Crítica: Somos Tão Jovens

????????????????????????????Com muita satisfação, nosso blox ganha uma crítica feita por terceiros. O amigo e jornalista Diego Garcia, que é assessor de imprensa e colaborador do site Saraiva Conteúdo e da revista Mundo Estranho, foi conferir o filme Somos Tão Jovens, em cartaz nos cinemas de todo País e, gentilmente, concordou em tecer sua opinião a respeito da produção. Agradeço a disponibilidade e espero contar com sua colaboração em outras oportunidades. Mas chega de lero-lero: Com a palavra… Dom Diego!

Geração Coca-Cola

Geração Coca-Cola

Um dos lançamentos mais esperados do cinema nacional estreou este mês: Somos Tão Jovens, filme que fala sobre o início da maior banda de rock’n roll tupiniquim nos anos 80: a Legião Urbana. Mais focado na história de seu icônico líder, Renato Russo (interpretado por Thiago Mendonça), a película faz um recorte da vida do astro entre os anos de 1976 a 1982, época em que o Brasil vivia seus anos mais negros da ditadura militar. Época também que Renato descobre o punk inglês do grupo Sex Pistols e o sonho de ser um rock star.

Olha, sem as mã-ãos!

Olha, sem as mã-ãos!

Vindo de uma família pacata e conservadora do Rio de Janeiro, Renato se muda para Brasília aos quinze anos. É na capital federal que ele descobre ser portador de uma doença óssea e após uma queda de bicicleta passa seis meses em casa, para se recuperar da colocação de três pinos de platina na bacia. Para enfrentar essa “barra”, o jovem dedicava seu tempo à leitura e à música, dos mais variados estilos, entre eles, o rock’n roll.

O meu destino é ser star

O meu destino é ser star

Já recuperado, ele volta a dar aulas de inglês, idioma no qual era fluente após morar alguns anos em Nova York. Torna-se famoso por ensinar com música e, em um dos intervalos de suas aulas, conhece um professor inglês que lhe apresenta o novo furacão do rock na Inglaterra: a banda punk Sex Pistols. Fascinado pela banda, Renato passa a “devorar” os discos do gênero e decide que é rock o que ele quer fazer.

Retrato de uma geração

Retrato de uma geração

Sempre poeta, já compunha algumas canções nesta época, mas ainda não tinha uma banda. É em uma das festas que costuma frequentar, que conhece Fernando “Fê” Lemos (Bruno Torres), que era baterista, e o sul-africano André Pretorius, o Petrus (Sérgio Dalcin), que tocava guitarra. Estava formada a primeira banda de punk-rock de Brasília – e de Renato: o Aborto Elétrico. Após movimentar os bailes da cidade, o filme mostra – superficialmente – a ascensão de outras bandas como a Plebe Rude e Os Paralamas do Sucesso.

Somos tão jovens... e briguentos!

Somos tão jovens… e briguentos!

Morando no Brasil devido ao pai ser embaixador, Petrus é obrigado pela família a retornar à África para servir ao exército e, assim, termina sua fase no Aborto, dando espaço para o irmão de Fê, Flávio Lemos (Daniel Passi) entrar para a banda. De maneira muito sutil, como quase todos os assuntos fortes no filme, é perceptível o interesse sentimental de Renato por Flávio, que transparece mais a medida que se intensifica a história. Não correspondido, Renato se frustra e passa a ter atitudes que irritam Fê Lemos e gera vários atritos entre os dois, até a banda acabar, por duas vezes.

Só por hoje eu não quero mais chorar

Só por hoje eu não quero mais chorar

É nesta última vez que ele decide que o movimento punk acabou e quer levar seu pensamento aos jovens da nação. Assim, se autointitula “O Trovador Solitário”, título que remete à sua solidão e seus complexos com o espelho (Renato se achava muito feio, chegando inclusive a apelidar a si mesmo de “orangotango”) e passa a se apresentar sozinho com o violão. Mas violão e voz não era rock’n roll. Por isso, ele se junta ao baterista Marcelo Bonfá (Conrado Godoy) e monta a Legião Urbana. Com trocas constantes de guitarristas, eles conhecem Dado Villa-Lobos (interpretado pelo próprio filho, Nicolau Villa-Lobos), que assume as guitarras e eterniza a banda.

Uma menina me ensinou quase tudo o que eu sei.

Uma menina me ensinou quase tudo o que eu sei.

Com um roteiro resumido, o filme frustra aqueles que vão ao cinema em busca de uma biografia de Renato ou da história da banda. A trama é sobre a transformação de Renato Manfredini Júnior em Renato Russo – o Mito. Contudo, mesmo trazendo uma série de curiosidades para o público, o roteiro falha. A forte amizade entre Renato e Ana Cláudia (vivida pela atriz Laila Zaid), tendo dedicando a ela a música Ainda é Cedo, após um período em que ficaram separados; as músicas compostas por ele e que ficaram célebres, como Faroeste Caboclo (que também virou filme e estreia este final de semana) e Que País é Esse? e a personalidade forte, mas ao mesmo tempo, doce de Renato, entre outras coisas, tudo no filme beira a superficialidade.

Perfeição: Thiago canta de verdade no filme

Perfeição: Thiago canta de verdade no filme

A exceção é para a interpretação excelente de alguns atores. Thiago Mendonça está impecável como Renato Russo e, durante o filme, não é difícil confundir os dois, principalmente se levarmos em consideração que é o ator quem está cantando e não uma dublagem da voz de Renato. Laila Zaid, como Ana Cláudia, Marcos Breda, como o Dr. Renato e Bianca Comparato como a irmã de Renato, valem o ingresso. É interessante também ver Nicolau Villa-Lobos interpretando o pai Dado. Por essas e por outras, como a trilha sonora dirigida por Carlos Trilha, tecladista que produziu e tocou nos últimos trabalhos da Legião, inclusive no sombrio A Tempestade e a direção do mestre Antônio Carlos da Fontoura, o filme merece ser visto.

Cotação: blog cotação stj

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1 comentário

  1. É difícil não ficar frustrado ao final do filme pela superficialidade que vários aspectos da vida de Renato Russo foram abordados. Quando você acredita que o filme vai começar, ele simplesmente acaba. Vale o ingresso pela atuação excelente do Thiago Mendonça e pela trilha sonora que trouxe os principais sucessos da Legião Urbana para embalar o fraco roteiro.
    Faroeste Caboclo eu assisti esta semana e achei mais coeso com a proposta de colocar em filme a história do João de Santo Cristo, mesmo com a liberdade poética para adaptar os passos do personagem principal cantados por Renato Russo em linguagem cinematográfica para que o enredo tivesse a agilidade necessária e segurasse a atenção do telespectador, mesmo este já sabendo o final.

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