Tributo a um grande herói

blog abreCriado há 51 anos, o Homem-Aranha já viveu muitas aventuras e enfrentou os mais perigosos supervilões, sempre superando a si mesmo e deixando a preciosa lição de que com grandes poderes vêm grandes responsabilidades. O aracnídeo já nasceu adolescente, estampando a capa da famosa Amazing Fantasy 15 (na época, não tão famosa assim, visto que estava em vias de ser cancelada), em história de Stan Lee e Steve Ditko e, como jovem que era, acompanhou a infância e a juventude de muita gente. Da minha também.

Animação consagrou a canção-tema definitiva do herói.

Animação consagrou a canção-tema definitiva do herói.

Leio HQs desde meus três anos de idade e aprendi a ler com a Turma da Mônica… e Homem-Aranha (embora, à época, não fosse colecionador e lia eventualmente uma edição ou outra). Havia algo de encantador no personagem, não sei se a fluidez com que ele se balançava pelos telhados, ou se sua personalidade descolada e juvenil. Só sei que ele era simpático e eu gostava dele. Lembro-me que, quando as primeiras TVs coloridas começaram a chegar ao Brasil na década de 70, minha tia (que não era a Tia May) logo comprou uma e, quando ia visitar minha avó não saía de lá sem antes ver meu desenho favorito colorido. Que era, claro, o Homem-Aranha (aquele, do tema Spider-Man, Spider-Man, does whatever a spider can…). Quando o desenho animado foi cancelado e saiu do ar, eu fiquei muito triste em pensar que não veria mais o meu super-herói preferido. Mas eu sobrevivi. 

Tosco, sim. Mas clássico.

Tosco, sim. Mas clássico.

Tenho na memória que a segunda vez que fui ao cinema foi para ver um filme do Homem-Aranha (a primeira foi o inesquecível Superman – O Filme, 1978). Era Homem-Aranha volta a atacar (Spider-Man strikes back, 1979), uma junção de dois episódios da série de TV do aracnídeo em um longa metragem de uma hora e meia. Era tosco, não tinha supervilões, os efeitos eram ruins. Mas eu não ligava pra isso. Vibrei só por ver o meu herói favorito em carne e osso. E sobrevivi ao fato da série não ser perfeita.

Não foi a primeira HQ lida, mas foi a primeira de uma coleção.

Não foi a primeira HQ lida, mas foi a primeira de uma coleção.

A primeira revista em quadrinhos que comprei e disse “Vou guardar e colecionar” foi Super-Heróis Marvel 7 (RGE, 1979) que trazia uma história do Homem-Aranha e do Tocha Humana enfrentando o vampiro Morbius. A partir daí, passei a comprar todas as revistas do herói e fui, cada vez mais, me envolvendo em sua tumultuada vida. Desesperei-me quando Tia May desapareceu e ele passou duas edições procurando-a apenas para encontrá-la nos braços do Dr. Octopus, um de seus piores inimigos. Mas eu sobrevivi.

Como não se emocionar com essa cena?

Como não se emocionar com essa cena?

Alguns meses depois, chorei quando Gwen Stacy morreu. Uma história dramática onde o Aranha foi parcialmente culpado pela morte de sua amada – afinal, foi a parada brusca da queda da ponte do Brooklin que fez com que seu pescoço se quebrasse. O final da HQ foi comovente e o enterro na edição seguinte também. Senti como se fosse a minha namorada que tivesse morrido. Apesar da tristeza, eu também sobrevivi a isso para vê-lo se apaixonar novamente por Mary Jane e descobrir que foram feitos um para o outro – embora Gwen nunca tenha saído do coração.

Minha carta publicada em HA 76 (1989)

Minha carta publicada em HA 76 (1989)

Nos anos 1980, uma mudança radical de uniforme me fez ficar revoltado. O clássico – e perfeito – uniforme azul e vermelho era trocado por uma roupa toda preta na série Guerras Secretas. A revolta foi tão grande a ponto de eu escrever para a editora e manifestar o meu desgosto (a carta foi publicada na revista Homem-Aranha 76, da Editora Abril). Com o tempo, acabei acostumando e já não acho a roupa tão feia assim. É o mais estiloso uniforme do herói. Eu sobrevivi a mais essa mudança de status.

A saga é ruim, mas o Aranha Escarlate é bem legal!

A saga é ruim, mas o Aranha Escarlate é bem legal!

Daí veio a Saga do Clone. Uma bobagem sem nexo, uma história longa e interminável que trazia conceitos absurdos e totalmente fora da lógica. Foi tão ruim que até os editores se perderam no meio do caminho e não sabiam como terminá-la. Apesar da péssima saga, eu sobrevivi a ela, assim como a outras bobagens que vieram em seguida: os poderes totêmicos, que explicavam que existe uma “entidade-aranha”, que Peter Parker ganhou poderes por predestinação e não acidente e que haviam outros aracnídeos pelo mundo. Eu sobrevivi a isso.

Como destruir anos de cronologia numa única cena estúpida

Como destruir anos de cronologia numa única cena estúpida

Sobrevivi também ao ridículo Homem-Aranha espacial da série Unlimited, bem como ao arco de histórias que transformava Gwen Stacy numa mulher rampeira (só pra ser educado), que foi capaz de trair Peter com o seu pior inimigo – muitos anos mais velho do que ela – e ainda ter filhos com ele. Revoltado, com nojo, mas eu sobrevivi a isso. Finalmente, também sobrevivi à revelação pública de sua identidade, durante a Guerra Civil e, consequentemente, à quase morte da Tia May, que o levou a fazer o famigerado pacto com o demônio Mefisto. Por causa disso, Peter Parker teve parte de seu passado apagado. Eu sobrevivi a todas essas bobagens e continuei fã do personagem. Até gostei da fase que veio a seguir, com histórias divertidas e cheias de ação. Desgostei do conceito, mas o Homem-Aranha continuava sendo um grande herói.

Ponto final numa coleção de 33 anos.

Ponto final numa coleção de 33 anos.

Sobrevivi a tudo isso, mas não dá pra sobreviver à edição 143 da revista Homem-Aranha (Panini, 68 páginas), que chegou esse mês às bancas com a polêmica história de Amazing Spider-Man 700. Encerro, com pesar, minha coleção de revistas do aracnídeo, que iniciou lá em 1980. Não dá para engolir o fato de que o Homem-Aranha não é mais o herói que conheci. Desta vez, superaram todos os limites. E não é preconceito, porque já li o que vem em seguida e posso afirmar: é puro lixo. 

Esta é uma HQ superior a qualquer coisa que Dan Slott possa criar.

Esta é uma HQ superior a qualquer coisa que Dan Slott possa criar.

O roteirista Dan Slott conseguiu ganhar a alcunha de pior roteirista de todos os tempos (ao menos na opinião particular deste que vos escreve) porque desconstruiu todo o histórico de um personagem e criou uma fase repleta de absurdos que ofende a inteligência dos leitores e pode ser tudo, menos “superior”. Aliás, nem criativa ela é, pois quem já leu A Última Caçada de Kraven (nas bancas pela Coleção de Graphic Novels da Salvat) sabe que a temática “matar o herói-assumir sua identidade-provar que é superior” não é novidade. Porém, diferente do que vem a seguir, a minissérie de Kraven tinha um roteiro inteligente. Preocupava-se em contar uma boa história, não apenas em criar um furacão pra chamar atenção dos leitores e aumentar as vendas pura e simplesmente, sem qualquer tipo de responsabilidade literária.

O herói em sua pose mais clássica, by John Romita

O herói em sua pose mais clássica, by John Romita

Àqueles que vão continuar lendo o “Homem-Aranha Superior” faço votos que não se decepcionem (duvido!). Apenas saibam que isso que vocês leem é uma história de um homem mascarado, não um super-herói. Herói é aquele que tem moral, tem amor ao próximo, não pensa em si, arrisca a própria vida pelo bem estar alheio, tem responsabilidades. Um herói é superior pelo que ele é, não porque ele deu o título a si mesmo. Ao Homem-Aranha, o meu agradecimento por mais de 30 anos de aventuras e pelas preciosas lições que aprendi nesse período. Nós nos divertimos e sofremos juntos. Adeus, Homem-Aranha, amigão da minha infância! Obrigado, Stan Lee, Steve Ditko e John Romita! E perdoai os novos roteiristas. Eles não sabem o que fazem…

Uma homenagem digna a um grande super-herói (by Marko Djurdjevic)

Uma homenagem digna a um grande super-herói (by Marko Djurdjevic)

Anúncios

2 comentários

  1. concordo com vc comecei a minha coleção de gibis do aranha em dezembro de 2012 e todo esse tempo vem colecionado e lendo as aventuras do aranha mais ai quase um ano depois eles e vem com essa meu deus oq fizeram mataram o Homem aranha antigo para por esse q tem a mente do otto

    pena q os roteiristas n estão mais sabendo oq escrever para agradar o leitor

    depois dessa minha pequena coleção do aranha vai acabar

    • Braian, se me permite um conselho: como você é colecionador novo, procure as edições antigas do Homem-Aranha, mas aquelas lááááááá dos anos 60/90. Tem muita coisa boa que merece ser lida e que fez a mitologia do herói. As Bibliotecas Históricas, Coleções Históricas e encadernados são uma boa opção, pois trazem o supra-sumo dessas fases. No link abaixo tem alguns interessantes:

      http://wp.me/pInFO-1se

      Todas estas edições são mais caras que as revistas de linha, mas com certeza, valem o investimento. Um abraço!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s