Crítica: 300 – A Ascensão do Império

blog abreEntre as estreias da semana, o destaque fica para o filme 300 – A Ascensão do Império (300: Rise of an Empire, 2014), que continua a história de 300 (2006), do diretor Zack Snyder. Desta vez, porém, Snyder se limitou ao roteiro e a direção do filme ficou a cargo do desconhecido Noam Murro, cujo único trabalho de destaque foi a comédia romântica Vivendo e Aprendendo (2008).

Baseado numa (quase) HQ de Frank Miller

Baseado numa (quase) HQ de Frank Miller

A trama do filme foi baseada numa minissérie não finalizada de Frank Miller chamada Xerxes, cujo preview foi publicado em 2011, na revista Dark Horse Presents. A série deveria ter seis capítulos, e contaria a origem do deus-rei que derrotou o exército espartano na série anterior, 300 de Esparta, mas o autor acabou não cumprindo prazos e a minissérie foi engavetada.

Vamos brincar de batalha naval?

Vamos brincar de batalha naval?

Os estúdios cinematográficos, porém, ansiosos por faturar com a franquia, avançaram as filmagens e se distanciaram do roteiro original de Miller, preservando apenas sua essência. Concebido para ser um prelúdio do longa anterior, o novo filme se modificou e passou a contar uma história simultânea: mostra eventos anteriores – como a origem de Xerxes -, durante a Batalha de Termópilas relatada em 300, e depois disso. Tudo gira em torno da Batalha de Artemísio, na qual os persas combateram em alto mar o exército dos gregos, liderados pelo general Temístocles (Sullivan Stapleton).

Nem o Arqueiro Verde acertaria essa.

Nem o Arqueiro Verde acertaria essa.

A história começa mostrando como Temístocles matou o rei Dario, evento que levou seu filho Xerxes (Rodrigo Santoro) a assumir o trono. Motivado pela irmã adotiva Artemísia (Eva Green), Xerxes decidiu se transformar em um “deus” para impor seu domínio sobre os gregos. Assim, após um banho místico numa caverna, Xerxes emerge como o gigantesco rei. Enquanto isso, Temístocles tenta juntar os exércitos de toda Grécia para combater as forças invasoras.

O sangue no filme é tanto que chega a espirrar na plateia.

O sangue no filme é tanto que chega a espirrar na plateia.

Ele não tem o apoio de Esparta, que prefere lutar sozinha no Estreito de Termópilas. O exército ateniense ataca pelo mar, na região do Estreito de Artemísio, cuja posição estratégica permitiria aos navios, mesmo em menor número, bloquear a passagem dos persas. O resto é morte e sangue, muito sangue – mais até do que em 300. Cada cena de luta é repleta de espadas atravessando soldados, cabeças e braços sendo cortados e corpos explodindo em sangue, que jorram na cara dos espectadores – situação que se agrava se o filme for visto na versão 3D.

Filme contraria as leis da biologia e da física: um choque entre barcos só destrói um deles.

Filme contraria as leis da biologia e da física: um choque entre barcos só destrói um deles.

O exagero é tanto que contraria até mesmo as questões biológicas (o sangue jorra como se fosse uma bexiga cheia de água que explode) e chega a incomodar um pouco pelo excesso – embora tais cenas fossem esperadas. Tanto que o filme tem classificação 18 anos, por violência extrema, sexo, nudez e linguagem obscena em algumas cenas. Não há muita profundidade histórica e o roteiro se desenvolve no relacionamento entre os personagens – como a relação pai e filho entre os soldados Scyllias (Callan Mulvey) e Calisto (Jack O’Connell, excelente no papel) e a tensão sexual entre Temístocles e Artemísia.

Com o perdão do trocadilho, mas esse garoto vale (Sant) Oro.

Com o perdão do trocadilho, mas esse garoto vale (Sant) Oro.

Eva Green é quem rouba a cena. Ela passa no olhar toda a crueldade e o ressentimento de Artemísia e atrai as atenções sempre que está em cena. Já Temístocles, que é o herói da história, não tem o mesmo carisma de Leônidas (Gerard Butler, que aparece em cenas de flashback). O brasileiro Rodrigo Santoro tem uma participação pequena, embora bem maior do que no longa anterior. Mesmo assim, ele também se destaca na trama e – brasileirismos à parte – mostra porque é um dos melhores atores desta geração, digno de figurar entre os grandes nomes de Hollywood.

Eva Green rouba a cena - e a autenticidade histórica também.

Eva Green rouba a cena – e a autenticidade histórica também.

Na questão histórica, o filme peca ao colocar uma mulher – duas, na verdade, mas não vou entregar spoilers – no comando, algo que a civilização antiga jamais permitiria. Historicamente falando, as mulheres eram educadas para cuidar da casa e dos filhos, enquanto os homens eram treinados para a guerra – aliás, isso ainda é assim hoje. Alguém já viu alistamento militar feminino? Em uma sociedade extremamente machista como eram os povos antigos – e que o filme faz questão de destacar com veemência, inclusive na negação de Scyllias em permitir que seu filho jovem participe da guerra – os homens jamais seguiriam as ordens de uma mulher, por mais cruel que ela fosse.

"Prefiro morrer lutando do que viver de joelhos". Ops... cena errada!

“Prefiro morrer lutando do que viver de joelhos”. Ops… cena errada!

Porém, licenças poéticas aceitas e contradições biológicas e físicas relevadas, 300 – A Ascensão do Império é um filme muito bem produzido. O uso da câmera lenta nas cenas de ação – recurso herdado do longa anterior – confere mais dramaticidade às lutas e, nesse ponto, o diretor soube explorar bem os momentos em que elas são utilizadas. Talvez falte um roteiro mais consistente, mas nada que comprometa o contexto geral.

Agora sim, imagem correta!

Agora sim, imagem correta!

Qualquer problema com a trama, não culpem Zack Snyder. Ele se esforçou. O real culpado é Frank Miller, que largou mão da história em troca de dirigir Sin City. Se essa troca valeu a pena, nós só iremos saber em setembro, quando o filme chegar aos cinemas. Isso, claro, considerando que o calendário se cumpra. O que, em se tratando de Frank Miller, é bem pouco confiável.

Cotação: blog cotação 300

Anúncios

3 comentários

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s