Saído do Forno: Piteco – Ingá

blog abreChegou às livrarias esta semana Piteco – Ingá, a quarta edição do selo Graphic MSP, desta vez focado no álbuns adultos dos personagens de Mauricio de Sousa. Este é o último volume da primeira “fornada” de álbuns anunciados desde o final de 2011, mas não encerra o projeto. Recentemente, a MSP já anunciou seis novos títulos (veja todos eles aqui), que deverão chegar às livrarias entre 2014/2015.

A sabedoria dos antigos se torna realidade na tribo de Lem.

A sabedoria dos antigos se torna realidade na tribo de Lem.

Piteco – Ingá é de autoria do paraibano Shiko, que ficou responsável não apenas pelo roteiro e desenhos, como também pela colorização, feita totalmente em aquarela, o que deixou a arte muito mais bonita. A história narra um êxodo da tribo de Lem, da qual Piteco faz parte, em busca de um novo local para viver, já que o rio perto do qual eles viviam, está secando – uma profecia já feita pelos antepassados e gravada com ilustrações rupestres na pedra de Ingá, daí o nome do álbum.

Thuga é capturada e Piteco deve salvá-la

Thuga é capturada e Piteco deve salvá-la

Enquanto se preparam para a migração, Thuga é sequestrada pela tribo dos Homens-Tigre, inimigos da tribo de Lem e cabe a Piteco resgatar sua amada. Claro que isso não será tão fácil e ele enfrentará muitos perigos na companhia de seus amigos Beleléu e Ogra. Este talvez seja o mais “adulto” dos álbuns, pois além do nome, nada mais lembra aqueles personagens que conhecemos: nada de perseguições de Thuga para se casar com Piteco, nem de trapalhadas de Beleléu, nem de caçadas atrás de dinossauros para servir de alimento.

Piteco é mostrado como você nunca viu

Piteco é mostrado como você nunca viu

Piteco é um homem maduro e valente, enquanto Thuga é uma espécie de líder da tribo, mulher influente e responsável pelo bem estar de todos. Além disso, é inteligente e perspicaz, a ponto de deixar pistas no caminho para que Piteco possa encontrá-la. O roteiro lembra muito mais uma aventura de Tarzan ou de Conan, o Bárbaro, do que propriamente o Piteco, o que não é nada negativo, pelo contrário. O teor adulto da HQ nos dá uma excelente oportunidade de vislumbrar outra faceta dos personagens e, assim como Astronauta – Magnetar, explora ao máximo as suas características: a rudeza, as habilidades para sobrevivência e a união da tribo, onde o bem de um é o bem de todos.

Muitos perigos se escondem nas matas

Muitos perigos se escondem nas matas

Shiko aproveita a história para inserir elementos da cultura nordestina e brasileira, como a própria Pedra do Ingá, que realmente existe na Paraíba, além das lendas brasileiras do Curupira e Boitatá, aqui chamados de Arapó-Paco e M-Buantan, respectivamente, e ilustrados de forma magistral. Há até uma referência ao clássico King Kong (1976), onde Thuga faz o papel de Jessica Lange. Os tradicionais extras no final do álbum, mostrando os bastidores da produção, completam o prazer da leitura.

Salvar a Thuga não vai ser fácil...

Salvar a Thuga não vai ser fácil…

Juntamente com as outras três edições de Graphic MSP, Piteco – Ingá é uma leitura prazerosa e inovadora. Tanto pela arte como pelo texto, é um projeto revolucionário que mostra o quão fantástico são os nossos artistas. Se, após ler Ingá, ainda existir alguém capaz de afirmar que histórias em quadrinhos é coisa de criança, não é cultura e não podem ser consideradas como arte, definitivamente essa pessoa não sabe o significado desses conceitos. Fica a expectativa para a chegada dos novos álbuns em 2014, pois 2013 fechou com chave de ouro – ou, no caso, de pedra.

 

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