Crítica: O Homem de Aço

blog abreTomo a liberdade de fazer essa crítica em primeira pessoa, diferente do que comumente acontece aqui no blox. É que falar de filmes do Superman é algo pessoal, visto que a primeira vez que fui ao cinema, com sete anos de idade, foi para assistir Superman – O Filme (1978), algo que deixou marcas profundas na mente e no coração de um garotinho que se tornaria jornalista por influência de um cara chamado Clark Kent.

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Ele me fez acreditar.

Claro que, naquela época, eu nem me preocupava com o futuro, nem pensava qual carreira seguir. O legal era ir ao cinema. E acreditar que um homem era capaz de voar, como dizia a propaganda. E, como disse para um amigo no Facebook, já acreditei nisso de uma vez por todas e dificilmente, O Homem de Aço (Man of Steel, 2013), a mais nova incursão do Superman nos cinemas, ia me fazer “reacreditar”. Ainda mais com tantas notícias negativas que foram divulgadas desde que o filme entrou em produção.

Dupla Dinâmica

Dupla Dinâmica

Negativas no sentido de que o diretor Zack Snyder optou por uma versão mais realista do herói, divulgou que o seu filme “não teria nada de quadrinhos”, um uniforme totalmente escuro e sem a tradicional sunga por cima das calças e outros pontos que afastavam o personagem daquele que todos conhecemos. Ao meu ver, quiseram aproveitar o sucesso em cima do Batman – tanto que o diretor Christopher Nolan dividiu o roteiro com David S. Goyer, responsável pelo ótimo Blade (1998), mas também pelo fiasco Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança (2011).

Superprodução: cenários grandiosos e efeitos especiais a rodo

Superprodução: cenários grandiosos e efeitos especiais a rodo

Enquanto defensores da “trindade santa” Snyder-Nolan-Goyer quiseram me fazer acreditar que o filme seria um sucesso, as notícias provavam o contrário: retiraram a essência do personagem e criariam um outro Superman, não aquele que eu conhecia. Agora, com a chegada de O Homem de Aço no cinema, posso dizer com todas as letras – e fazer a mea culpa: todos os temores foram infundados. O Homem de Aço é uma superprodução que manteve as características do personagem com um show de efeitos especiais e toda grandiosidade que o herói, no auge dos seus 75 anos, merece ter.

O filho se torna o pai.

O filho se torna o pai.

O filme começa em Krypton, mostrando o nascimento de Kal-El, o primeiro bebê em séculos a nascer por vias normais. A população avançada do planeta havia abolido a gestação normal das crianças, optando por gerar suas crianças em câmaras artificiais. O cientista Jor-El (Russell Crowe), sem que o conselho de Krypton soubesse, optou por dar a seu filho a chance de uma vida normal, principalmente após descobrir que Krypton estava à beira da morte devido à exploração dos recursos naturais, que tornaram o centro do planeta instável.

"Ajoelhe-se... Não, peraí... Mudaram minha fala."

“Ajoelhe-se… Não, peraí… Mudaram minha fala.”

Ao mesmo tempo, o General Zod (Michael Shannon) dá um golpe de estado e toma o poder dos conselheiros, por considerá-los culpados pelo destino de Krypton. Para proteger seu filho recém-nascido, Jor-El o envia para a Terra e Zod e seus comparsas acabam exilados na Zona Fantasma. Corta para 33 anos no futuro (como sempre, faz-se questão de associar o Superman a Jesus Cristo, inclusive na idade) onde, já adulto, Clark Kent (Henry Cavill) anda pelo mundo em busca de um sentido para a vida.

Salvando a pátria, ou melhor, o ônibus

Salvando a pátria, ou melhor, o ônibus

Por meio de vários flashbacks, a infância e juventude do Superman são contadas: vemos todo o carinho com que seus pais adotivos, Jonathan (Kevin Costner) e Martha (Diane Lane) o criaram, ensinando-o a utilizar suas habilidades, a perseguição provocada pelos garotos mais fortes por conta de sua “esquisitice” e a humilhação de não poder se defender sem revelar seus poderes e os eventuais salvamentos, como o ônibus escolar que Clark tira de dentro do rio. Também é mostrada, de forma bem superficial, o início de sua amizade com Pete Ross (Jake Foley) e Lana Lang (Jadin Gould).

Perry White (não tão White) e Lois Lane: coadjuvantes de peso.

Perry White (não tão White) e Lois Lane: coadjuvantes de peso.

Ao juntar-se a uma expedição no Ártico, Kent descobre uma nave espacial que estaria oculta sobre o gelo há milhares de anos. Ao adentrar a nave, ele encontra a consciência de Jor-El e aprende tudo o que ele precisava saber sobre sua origem. A partir daí, ele se torna o Superman. Forçado a salvar a vida da repórter Lois Lane (Amy Adams), que também acompanhava a expedição, o Superman se revela e vira motivo de obsessão para a jovem, que passa a perseguir o o seu misterioso salvador, em busca de uma história, visto que a primeira foi rejeitada pelo editor Perry White (o excelente Laurence Fishburne que, apesar das diferenças raciais com o personagem original nos quadrinhos capta perfeitamente a essência do editor, paterno mas também firme e profissional).

Em supervelocidade, contra os invasores de Krypton

Em supervelocidade, contra os invasores de Krypton

A situação toma um rumo perigoso quando Zod chega à Terra, fugido da Zona Fantasma, e exige que Kal-El se entregue ou eles destruirão o planeta. A partir daí, começa a batalha que não deixará pedra sobre pedra em Metrópolis. A despeito de todos os medos, toda essência do super-herói está presente, bem como inúmeras referências ao clássico Superman II (1980): desde uma briga com três vilões – Zod, Faora (Antje Traue), tão cruel e impiedosa quanto Ursa (Sarah Douglas), e um terceiro kryptoniano não nomeado até uma cena de luta numa construção na qual Superman se defende de uma viga lançada por Zod com sua visão de calor.

Olhe no fundo e veja o que sobrou de Metrópolis

Olhe no fundo e veja o que sobrou de Metrópolis

Também não faltam referências ao universo dos quadrinhos e da TV, como caixa d’água de Smallville – vista na abertura do seriado e, salvo engano, com o próprio logotipo da série impresso nela – e um carro da LexCorp. O “realismo” tão divulgado durante a pré-produção diz respeito ao modo como o mundo enxerga o Homem de Aço e às consequências de uma batalha com seres superpoderosos no meio de uma cidade. Se você pensa que isso se resume a meia dúzia de carros amassados e uma ou duas paredes de prédio quebradas, esqueça. Perto de Homem de Aço, a briga com os três vilões em Superman II é chuva de pétalas de rosas. Quem reclamou da falta de ação em Superman – O Retorno (2006) terá uma overdose nesse filme. “É o Superman brigando que vocês querem? Então tomem!”, deve ter dito o diretor, quando filmava as cenas.

Pai e filho num papo de homem pra homem (de aço).

Pai e filho num papo de homem pra homem (de aço).

Se isso é positivo pelo lado da ação, por outro lado o filme peca pelo excesso. Há tanta briga, tanta explosão, tanta pirotecnia que chega a forçar a barra. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra, diz o ditado. De qualquer forma, não é algo que prejudique o contexto, principalmente porque o público atual, adepto dos programas MMA, quer mesmo ver porradaria. Nesse sentido, o filme deixa sua lição: “É bom você descobrir que tipo de homem vai se tornar, Clark, pois, seja para o bem ou para o mal, você vai mudar o mundo”, diz Jonathan Kent.

Jimmy é Jenny? Tire suas próprias conclusões.

Jimmy é Jenny? Tire suas próprias conclusões.

A trilha sonora de Hans Zimmer casa perfeitamente com cada cena e cria o clima ideal para mexer com a emoção do público, mas ainda não é heroica o suficiente para o personagem, confirmando o que já tinha dito aqui. O filme também peca por deixar muitos personagens no vácuo – a tão falada “mudança de sexo” de Jimmy Olsen, por exemplo, cuja personagem que o substitui é chamada apenas de Jenny, não deixando claro se ela é ele. Os kryptonianos, em sua maioria, também não são nomeados. A própria Lana Lang só é identificada por aqueles que conhecem a mitologia do herói.

O herói dos heróis

O herói dos heróis

Embora Zack Snyder tenha dito que seu filme não tem nada de quadrinhos, acredito que seja uma jogada de marketing para atrair o público não iniciado. Os leitores vão identificar momentos das HQs, inclusive no clímax da história, onde o Superman tem que tomar uma decisão definitiva contra a ameaça do vilão, provando que ele é muito mais humano que a maioria dos habitantes da Terra. Quem disser que aquilo não é HQ, deveria procurar ler uma boa quantidade de gibis antes de falar bobagem.

Para o alto e avante, Vingad... ops! Liga da Justiça!

Para o alto e avante, Vingad… ops! Liga da Justiça!

Se o Universo DC dependia do sucesso de Homem de Aço para dar continuidade à produção de filmes, os fãs podem comemorar. O novo Superman faz jus ao personagem e o recoloca no patamar de um dos maiores super-heróis de todos os tempos. Também vale dizer que o cordão umbilical foi cortado: Superman: O Filme sempre será inesquecível, mas O Homem de Aço traz um Superman para as novas gerações. O público pode continuar preferindo o milionário de capa preta e hábitos noturnos, mas aquele que tem a verdadeira essência de herói, capaz de sacrifícios supremos, de moral e caráter incorruptíveis ainda é o Superman. Não é à toa que ele tem o símbolo da esperança no peito.

Cotação: blog cotação super

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9 comentários

  1. Muito boa a crítica em primeira pessoa, sim vamos assistir com toda a certeza, mas como sempre em primeira pessoa, foi pessoal a sua provocação os amantes do Morcegão. Lembre-se que o Homem de Aço não existe, ele é uma ficção, enquanto o herói milionário de capa preta e hábitos noturnos, pode estar por aí… no meio de nós… Cuidado.
    Parabéns e se quiser promover um encontro para assistir ao filme estou na fila.

  2. Eu ia ler a crítica antes de assistir o filme, maaass eu esqueci e acabendo lendo depois rs rs Realmente o filme é maravilhoso, gostei das referências que ele faz aos filmes anteriores (inclusive na cena do ônibus =] ) E como sendo sempre vc sempre fazendo críticas sensacionais e captando muito bem a essência do filme. Somente no final achei um pouco meio nosense: se era pra quebrar o pescoço pq ele não fez isso antes? rs rs Tá eu sei, senão o filme acabaria mais cedo =P

    • Hahahaha… essa é uma dúvida recorrente de todos os tipos de filme deeeeeeeeeeeeeeesde os tempos do Ultraman, lá nos anos 1960: se o herói tem um raio ultrasupermegamasterpoderoso, porque não usa logo de cara antes do monstro destruir a cidade inteira? Maaaaaaaaaaaas, como você mesmo disse, se ele fizesse isso logo de cara, o filme acabava. rsrsrs… No caso do Superman, a resposta é outra: ele sempre tenta resolver as coisas sem precisar apelar para a violência. Matar, então, nem pensar (algo que os fãs mais radicais estão criticando horrores por sua atitude, esquecendo-se que ele já matou também nas HQs)! Jamais passou pela cabeça dele quebrar o pescoço do Zod, logo, ele não teria feito isso logo no início. Foi uma alternativa desesperada que ele tomou num momento decisivo. Ou morre o Zod, ou morriam as pessoas. 😉

  3. Olá adorei o filme também. Mas me diga uma coisa alguém saberia dizer em que idioma e qual a tradução das palavras que antecedem a chamada do trailer do filme alguém reparou nisso…Não consegui identificar as letras não é hebraico, não é egípcio, não é grego, não é celta pode ser alguma língua morta. Se alguém souber de uma olhada é intrigante…alguém quis dar um recado…

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