Roberto Bolaños: saudades e um legado eterno

(FILES) Mexican actor Roberto Gomez BolaNa última sexta-feira, dia 28 de novembro, perdemos um dos grandes ícones do humor mundial, que fez rir gerações com seu humor simples e sem apelação. Roberto Gomes Bolaños partiu deste mundo, mas deixou um legado de humor que poucos artistas podem dizer que tiveram. Só pela comoção que sua morte provocou – algo que, verdade seja dita, já era esperada há algum tempo tanto pela sua idade avançada, como pelo seu estado delicado de saúde – percebemos o quanto ele foi amado.

Chaves: Trinta anos sendo exibido no SBT

Chaves: Trinta anos sendo exibido no SBT

Não deixa de ser surpreendente o fato de alguém conseguir manter-se no topo mesmo após mais de vinte anos sem produzir nada de novo e mais de quarenta da estreia dos seriados Chaves e Chapolim, no ar até hoje pelo SBT – Sistema Brasileiro de Televisão – com o mesmo frescor de como se tivesse acabado de ser feito. Arrisco-me a dizer que talvez o Brasil tenha a maior legião de fãs do seriado e sempre se manifestam contra a rede de Sílvio Santos cada vez que ele tira a série do ar. E foi no Brasil que as manifestações de tristeza mais bombaram pelas redes sociais – a ponto de incomodar alguns pseudointelectuais.

Não contavam com minha astúcia! Chapolim também chegou aos quadrinhos!

Não contavam com minha astúcia! Chapolim também chegou aos quadrinhos!

Nosso blox ia ficar de fora, afinal tudo o que poderia ser falado sobre Bolaños já foi dito. Mas não poderíamos deixar passar alguém tão importante para o mundo artístico, seja na TV, seja no cinema, no teatro ou nas HQs – que são a nossa matéria-prima. Assim sendo, nesta nossa homenagem, queremos abordar algo que foi bem pouco falado nas incontáveis homenagens realizadas por aí: a trajetória dos personagens de Bolaños nos quadrinhos.

Estreia do Chapolim nas HQs, em 1974

Estreia do Chapolim nas HQs, em 1974

Evidentemente, um fenômeno da TV como foi Chaves e Chapolim possui todas as características para se tornarem personagens de quadrinhos: são engraçados, as crianças se identificam com os personagens e permitem aventuras das mais variadas. Não é novidade, portanto, que eles logo tenham ido parar nas comics. A primeira revista em quadrinhos a trazer os personagens foi Chespirito Presenta, datada de Fevereiro de 1974. Inicialmente, os roteiros das histórias eram escritos pelo próprio Roberto Bolaños e, a partir de 1975, a responsabilidade passou para seu irmão Horácio Gomes Bolaños.

Nas HQs o personagem era tão atrapalhado como na TV.

Nas HQs o personagem era tão atrapalhado como na TV.

Com 36 páginas e periodicidade semanal (era lançada toda quarta-feira), o primeiro número trouxe uma história do Chapolim e outra, mais curta, do Dr. Chapatim. O número 2 trouxe duas HQs com o Chaves e o título seguiu, alternando semanalmente os personagens: uma semana o Chaves, na outra o Chapolim. O título durou até a edição 35, quando cada personagem ganhou seu título próprio, com a numeração prosseguindo a partir do número 36.

C:UsersRenietDesktopPicturesEl Chavo Del Ocho No. 2 - CopyÉ curioso notar que a revista do Chaves nunca teve um número 1, já que estreou em Chesperito Presenta 2. El Chavo del Ocho continuou saindo às quartas-feiras, enquanto que El Chapulín Colorado saía às sextas-feiras. As HQs duraram até meados dos anos 1980 (não se sabe exatamente até quando), sempre editadas pela Producciones HM, editora mexicana de propriedade do repórter Jaime Hernández Medina. Chegaram a sair também nos Estados Unidos, Colômbia, Venezuela e diversos países da América Central.

Publicações no Brasil

Publicações no Brasil

O Brasil também teve sua versão em quadrinhos das criações de Bolaños: a revista Chaves & Chapolim estreou em setembro de 1990 e, no ano seguinte, ganhou um segundo título: Chapolim & Chaves, lançada em junho de 1991. Ambas eram produzidas por artistas brasileiros, como Ruy Perotti (Variguinho, Satanésio) e Eduardo Vetillo (Spectreman, Os Trapalhões). O irônico é que as revistas eram publicadas pela Editora Globo, do mesmo grupo que, não raras vezes, teve sua audiência roubada pelo seriado exibido pelo SBT. Aproveitando a onda do gibi, em setembro de 1991, foi lançado o Almanaque do Chaves e Chapolim, com a reedição das melhores histórias.

Gibizinhos: publicação especial em formato de bolso.

Gibizinhos: publicação especial em formato de bolso.

No ano seguinte, a dupla ganhou edições do Gibizinho, uma publicação mensal, de 32 páginas em formato 10 cm X 13 cm, que era sempre lançado em quarteto – quatro revistas com o mesmo número, mas cada uma com um personagem diferente. O Gibizinho do Chaves contemplou as edições 8 (janeiro/92), 12 (março), 16 (maio) e 20 (julho), enquanto que o Gibizinho do Chapolim ocupou os números 8 (janeiro), 10 (fevereiro), 14 (abril) e 18 (junho) e 22 (agosto). Neste último mês, chegou às bancas a última revista Chapolim & Chaves, totalizando 15 edições. Chaves & Chapolim ainda teve uma sobrevida e durou até abril de 1993, atingindo o total de 32 números.

Zás! Teve álbum de figurinhas também!

Zás! Teve álbum de figurinhas também!

Com o surgimento do desenho animado do Chaves na década de 2000, a Televisa lançou um álbum de figurinhas do garoto da vila, que foi republicado no Brasil pela Panini em 2006, seguindo o mesmo traço da animação. Uma HQ nesse estilo, porém, nunca foi publicada, para tristeza dos fãs. Tudo isso serve para mostrar toda a versatilidade deste grande humorista, que não se prendeu a uma única mídia, mas espalhou seu trabalho por vários veículos, conquistando admiradores em todos os âmbitos da cultura.

Imagem do livro Chespirito - Vida y Magia del comediante más popular de América

Imagem do livro Chespirito – Vida y Magia del comediante más popular de América

Podemos até questionar a qualidade técnica de seu trabalho, mas jamais o seu inegável talento e a atemporalidade destas séries que, por mais de 40 anos, continuam fazendo rir como se fosse a primeira vez. A contribuição de Bolaños para a cultura pop mundial é inestimável e sua genialidade pode ser colocada no mesmo nível de ícones do humor como Charles Chaplin, Mazaroppi, Jerry Lewis e seu contemporâneo Cantinflas, respeitadas as diferenças de cada estilo. Gracias por todo, Chespirito!

As HQs internacionais desta matéria foram tiradas do site Chespirito.org.

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