Panini ressuscita os anos 90

blog abreA Panini, editora que detém os direitos de publicação dos personagens Marvel e DC no Brasil, discretamente e sem qualquer alarde, investe no nicho de leitores saudosistas e lança uma série de encadernados resgatando arcos de histórias publicados nos anos 1990. São histórias fechadas, mas que tiveram relevância na época e hoje são lembradas com saudade pelos leitores mais antigos.

Encadernado do Motoqueiro Fantasma, lançado para aproveitar a onda do filme do herói

Encadernado do Motoqueiro Fantasma, lançado para aproveitar a onda do filme do herói

A editora sempre lançou obras antigas encadernadas – como, por exemplo, a Biblioteca Histórica Marvel, a coleção Os Maiores Clássicos (com vários heróis diferentes), a série Grandes Clássicos DC e outros – mas eram edições pontuais, lançadas como estratégia de marketing para promover alguma comemoração especial (os 75 anos da DC, por exemplo) ou aproveitar a onda em cima do lançamento de algum filme (como a edição especial do Motoqueiro Fantasma que foi lançada no mesmo mês em que o filme estreou nas telonas).

Agora, é diferente: os lançamentos vêm se sucedendo um atrás do outro, sempre com preços atraentes e papel de qualidade, proporcionando uma oportunidade para os leitores antigos relerem o material – talvez até resgatar alguma saga perdida – e mostrar aos novos leitores um pouco do que de melhor as editoras publicaram em anos passados.

HQ inesquecível, que marca uma ótima fase do aracnídeo

HQ inesquecível, que marca uma ótima fase do aracnídeo

A HQ que abriu a leva foi Homem-Aranha – A Morte de Jean DeWolff (172 páginas, R$ 21,90), que compila as edições americanas The Amazing Spider-Man 107 a 110 e 134 a 136. No Brasil, foi publicada nas revistas Homem-Aranha 87, 88 e 102 (Ed. Abril, 1990/1991). A trama, escrita por Peter David e ilustrada por Rick Buckler (107 a 110) e Sal Buscema (134 a 136), mostra a capitã de polícia Jean DeWolff, uma grande aliada do Homem-Aranha na polícia, sendo assassinada pelo Devorador de Pecados. Tomando o caso como pessoal, o aracnídeo passa a caçar o vilão para tentar impedir que ele continue sua lista de assassinatos.

Aranha X Lagarto: HQ que influenciou o filme O Espetacular Homem-Aranha

Aranha X Lagarto: HQ que influenciou o filme O Espetacular Homem-Aranha

No mesmo mês, também chegou às bancas Homem-Aranha: Tormento (132 páginas, R$ 18,90), encadernado que reúne as edições 1 a 5 da revista Spider-Man, novo título do aracnídeo lançada em 1990, que catapultou as vendas do personagem para a marca de mais de dois milhões e meio de exemplares e consolidou a carreira de Todd McFarlane (roteiro e arte). O traço do artista se tornou emblemático, principalmente pela visão que ele imprimiu nas teias do herói, que deixaram de ser apenas uma linha reta para ganhar fluidez e tridimensionalidade. Tormento saiu em uma minissérie em duas partes pela Editora Abril (1992) e foi relançada na coleção Grandes Desafios, publicada em 2007, já pela Panini.

Homem-Aranha do futuro: excelente série que inaugurou um novo universo.

Homem-Aranha do futuro: excelente série que inaugurou um novo universo.

A terceira publicação do Homem-Aranha que chegou às bancas foi buscar a versão futurista do herói. Homem-Aranha 2099 – O Início (244 páginas, R$ 22,90) traz as 10 primeiras edições da revista Spider-Man 2099, que faz parte do universo lançado pela Marvel em 1992. A aventura, escrita por (ele de novo!) Peter David e arte de Rick Leonardi, conta a origem do herói, cuja identidade é Miguel O’Hara, um funcionário da empresa Alchemax, uma empresa de pesquisas biogenéticas. Vítima de uma traição de seus superiores, O’Hara é submetido acidentalmente a um experimento e tem o seu DNA fundido ao de uma aranha, adquirindo superpoderes. Assim, o herói passa a lutar contra a corrupção que se estabeleceu dentro da própria empresa. Foi publicada uma única vez nas revistas Homem-Aranha 2099 de 1 a 7 (Ed. Abril, 1993).

uma visão mais adulta da primeira família da Marvel

uma visão mais adulta da primeira família da Marvel

Além dos encadernados do herói aracnídeo (que, se percebermos, seguem um padrão nas capas: todas com fundo preto e letras vermelhas), a Panini também reedita material que ela própria publicou, tão logo adquiriu os direitos da Marvel no Brasil. Embora sejam posteriores à década de 1990, foram publicadas logo no início dos anos 2000. Dois deles pertencem à linha Marvel Knights, selo que identifica aventuras urbanas e com teor mais adulto: Quarteto Fantástico 1234 (124 páginas, R$ 18,90), de Grant Morrison (roteiros) e Jae Lee (arte) e Hulk: Banner (108 páginas, R$ 17,50) de Brian Azarello (texto) e Richard Corben (desenhos).

Banner é reconhecida como uma das melhores histórias do Hulk

Banner é reconhecida como uma das melhores histórias do Hulk

Quarteto Fantástico 1234 reúne as quatro edições de Fantastic Four: 1234 (2001) e publicada por aqui na extinta revista Paladinos Marvel 1 a 4 (2002). A história mostra os membros do Quarteto Fantástico separados, enfretnando um plano do Dr. Destino para derrotá-los. Completa a edição uma HQ extra de Nick Fury que saiu em Paladinos Marvel 9 e não tem nada a ver com a edição, mas está lá apenas porque a história também foi escrita por Grant Morrison). Já Banner (Startling Stories: Banner 1 a 4, 2001) é uma reedição de Marvel Apresenta 3 (Panini, 2002) e mostra o Dr. Banner querendo dar um fim definitivo à maldição do Hulk, mas o Gigante Verde em seu interior não concorda em ser morto.

Dois doutores e um único destino, bem estranho

Dois doutores e um único destino, bem estranho

O mais recente título a chegar às bancas é Dr. Estranho e Dr. Destino: Triunfo e Tormento (92 páginas, R$ 21,90), publicado anteriormente na quinta edição da série Graphic Marvel (Ed. Abril, 1991) e resgata a inusitada união entre o mestre das artes místicas e o tirano da Latvéria para resgatar a mãe de Victor Von Doom das garras de Mefisto. A HQ tem roteiros de Roger Stern e arte de Mike Mignola (creditado como Michael Mignola), conhecido por seu trabalho com o anti-herói Hellboy.

A última HQ do Superman, antes de Crise nas Infinitas Terras

A última HQ do Superman, antes de Crise nas Infinitas Terras

Pela DC, também chega às bancas Superman: O Que aconteceu ao Homem de Aço (132 páginas, preço não divulgado), de Alan Moore e Curt Swan, compilação das HQs Superman 423 e Action Comics 583 (1986). Ultima HQ do Superman antes da reformulação promovida pela Crise nas Infinitas Terras, mostra Lois Lane narrando os eventos que levaram o Homem de Aço a abandonar sua carreira dez anos antes. O encadernado também traz mais duas HQs escritas por Moore para o Superman: Para o homem que tem tudo (Superman Annual 11, 1985), mostrando Batman, Robin e Mulher-Maravilha tentando salvar o Superman do domínio das plantas parasitas do vilão Mongul e A Linha da Selva, com participação do Monstro do Pântano (DC Comics Presents 85, 1985)

Monstro do Pântano inaugurou o selo Vertigo da DC

Monstro do Pântano inaugurou o selo Vertigo da DC

Falando em Monstro do Pântano, ele é a estrela de Clássicos DC – Monstro do Pântano: Raízes (164 páginas, R$ 19,90), de Len Wein e Bernie Wrightson, que reúne a primeira aparição do personagem em House of Secrets 92 (1971) e as seis primeiras edições de Swamp Thing (1972), que foram publicadas por aqui na revista Estreia Apresenta (Ebal, 1979). Dada a boa aceitação desse material e com a recente crise criativa nos quadrinhos de super-heróis, a publicação de aventuras clássicas em encadernados é uma tendência que parece ter vindo para ficar. E que venham novas séries! Alguém vai reclamar?

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