moore e compilando-as em seis edições especiais – até o momento, saíram duas, com a terceira edição a caminho. Porém, a qualidade dos textos do escritor britânico é que faz o material único. A qualidade gráfica – papel pisa brite – valoriza o clima rústico das HQs do personagem e dá um charme a mais ao encadernado. É uma coleção obrigatória que mostra o porquê de Moore ter se tornado quem é hoje, aclamado e valorizado.

O melhor da Marvel

O melhor da Marvel

2 – Demolidor – Da fase pós-Marvel Now, o Demolidor foi o que se deu melhor: suas histórias voltaram ao clima descontraído de quando o personagem foi criado, com temática mais urbana e menos violenta. Foi um acerto do roteirista Mark Waid que, ao invés da “R(e)evolução” proposta pelo projeto Marvel Now preferiu a reconstituição. A Panini fez melhor ainda ao publicar o título do Homem Sem Medo em encadernados bimestrais ao invés de inseri-lo nas revistas de linha. Resultado: uma das melhores HQs do ano, que dá gosto de saborear cada página. E que venham mais!

A turma de Charlie Brown continua campeã

A turma de Charlie Brown continua campeã

1 – Snoopy – As histórias são novas – desde 2012, são publicadas pela Boom! Studios, editora norte-americana – assim como seus autores, já que Charles M. Schulz, o criador de Snoopy e seus amigos, faleceu no ano 2000. Mas os personagens são os mesmos e o clima das HQs também é igual, mantendo suas características que marcaram gerações. A Editora Nemo republica esse material no Brasil com qualidade e nos presenteia com uma volta no tempo, quando os quadrinhos eram inocentes e sem a necessidade de serem realistas ou politicamente corretos. É diversão pura!

Chatice infinita

Chatice infinita

HQ Mico – Se do lado da DC a saga Vilania Eterna conquistou um lugar em nosso ranking como melhor HQ, dos lados da Marvel, a série Infinito conseguiu superar até a sonolenta A Essência do Medo (2012). Além da trama confusa que envolve criadores do Universo chamados de “construtores”, tirados sabe Deus de onde, a história se estendeu demais com conceitos incompreensíveis e personagens sem carisma que, não raras vezes, se encontravam perdidos no meio do roteiro, sem um papel definido, apenas para cumprir uma cota. Conseguiu ser não apenas a pior HQ do ano, como da década inteira.

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