Crítica: Rio 2

blog abreEstreou neste final de semana, Rio 2, a nova aventura de Blu, Jade e seus amigos, novamente dirigido pelo brasileiro Carlos Saldanha e produzida pela Blue Sky Studios, o mesmo da quadrilogia A Era do Gelo. Desta vez, porém, a história sai das terras cariocas e vai para a Região Norte – mais especificamente na Floresta Amazônica – mostrando ao mundo todo a diversidade da fauna e da flora brasileira. Infelizmente, o filme também mostra uma triste realidade em nosso país: a do desmatamento e da exploração de madeira.

Túlio e Linda fazem uma descoberta que muda a vida de Blu e Jade

Túlio e Linda fazem uma descoberta que muda a vida de Blu e Jade

O filme começa com a celebração do ano novo na praia de Copacabana, na qual Blu, Jade – já com uma prole de três filhos: Bia, Carla e Thiago – estão celebrando, juntamente com seus amigos Nico, Pedro, Rafael e Luiz. Em paralelo, Túlio e Linda estão na Amazônia, devolvendo ao seu habitat natural uma ave que eles cuidaram. É quando descobrem, por acaso, que a região pode ter mais espécimes de araras azuis. Ao descobrir que podem não ser os últimos de sua raça, Jade decide migrar com sua família para a Floresta Amazônica em busca de Túlio e Linda.

Nigel e Gabi: drama em nível Romeu e Julieta

Nigel e Gabi: drama em nível Romeu e Julieta

Evidentemente, eles não esperavam encontrar por lá o famigerado Nigel, que sobreviveu ao acidente mostrado no final de Rio (2011) e deseja se vingar de Blu. A cacatua conta com a ajuda de dois novos assistentes: o tamanduá Carlitos, cujo maior interesse e caçar formigas, e a rã tóxica Gabi, apaixonada por Nigel, mas incapaz de tocá-lo sem matá-lo por envenenamento. Essa situação dá margem para um drama shakespeariano movido a interpretações hilárias de Nigel.

Reencontro emocionante.

Reencontro emocionante.

Os novos personagens dão o tom do filme: além dos vilões, há também os filhos de Blu e Jade, cada um com uma personalidade característica. Thiago é o típico moleque encapetado; Bia é a gordinha adolescente e entediada, que prefere se isolar ouvindo música no seu iPod e Carla é a estudiosa e antenada, sempre em busca de novas experiências. Para aumentar ainda mais a galeria, Jade reencontra Eduardo, seu pai, que havia se perdido dela quando a filha foi capturada por especuladores, e Roberto, seu amigo de infância – que causa grande ciúme em Blu.

Roberto, um fanfarrão que desperta o ciúme de Blu

Roberto, um fanfarrão que desperta o ciúme de Blu

O relacionamento entre Blu e o sogro é outra situação que vai arrancar muitas risadas, visto que o velho tem uma visão bastante reservada sobre a convivência com outras espécies, sobretudo os humanos, enquanto que Blu, acostumado às facilidades da sociedade moderna, tem dificuldades em se adaptar à vida selvagem. Como pano de fundo da história, Túlio e Linda lidam com os traficantes de madeira.

araras unidas jamais serão extintas - o mesmo não se pode dizer das florestas.

araras unidas jamais serão extintas – o mesmo não se pode dizer das florestas.

A trilha sonora, assim como no filme anterior, é assinada por Sérgio Mendes e constitui um espetáculo à parte, com canções dançantes que traduzem toda a nossa diversidade musical. Contudo, alguns clássicos da Broadway também foram incluídos na trilha, como é o caso de Memory, canção imortalizada por Barbra Streisend, e uma versão incidental de I Will Survive, de Gloria Gaynor. Há muito mais clips musicais do que no primeiro filme, o que não chega a prejudicar a história, mas por serem muito seguidos, acabam cansando um pouco.

"Meu GPS tá meio desregulado... aqui não parece o Rio... "

“Meu GPS tá meio desregulado… aqui não parece o Rio… “

Rio 2 não consegue superar o original (leia nossa crítica aqui), deixando a impressão de que foi feito apenas para capitalizar em cima do nome e vender produtos com os personagens, sem se preocupar com uma história que justifique um novo filme. Mais ou menos o que vem ocorrendo com Kung Fu Panda, Como Treinar seu Dragão (que até série de TV já viraram) e Madagascar. Outro ponto negativo foi o fato de terem saído da cidade que dá título à franquia, perdendo aquilo que era sua principal característica.

Saldanha, com Nico e Blu: "Eu te amo, meu Brasil!"

Saldanha, com Nico e Blu: “Eu te amo, meu Brasil!”

Mesmo assim, a animação mantém o bom nível das produções da Blue Sky e certamente terá novas continuações – apesar que, dado o modo como a história acabou (não vamos entregar spoilers) será preciso uma trama muito boa para Rio 3. Mais uma vez, Carlos Saldanha faz uma declaração de amor ao País, exaltando nossas maravilhas naturais, destacando alguns pontos turísticos e passando também a mentalidade que nem todos os problemas são resolvidos numa partida de futebol. Quando se trata de ecologia, o papo é mais sério: a Amazônia é um patrimônio que precisa ser defendido. Tomara que os americanos entendam a alfinetada.

Cotação: blog cotação Rio

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