Da TV para as HQs (1)

blog abreA interação entre mídias não é nenhuma novidade. Desde que as histórias em quadrinhos foram criadas, elas “passeiam” por outros veículos atendendo à demanda e preferência do público. Assim, se você pensa que a onda de filmes de super-heróis das HQs é um fenômeno recente, é melhor mudar os seus conceitos: em 1940, Superman virou um programa de rádio antes de virar desenho animado pelos Estúdios Fleisher (1941) e, finalmente, ganhar um live-action interpretado pelo saudoso Kirk Allyn (1948 e 1950).

As primeiras versões de heróis de papel que viraram carne e osso.

As primeiras versões de heróis de papel que viraram carne e osso.

Antes dele, Capitão Marvel (1941) e Batman (1943/1949), Capitão América (1944), Fantasma (1943) e outros já tinham saído das HQs e virado seriados no cinema. Isso, só pra falar em super-heróis, porque não podemos esquecer de outros personagens como Popeye, que surgiu nos quadrinhos em 1929 e virou desenho em 1933; Tarzan, nascido nas HQs e que virou livro, desenho e série de TV; Flash Gordon, surgido nas tiras de jornal em 1933 e que virou série radiofônica no ano seguinte, entre muitos outros.

Em tempos de militarismo, as crianças aprendiam sobre a vida dos "heróis" militares.

Em tempos de militarismo, as crianças aprendiam sobre a vida dos “heróis” militares.

O sucesso das séries determina sua migração para outras mídias. Assim, é bem natural um personagem de quadrinhos virar carne e osso dependendo da aceitação do público. O inverso também ocorre, em menor intensidade, é verdade, mas não é algo incomum. No mercado brasileiro temos vários exemplos de personagens da vida real que viraram histórias em quadrinhos. E é sobre eles que esse post quer tratar. Como se trata de um universo muito amplo, optamos por restringir as postagens apenas às personalidades brasileiras que viraram HQ ao invés de mencionar todas as HQs de pessoas reais que foram vendidas no Brasil. Mesmo assim, são mais personalidades do que eu mesmo imaginava…

Oscarito e Grande Otelo foram artistas de cinema que fizeram grande sucesso em comédias.

Oscarito e Grande Otelo foram artistas de cinema que fizeram grande sucesso em comédias.

Nos primórdios dos quadrinhos brasileiros, era bastante comum a biografia de políticos, inventores e personalidades do mundo das artes ser contada em quadrinhos. No entanto, tais revistas tinham o objetivo único de exercer o papel didático e não de transformar a celebridade em questão em um personagem. É difícil precisar quem foram os primeiros a serem retratados no mundo bidimensional, mas como na época não havia televisão e a diversão das crianças era o cinema e o circo, nada mais justo que saírem dessas mídias os primeiros astros.

La Selva foi pioneira em transformar astros em personagens de quadrinhos

La Selva foi pioneira em transformar astros em personagens de quadrinhos

Assim, a editora La Selva lançou, em 1953, a revista Seleções Juvenis, estrelada por um personagem diferente a cada número – geralmente personagens de faroeste. Uma das primeiras edições trazia na capa uma dupla que fazia grande sucesso nas comédias exibidas nas matinês de cinema: Oscarito e Grande Otelo.

Cláudio de Souza, braço direito de Victor Civita, era roteirista das HQs.

Cláudio de Souza, braço direito de Victor Civita, era roteirista das HQs.

Desenhada por Jayme Cortez, um dos nomes mais importantes dos quadrinhos brasileiros, a revista era também contava com roteiros de Cláudio de Souza, um dos homens de confiança de Victor Civita e responsável pelo crescimento da Editora Abril no segmento de quadrinhos.

HQ brinca com o nome do desenhista Jaime Cortez

HQ brinca com o nome do desenhista Jaime Cortez

As HQs traziam todo o humor inocente da dupla, repetindo as trapalhadas e confusões que arrumavam nas telas de cinema. Foram vários números da revista, que, como dito, iam se alternando com outros personagens. Como os editores perceberam que a adaptação agradou aos leitores, outras celebridades estamparam a capa de Seleções Juvenis, que durou 628 edições (de 1953 a 1968).

Mazzaropi, o caipira mais famoso dos cinemas, também virou HQ

Mazzaropi, o caipira mais famoso dos cinemas, também virou HQ

Um desses astros também saiu das comédias cinematográficas e a HQ, inclusive, teve vida muito mais longa que a de seus companheiros. Trata-se de Mazzaropi, cuja revista chegou às bancas em 1956, também desenhada por Cortez. A equipe da revista utilizava fotos do comediante como base para o desenho.

O desenhista Jayme Cortez (à esq.) mostra sua arte a Mazzaropi

O desenhista Jayme Cortez (à esq.) mostra sua arte a Mazzaropi

A revista Mazzaropi durou 14 números e foi até 1958. Depois, teve uma segunda fase que estreou em 1965 e durou mais 20 números, totalizando 34 edições deste que é um dos maiores nomes do cinema nacional. Numa próxima postagem, falaremos do mundo do circo nas páginas das HQs.

(Fontes: Blogs: Gold Online Comics, Alearte Quadrinhos, Personagens dos Gibis)

Oscarito (esq.) e Grande Otelo (dir.), numa cena de um de seus sucessos do cinema.

Oscarito (esq.) e Grande Otelo (dir.), numa cena de um de seus sucessos do cinema.

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