Recontando um conto: uma divertida experiência literária

blog abreTrabalhos escolares não precisam ser, necessariamente, enfadonhos e desinteressantes. Com um pouco de criatividade e boa vontade dos educadores, eles se tornam divertidos, motivadores e fazem aquilo para o qual se destinam: ensinam o aluno a pensar. Um projeto da Universidade Ibirapuera foi mais além e acabou virando um livro divertido e lúdico.

Histórias que nossas vovós contavam (e que aprenderam de suas vovós).

Histórias que nossas vovós contavam (e que aprenderam de suas vovós).

Trata-se da obra Recontando um conto, idealizada pelos professores Alan Almario e Camila Soares, respectivamente docentes das disciplinas Literatura Infantojuvenil e Construção da Linguagem Oral e Escrita do curso de Pedagogia. A ideia original era incentivar os alunos à pesquisa literária e produzirem textos de sua própria autoria, trabalhando com a interdisciplinaridade das duas matérias. O projeto consistiu em análise de contos de fada, por sua importância no imaginário popular e na transmissão de conceitos éticos universais.

Foram escolhidos doze contos de fada, aos quais os alunos deveriam pesquisar sua origem, lendo várias versões e comparando as diferenças entre elas, inclusive o contexto da época em que foram escritos. Em seguida, deveriam produzir seu próprio texto, recontando a história, mas sob uma nova perspectiva. Por exemplo, como seria a história da Branca de Neve se fosse o anão Zangado quem a narrasse? E o Pinóquio, sob o ponto de vista de Gepeto, como seria? Será que a Madrasta da Cinderela seria tão má se fosse ela a contar a história?

Quem disse que bruxa precisa ser má?

Quem disse que bruxa precisa ser má?

Como se trata de um trabalho acadêmico, os alunos também tiveram o embasamento de autores estudiosos da linguagem, aprendendo conceitos sobre as estruturas narrativas, recursos expressivos, argumentação, coesão e coerência. O resultado é surpreendente e, em alguns casos, bem engraçado. Casos como a Dona Pata, mãe do Patinho Feio, se defendendo com sotaque nordestino pelo fato de um de seus ovos ser maior do que o normal (“‘Não é nada, não se avexe!”, diz ela para o papai Pato – que nem aparecia na história original), ou da bruxa de João e Maria, fashion, bondosa e que fala tudo rimado.

Coleção Disquinho foi o xodó da garotada nos anos 1960 e é lembrada no livro.

Coleção Disquinho foi o xodó da garotada nos anos 1960 e é lembrada no livro.

É verdade que nem todos os textos contam “novas” versões da história. Alguns apenas limitam-se a contá-la novamente, sem mudar um só detalhe. Mas considerando que se trata de um exercício literário, cujo objetivo não era mudar o que já existia, mas analisar sob a perspectiva do que o autor pretendeu transmitir, o trabalho foi coroado de êxito, e os alunos saíram-se acima da média. Tanto que, o que era para ser um trabalho como qualquer outro, motivou não apenas os estudantes, mas também os professores envolvidos que, percebendo o empenho dos alunos, deram um passo além e conseguiram, com a aprovação da Universidade, transformar o trabalho num livro.

No livro, é o Lobo Mau quem conta a história de Chapeuzinho Vermelho.

No livro, é o Lobo Mau quem conta a história de Chapeuzinho Vermelho.

Recontando um Conto é uma edição independente que traz uma narrativa leve e contemporânea, com a contextualização dos doze contos de fada e, em seguida, as novas versões. Educativo, traz também um glossário de termos nordestinos, quando o texto assim o pede. Afinal, o leitor precisa entender aquilo que está lendo… O livro não é comercializável, mas nada impede que venha a ser. Afinal, se trabalhos como esse continuarem sendo feitos, produzirão novos escritores e, consequentemente, novos livros, que poderão ter uma demanda pelo público interessado nas pesquisas.

Os Irmãos Grimm foram responsáveis por compilar e recontar vários contos de fada no século 19

Os Irmãos Grimm foram responsáveis por compilar e recontar vários contos de fada no século 19

Afinal, obras acadêmicas existem para serem compartilhadas com a sociedade e não para ficarem limitadas às estantes das bibliotecas universitárias. Este é o objetivo de qualquer instituição de ensino: formar cidadãos que colaborem, com seu aprendizado, para o crescimento da sociedade como um todo. Às alunas coautoras do livro fica o incentivo deste blox para que continuem progredindo e formando novos pensadores. Aos professores, os parabéns pela ideia inovadora e motivadora. O mundo precisa de profissionais capazes de transformar um simples conto de fada na concretização de um sonho.

Para contato com a universidade, ligue: (11) 5694-7900 ou acesse o site.

Contos que foram “recontados” pelas alunas:

– A Bela Adormecida (na perspectiva do Príncipe), por Sandra Rodrigues de Souza Santos e Shirley Aparecida dos Santos Ramos;

– A Bela e a Fera (na perspectiva da Fera), por Carla Pires de Souza e Jainara Amaral Baldez;

– A Gata Borralheira (na perspectiva da Madrasta), por Regiane Lopes de Sousa e Rita Aline Ribeiro de Oliveira;

– Branca de Neve (na perspectiva do Zangado), por Débora Braz dos Santos e Grivânia Kenia Berri Heringer;

– Chapeuzinho Vermelho (na perspectiva do Lobo Mau), por Caroline Rodrigues Almeida e Sueli Gomes de Oliveira Almeida;

– João e Maria (na perspectiva da Bruxa), por Creonice Maria Secundo e Vanessa Aparecida Novais;

– O Patinho Feio (na perspectiva da Mãe Pata), por Ana Cristina Ribeiro dos Santos e Laís Soares Coelho;

– Os Três Porquinhos (na perspectiva do porquinho Cícero), por Andrea Leão Xisto e Maria Josicleide de Oliveira Silva;

– Pinóquio (na perspectiva de Gepeto), por Eledillce do Espirito Santo e Santos Nascimento;

– Dona Baratinha (na perspectiva do Boi), por Deborah Nascimeno Almeida e Thais Gomes Santos;

– O Gato de Botas (na perspectiva do Rei), por Débora Carolina da Rocha e Sílvio Rodrigues de Lima;

– A Cigarra e a Formiga (na perspectiva da Cigarra), por Arlete Glória de Lima Rodrigues e Maria Solange de Lima Ribeiro.

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