Crítica: X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

bog abreUm dos filmes mais aguardados do ano, chega aos cinemas amanhã (22), X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, quinto filme da franquia X-Men, segundo filme da nova geração e sétimo filme estrelado por Hugh Jackman no papel de Wolverine. Só por esta lista numérica, o longa já seria histórico, mas, além disso, há também o fato dele se basear numa das HQs mais conceituadas do grupo mutante, produzida pela dupla Chris Claremont (roteiro) e John Byrne (desenhos), da fase áurea da equipe, que ajudou a transformar os X-Men em fenômeno de vendas.

Uma das melhores histórias dos X-Men (senão a melhor)

Uma das melhores histórias dos X-Men (senão a melhor)

Dias de um Futuro Esquecido foi lançada em 1981, nas revistas Uncanny X-Men 141 e 142. A história em duas partes mostra um futuro sombrio, onde os robôs gigantes chamados Sentinelas – criados em 1964 pelo cientista Bolívar Trask para caçar mutantes – dominaram a humanidade e separaram as pessoas em linhagens: humanos, mutantes e anômalos (pessoas sem superpoderes, mas com possibilidade de gerar mutantes e, por isso, proibidas de procriar). Com a maior parte dos super-heróis exterminados pelos robôs, os que sobraram são escravizados em campos de concentração.

Kitty Pryde é a ponte entre passado e futuro.

Kitty Pryde é a ponte entre passado e futuro.

Com a ajuda de Rachel Summers, filha de Ciclope e Jean Grey, usa seus poderes telepáticos para enviar a mente de Kitty Pryde ao passado, a fim de evitar a morte de um político importante, evento que deflagraria a liberação dos Sentinelas contra a raça mutante. Kitty possui seu corpo jovem e, com a ajuda dos X-Men, consegue impedir a Irmandade de Mutantes liderada por Mística, de efetuar o assassinato. Em apenas dois capítulos, Claremont criou uma trama coesa, inteligente e duradoura, que até hoje serve de base para as histórias dos X-Men, tanto nos quadrinhos, como no cinema.

"Os pernilongos são meio vorazes nessa linha temporal"

“Os pernilongos são meio vorazes nessa linha temporal”

No filme, porém, algumas liberdades foram tomadas: quem volta ao passado é Wolverine (Jackman), o único capaz de suportar o transporte temporal devido ao seu fator de cura. Rachel foi substituída por Kitty Pryde (Ellen Page) – num não explicado poder de deslocamento através do tempo, que ela nunca teve nos quadrinhos. O mutante deve retornar ao passado e forçar a união entre Charles Xavier (James McAvoy) e Magneto (Michael Fassbender), brigados desde o longa anterior, X-Men: Primeira Classe (2011), quando Magneto causou a paralisia de Xavier. Juntos, eles precisam impedir Mística (Jennifer Lawrence), agora agindo independentemente, de assassinar Bolívar Trask (Peter Dinklage), o criador dos Sentinelas.

Tamanho não é documento: Trask faz um estrago enorme com seus robôs Sentinelas.

Tamanho não é documento: Trask faz um estrago enorme com seus robôs Sentinelas.

Segundo os fatos históricos, após a morte de Trask, Mística seria capturada e seu DNA transmorfo seria aplicado nos robôs, permitindo que eles se adaptem facilmente aos poderes de qualquer mutante, tornando-os uma grande ameaça à toda raça. Mas unir os dois mutantes não será uma missão fácil: Xavier está depressivo, dispersou os X-Men e apenas o Fera (Nicholas Hout) permanece com ele na mansão. O jovem desenvolveu um soro que o permite controlar suas transformações e também devolveu a mobilidade a Xavier, mas teve um custo: ele precisa ser aplicado constantemente e anula os poderes telepáticos do mentor dos X-Men.

"Vou ali tirar o Magneto da prisão e volto rapidinho"

“Vou ali tirar o Magneto da prisão e volto rapidinho”

Já Magneto encontra-se em uma prisão fortemente protegida e os heróis precisam libertá-lo. É a deixa para a rápida (em todos os sentidos) participação do mutante Mercúrio (Evan Peters), numa excelente e divertida caracterização do personagem. Por conta da questão de direitos autorais do personagem, que pertencem à Marvel Studios, o nome Mercúrio não é mencionado e até mesmo seu nome civil foi mudado de Pietro para Peter. No entanto, o filme brinca com isso, dando uma pista de seus laços sanguíneos com Magneto (Magneto é pai de Mercúrio nos quadrinhos).

Esqueça o visual emo: Mercúrio é muito legal!

Esqueça o visual emo: Mercúrio é muito legal!

A supervelocidade do personagem também foi muito bem resolvida e resulta numa cena em câmera lenta pra lá de divertida – embora haja algumas incoerências físicas no contexto, elas passam batido e não comprometem. No geral, o herói deve agradar até mesmo aqueles que reclamaram do visual do personagem mostrado nas fotos.

Muitos mutantes participam da trama.

Muitos mutantes participam da trama.

Devido à grande quantidade de personagens, resta pouco tempo para explorar cada um deles com profundidade. Mesmo assim, eles são mostrados nas cenas de ação e todos ganham seu momento. Desde os mutantes já conhecidos do público, como Tempestade (Halle Berry), Colossus (Daniel Cudmore) e Homem de Gelo (Shawn Ashmore), até os novos, como Bishop (Omar Sy), Blink (Bingbing Fan), Apache (Booboo Stewart) e Mancha Solar (Adan Canto), todos têm sua cena, mesmo que sem falas ou uma rápida participação.

Mancha Solar poderia ser melhor aproveitado

Mancha Solar poderia ser melhor aproveitado

Talvez esse seja o grande defeito do filme, pois alguns personagens que poderiam ser melhor explorados, são tratados de forma superficial. É o caso de Mancha Solar, que mais parece um Tocha Humana genérico. Seu poder é absorver a energia solar e convertê-la em força física e rajadas de energia, mas só as rajadas é que são destacadas, como se esse fosse sua principal habilidade. Fora isso, como o mutante é brasileiro, ficaria bacana vê-lo soltar uma frase em português, mas isso também ficou de fora.

"Eu sou você amanhã"

“Eu sou você amanhã”

Outro que é mal aproveitado é o veterano Patrick Stewart, no papel do Professor X futurista. Suas habilidades telepáticas caberiam perfeitamente no papel de enviar a mente de Wolverine ao passado, ao invés desse poder ser dado a Kitty Pryde e ainda de forma inexplicada. Xavier tem um papel pequeno e irrelevante, ganhando destaque apenas no momento em que ele se encontra com sua versão mais jovem. Nada que seja muito empolgante, mas a cena é importante dentro do contexto da história.

Leitor óptico de retina em 1973? Meio fora de época, não?

Leitor óptico de retina em 1973? Meio fora de época, não?

O filme também peca na questão tecnológica: a história se passa em 1973 e alguns equipamentos são bem inviáveis para a época, como o leitor de retina da Mansão X, além dos próprios Sentinelas, da forma como são mostrados. Um erro que não foi cometido em Primeira Classe, que se passou 10 anos antes e estava perfeitamente ambientado com a época. Não é algo que prejudique o contexto geral, mas demonstra uma falta de cuidado do diretor Bryan Singer com a ambientação da história.

Blink: mutante com o poder de abrir portais de teleporte. Um poder bem estratégico, como o filme mostra.

Blink: mutante com o poder de abrir portais de teleporte. Um poder bem estratégico, como o filme mostra.

Por outro lado, Singer – que dirigiu os dois primeiros longas da franquia X-Men, em 2000 e 2003 – soube aproveitar o que já foi construído sobre os personagens e utiliza cenas de todos – isso mesmo: todos – os filmes anteriores, incluindo o filme solo de Wolverine, em sequências de flashback. Ponto positivo, pois estabelece um universo coeso sem desmerecer nada do que já foi feito. Embora algumas notícias deem conta que, a partir de agora, X-Men: O Confronto Final (2006) e X-Men Origens: Wolverine (2009) serão apagados da cronologia, Singer faz o seu registro e deixa o caminho aberto para o que virá no futuro.

Magneto num momento #NãoVaiTerCopa

Magneto num momento #NãoVaiTerCopa

Por ser uma trama densa e sombria, o filme tem pouca ação, se comparados com os anteriores. Afinal, viagens temporais são complicadas de explicar e precisam ser muito bem explanadas para que o público não perca o fio da meada. Apesar disso, o filme é dinâmico e, mesmo nas cenas mais paradas, prende a atenção – que é o que se espera de um bom roteiro. As rápidas participações de James Marsden (Ciclope), Famke Janssen (Jean Grey) e Anna Paquim (Vampira) também garantem a diversão. Mas não se empolgue muito: a participação é mais rápida que a de Mercúrio.

Daqui de cima vejo um futuro bem promissor para os X-Men.

Daqui de cima vejo um futuro bem promissor para os X-Men.

Apesar das mudanças com relação à história original, X-Men: Dias de um Futuro Esquecido mantém o clima da HQ e pavimenta o universo dos mutantes no cinema. Ao unir as duas gerações, o diretor conclui uma fase e inicia outra, com uma linha temporal que permite usar tanto a antiga como a nova geração. A cena pós-crédito (sim, ela existe. Não saia do cinema antes!) deixa um gostinho do que virá. Parece que o futuro não é tão sombrio assim para os heróis mutantes.

Cotação: blog cotação x-men

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3 comentários

  1. Não achei ( como , infelizmente , os dois primeiros X-MEN de Bryan Singer ) este realmente empolgante ! Sim o roteiro é coeso e bem explanado , os atores são bem dirigidos e enfim : o produto não ficou nem de longe um fake ou algo tão fora dos padrões ” gibisísticos ” por assim dizermos…Mas tem alguma coisa , ou algo na direção ou na mão dele que nunca me deixou ficar totalmente eufórico ! Eu realmente preciso ou gostaria de outros diretores na série dos X-MEN e fico me indagando se isto é somente eu que sinto …

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