Crítica: Robocop

blog abreRemakes de filmes consagrados sempre geram uma certa polêmica sobre se vai conseguir superar a obra original, inclusive com protestos dos saudosistas de plantão, que consideram seu filme favorito irretocável, quase sagrado. Pura bobagem! É verdade que alguns filmes distorcem completamente o original e geram obras inferiores – caso clássico deste blox é o filme A Lagoa Azul: O Depertar, que comentamos aqui – mas não é o caso de Robocop, que estreou no último final de semana em circuito nacional.

Explosão só deixou uma mão, a cabeça e os pulmões (que estão dentro da armadura. Ou você queria vê-los expostos?)

Explosão só deixou uma mão, a cabeça e os pulmões (que estão dentro da armadura. Ou você queria vê-los expostos?)

A nova versão consegue ser melhor do que o filme de 1987, principalmente porque fugiu da amarração de seguir um roteiro pré-escrito para caminhar de forma independente e apresentar ao público uma nova história, com maior desenvolvimento dos personagens secundários. Os saudosistas não precisam se preocupar, porque o conceito original está lá: Alex Murphy é um policial que sofre um atentado, tem o corpo destruído e é inserido num corpo ciborgue, tornando-se uma máquina de matar. Mas os personagens ganharam profundidade e alguns, como a esposa de Murphy, tiveram uma participação maior e relevante para o contexto.

Lewis (direita) é responsável pela melhor piada do filme, depois de ver seu parceiro Murphy (esq.) na moderna armadura.

Lewis (direita) é responsável pela melhor piada do filme, depois de ver seu parceiro Murphy (esq.) na moderna armadura.

Mérito de José Padilha, diretor experiente com filmes policiais – ele já dirigiu Tropa de Elite e Tropa de Elite 2 – que conseguiu dar personalidade a uma história consagrada, ao contrário do que muitos acreditavam. A trama se passa no ano de 2028, na cidade de Detroit, onde o policial Alex Murphy (Joel Kinnaman) e seu parceiro Jack Lewis (Michael Kenneth Williams, que substitui a versão feminina do filme original) investigam o paradeiro do traficante de armas Antoine Vallon (Miguel Ferrer).

"Adorei essa roupa preta. Eu tenho uma queda por trajes pretos."

“Adorei essa roupa preta. Eu tenho uma queda por trajes pretos.”

Quando estava praticamente para prender o bandido, algo dá errado e Lewis é mortalmente ferido. Como agia sem o conhecimento da Corporação, Murphy é afastado do caso, apesar da desconfiança de que ele foi traído por alguém lá de dentro. De fato, dois policiais corruptos trabalhavam para Vallon e colaboram para colocar uma bomba no carro de Murphy. A explosão destrói praticamente todo seu corpo, transformando-o no modelo perfeito para o projeto desenvolvido pela empresa Omnicorp, dirigida pelo ambicioso Raymond Sellars (Michael Keaton).

Se o crime é uma doença, ele é a cura (essa frase é de outro filme, mas é legal!)

Se o crime é uma doença, ele é a cura (essa frase é de outro filme, mas é legal!)

É que a Omnicorp fornece tecnologia militar e desenvolveu os drones – robôs policiais – para patrulhamento. Altamente eficientes, esses drones diminuíram a criminalidade no Oriente Médio, mas não podem ser usados nos Estados Unidos, graças a um projeto de lei que proíbe o uso de máquinas como policiais. Segundo a lei, as máquinas não possuem emoções nem sensibilidade para diferenciar uma pessoa inocente de uma culpada, agindo apenas de acordo com sua programação, o que as colocam em inferioridade frente aos policiais humanos.

Dr. Dennett Norton, cientista em conflito com seus valores éticos

Dr. Dennett Norton, cientista em conflito com seus valores éticos

Como o objetivo da empresa é fornecer seus armamentos, Sellars pede ao cientista Dennet Norton (Gary Oldman, perfeito no papel) que desenvolva um projeto para colocar o homem na máquina, usando Murphy como cobaia. É assim que surge Robocop, cujo objetivo é mostrar à população que há um homem no comando da armadura, e assim revogar a lei restritiva. Diferente da versão anterior, este Robocop têm é menos robótico e mais humano, conservando parte de suas memórias, principalmente no que diz respeito à sua mulher e seu filho.

O filme tem tiroteio, perseguições e uma moto bem bacana!

O filme tem tiroteio, perseguições e uma moto bem bacana!

Exatamente por conta disso, Robocop assume comportamento independente, o que pode ser um perigo para a imagem pública da Omnicorp. Contra a vontade de Norton, o policial ciborgue passa a ter sua consciência diminuída a fim de ser mais controlável. E é aí que o enredo começa a trabalhar os conflitos entre os personagens.

Pat Novak: a mídia manipuladora

Pat Novak: a mídia manipuladora

A influência da mídia é representada por um único personagem: o repórter Pat Novak (Samuel L. Jackson), que defende de forma radical o uso de policiais robôs no patrulhamento, acusando o governo americano de “robofóbico”. A forma como utiliza seu programa para manipular a opinião pública é uma crítica à realidade que vemos com a mídia – o que não deixa de ser divertido, considerando que Padilha realizou os dois Tropa de Elite pela Globo Filmes, empresa do conglomerado Globo.

Clara Murphy tem participação fundamental na trama

Clara Murphy tem participação fundamental na trama

A participação de Clara Murphy (Abbie Cornish), a esposa do policial, também é fundamental na trama, uma vez que é ela quem autoriza a operação de seu marido e é em torno do relacionamento com ela que o Robocop tem seus conflitos – algo que já acontecia no filme anterior, mas que era exclusivamente baseado em memórias passadas e não em fatos atuais. O papel de Sellars também foi mais bem trabalhado, dando a ele uma personalidade mais corporativa, que quer vender os seu produto a qualquer preço, mas que faz isso dentro da lei. Tanto que ele não burla a legislação que proíbe o uso de máquinas como policiais, mas dá um jeito de fazê-la cair.

O coldre na perna foi mantido. Cool!!

O coldre na perna foi mantido. Cool!!

Robocop é um longa-metragem interessante e, como já foi dito, consegue até mesmo superar o original. Claro que isso é uma opinião particular e os fãs mais ardorosos da versão antiga vão discordar. Mas o melhor de tudo é saber que as duas versões são excelentes e merecem ser vistas, cada uma, um retrato de sua época. O futuro, porém, parece ser o mesmo: as máquinas sendo utilizadas para ajudar a humanidade, mas jamais conseguindo superar a supremacia do cérebro humano.

Cotação: blog cotação robocop

 

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