Crítica: Percy Jackson e o Mar de Monstros

blog abreEstreia em 16 de agosto o segundo filme da franquia baseada na série de livros infanto-juvenis Percy Jackson e os Olimpianos, escrita por Rick Riordan. O primeiro filme, Percy Jackson e o Ladrão de Raios (Percy Jackson & the Olympians: The Lightning Thief, 2010) apresentou o personagem Percy (Logan Lerman), filho do deus grego dos mares, Poseidon (Kevin McKidd) com uma mãe humana (Catherine Keener).

Onde eu acho um extintor no meio da floresta?

Onde eu acho um extintor no meio da floresta?

A nova aventura, Percy Jackson e o Mar de Monstros (Percy Jackson: Sea of Monsters, 2013), continua as aventuras do rapaz, que abandonou a convivência com a mãe para viver num acampamento no meio da floresta para treinar técnicas de combate a fim de se proteger das criaturas que desejam atacar os deuses do Olimpo matando seus filhos. O filme traz de volta os personagens do filme anterior, como Grover (Brandon T. Jackson), o simpático de divertido sátiro, protetor de Percy; Annabeth (Alexandra Daddario), filha de Atena, por quem Percy nutre uma paixão; e Luke (Jake Abel), filho rancoroso de Hermes, que quer se vingar do pai ausente destruindo os deuses do Olimpo.

Barreira mística que protege o acampamento vem da árvore Thalia

Barreira mística que protege o acampamento vem da árvore Thalia

A história começa mostrando, em flashback, como o Acampamento Meio-Sangue adquiriu a barreira protetora que só os semideuses conseguem ultrapassar. Um grupo de crianças formado por Grover, Annabeth, Luke e Thalia, a filha de Zeus, fugiam de um grupo de ciclopes que queria matá-los. Para salvar os amigos, Thalia se sacrifica e morre. Zeus, então, a transforma numa árvore mística, que emite a barreira invisível ao redor do acampamento e assim, protege os semideuses das ameaças.

Os óculos estilosos escondem um segredo que está na cara.

Os óculos estilosos escondem um segredo que está na cara.

Sabendo disso, Luke envenena a árvore, enfraquecendo a barreira, o que faz com que Dionísio, o diretor do acampamento, envie um grupo à ilha de Circe, localizada no Triângulo das Bermudas (o chamado Mar dos Monstros), para buscar o velocino de ouro. A peça tem o poder de cura e é a única coisa capaz de ressuscitar a árvore e restaurar a barreira mágica. A escolhida para a missão é Clarisse (Leven Rambin), filha de Ares, o deus da guerra e uma das mais hábeis lutadoras do local. Em paralelo, Percy conhece seu meio-irmão, Tyson (Douglas Smith), filho de Poseidon com espíritos da natureza, o que resultou numa característica bem peculiar: o garoto é um ciclope.

Não são tubarões... é a Caríbdis!

Não são tubarões… é a Caríbdis!

Sabendo dos poderes do velocino de ouro, Luke também vai atrás da peça, a fim de ressuscitar Cronos, o pai dos deuses do Olimpo e o único capaz de destruí-los. Como a Ilha de Circe só pode ser alcançada com a ajuda de um sátiro, Luke sequestra Grover, forçando Percy, Annabeth e Tyson a juntar-se a Clarisse para resgatá-lo. Assim, o grupo enfrenta vários perigos no Mar dos Monstros, numa corrida contra o tempo para conquistar o velocino de ouro.

Parece que tem alguma coisa bem grande ameaçando nossos amigos

Parece que tem alguma coisa bem grande ameaçando nossos amigos

É gritante a diferença entre esta aventura e o filme anterior. O primeiro filme, dirigido por Chris Columbus, trouxe toda a experiência do diretor com filmes infanto-juvenis – ele dirigiu os dois primeiros Harry Potter e foi roteirista de grandes sucessos dos anos 80: Os Gremlins (1984) e Os Goonies (1985). Columbus sabe como mesclar os elementos de fantasia com cenas de ação e um roteiro bem conduzido. As citações mitológicas são aulas de história, bem explicadas e com os efeitos especiais aplicados com maestria.

Uma corrida de táxi muito louca. Mais até do que deveria.

Uma corrida de táxi muito louca. Mais até do que deveria.

Já nesta continuação, o diretor Thor Freudenthal transformou a aventura numa comédia pastelão, a exemplo de O Diário de um Banana (2010), outra adaptação literária feita por ele. Por privilegiar as piadinhas a todo instante, os personagens se descaracterizaram e as cenas de ação não empolgam. Tudo é motivo para fazer uma piada: desde o castigo de Zeus a Dionísio, amante de vinhos e condenado a abstinência da bebida, até o relacionamento entre Percy e Tyson, que explora a dificuldade de aceitação de um irmão “deficiente”, perde seu tom dramático para virar comédia.

Cronos, o deus feito em computação gráfica.

Cronos, o deus feito em computação gráfica.

Os efeitos especiais são de primeira: o ataque do touro de Colchis, a ameaça da gigantesca Caríbdis no Triângulo das Bermudas e, finalmente, a batalha com Cronos, tudo é de um realismo excepcional, o que nos faz comparar como a tecnologia evoluiu desde os clássicos Fúria de Titãs (1981) e Jasão e o Velo de Ouro (1963), que utilizaram a técnica de stop-motion (com bonecos cujos movimentos eram filmados quadro a quadro). Sim, são técnicas diferentes e uma não desmerece a outra, mas há que se considerar o nível de verossimilhança.

Hermes e seu bastão tagarela

Hermes e seu bastão tagarela

Uma pena que tudo isso se perca. Percy Jackson e o Mar dos Monstros tem um roteiro que poderia ser muito melhor explorado se fosse entregue a um diretor mais experiente. Ao infantilizar a história, tirou-se dela aquilo que ela tinha de melhor, que é a forte base mitológica, tratada com superficialidade – as serpentes do bastão de Hermes discutindo entre si é algo constrangedor e desnecessário. No entanto, o filme tem bons momentos e deve agradar às crianças e adolescentes.

Morra de inveja, Jasão!

Morra de inveja, Jasão!

Espera-se que, para A Maldição do Titã, o terceiro livro da série e próximo filme da franquia, os produtores voltem ao nível anterior, pois a obra tem uma história interessante e muito rica. Não merece naufragar no Mar dos Monstros.

Cotação: blog cotação pjmm

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7 comentários

  1. Já eu considerei o enrendo deste filme bem melhor que o do primeiro. Pois quem é fã da serie de livros sabe que o ladrão de raio foi uma grande decepção, tanto que quando assisti Mar de monstros fui com poucas expectativas e sai de lá considerando o filme excelente.

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