Crítica: A Morte do Demônio

blog abreO longa-metragem A Morte do Demônio (Evil Dead, 2013), que estreia na próxima sexta, dia 19, em circuito nacional, é um remake do clássico dos anos 80, que teve o mesmo nome nos Estados Unidos (com o acréscimo de um artigo – The Evil Dead), mas que no Brasil ganhou a tradução de Uma Noite Alucinante. Escrito e dirigido por um iniciante Sam Raimi, a primeira versão ganhou ainda duas continuações e consagrou o ator Bruce Campbell no papel de Ash Willians.

passar o fim de semana numa cabana abandonada. Que programa de índio!

passar o fim de semana numa cabana abandonada. Que programa de índio!

Na nova versão, Ash ficou de fora da trama, embora a história seja semelhante. O novo diretor, o uruguaio Fede Alvarez (tão iniciante quanto Raimi era em 1981), escreveu uma nova trama que, embora tenha a mesma premissa, segue por um rumo diferente. Enquanto que o filme anterior mostra cinco jovens indo passar um fim de semana numa cabana no meio da floresta apenas porque isso era comum aos jovens da época, no novo filme, esses jovens se encontram na cabana para ajudar um deles a se isolar do mundo para tentar ficar longe e se recuperar do vício das drogas.

tem uma menina do Exorcista no meu porão

tem uma menina do Exorcista no meu porão

O que estes jovens não esperavam é que naquela casa tinha acontecido, anos antes, uma série de rituais macabros, cujas forças malignas ainda impregnavam o ambiente – o filme começa mostrando a cena do ritual, algo que foi omitido na versão anterior. A situação piora com a descoberta, no porão da cabana, de um livro místico, cuja leitura liberta um demônio e este possui o corpo – adivinhem de quem? – da viciada Mia (Jane Levy). Evidentemente, os amigos acreditam que o comportamento estranho de Mia é motivado pela síndrome de abstinência e não dão atenção a ele.

Adivinhem o que ela vai fazer com essa faca elétrica (Dica: não é churrasco)

Adivinhem o que ela vai fazer com essa faca elétrica (Dica: não é churrasco)

A partir daí começa a sangreira: o espírito maligno começa a possuir todos os outros como se fosse um vírus contagioso e promover um espetáculo macabro. São cenas de vômito explícito, objetos pontiagudos entrando no corpo, membros decepados, jatos e mais jatos de sangue… cenas fortes, tensas e extremamente repugnantes, que nivelaram o filme a ser proibido para menores de 18 anos (até para ver o trailer no You Tube é preciso estar logado e comprovar idade). Enquanto que Uma Noite Alucinante estava mais para o gênero do “terrir”, este A Morte do Demônio causa, não medo, mas mal estar. Afinal, quem poderia se divertir vendo uma pessoa se auto-mutilando com uma faca elétrica?

Eu tenho fator de cura mais poderoso que o Wolverine!

Eu tenho fator de cura mais poderoso que o Wolverine!

O filme tem o mérito de escalar um grupo de atores jovens, bonitos e bastante talentosos na arte da expressão. Sabendo que tudo é uma obra de ficção, a arte da atuação consiste em transmitir aquela mentira como se fosse verdade e isso, os jovens fazem com o olhar, especialmente Jane Levy, como a ex-viciada em crise. Suas expressões variam do desespero à loucura e, depois que é possuída, o olhar malévolo deixa, sim, uma sensação de medo. Bem diferente do canastrão Bruce Campbell, cuja ausência no remake é mais do que sentida.

Jamais pronuncie as palavras deste livro

Jamais pronuncie as palavras deste livro

Porém, o filme exagera – e muito! – nos clichês. É forçar demais a barra uma pessoa levar tiros, facadas, injeção no olho, bater a coluna na privada do banheiro, tomar uma surra de pé de cabra e ainda sair andando. Tudo isso em apenas algumas horas, é bom que se diga. O irmão de Mia, David (Shiloh Fernandez), mesmo depois de ver as coisas que a irmã fez, a própria namorada Natalie (Elizabeth Blackmore) possuída e o melhor amigo Eric (Lou Taylor Pussi) às portas da morte, ainda acredita que a irmã é boazinha e que tudo ficará bem. E o público morre de raiva na cadeira com tanta burrice! Ah, sim… tem também o morto que volta à vida de repente, num momento de calmaria após uma perseguição tensa. Batido demais pra provocar algum susto.

Cartaz original é homenageado no Livro dos Mortos

Cartaz original é homenageado no Livro dos Mortos

O divertido do filme é encontrar as referências: uma página do livro místico com a imagem do cartaz do primeiro longa, a câmera rasteira no chão da floresta, mostrando o ponto de vista do espírito maligno e os créditos finais, com a narração da fita encontrada pelos jovens no porão (fato omitido nesta nova versão, já que ninguém mais costuma fazer gravações sonoras para registrar pesquisas) são alguns deles. Aliás, sobre os créditos finais, vale o alerta: fique na sala para ouvir a citada gravação. Depois dela tem uma cena pós-crédito bem rápida que é uma diversão à parte.

Em resumo, A Morte do Demônio tem muito mais suspense que sua versão original, mas é bem menos agradável de se ver, caso você seja alguém de estômago fraco. O final do filme também é totalmente diferente do filme clássico, o que inviabiliza a desculpa de que você já conhece a história e sabe como ela vai acabar. Neste caso, você não sabe. E, em se tratando de demônios, é preferível não ficar sabendo mesmo.

Cotação: blog cotação evil

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5 comentários

  1. Pior que ver miolos esmigalhados e intestinos para fora é ler uma “crítica” recheada de spoilers. [editado] a minha sogra, entregar de bandeja que o personagem [editado] é de uma estultice atroz.

    Apenas um adendo: Considerar exagero o fato da personagem possuída aguentar surras com pé de cabra e o escambau, é não entender o espírito do filme.

    • Olá, Isadora. Obrigado pelo toque. Falha nossa. Já editamos o texto e retiramos o spoiler. Editamos também o seu comentário pra não entregar o ouro. Inclusive, tiramos o palavrão para manter a conversa num bom nível. Não é moralismo, mas uma pessoa que utiliza “estultice atroz” numa conversa, certamente possui vocabulário muito mais rico sem a necessidade de termos chulos. 😉
      Assumo a falha com relação ao spoiler, mas sou obrigado a discordar com relação a não entender o “espírito do filme”. Você quis dizer que uma pessoa possuída possui “poderes” que a faz recusar a dor e tudo o mais, correto? Não é o caso, mesmo porque isso não acontece com a possuída. Foi exagero mesmo! Abraço e volte sempre!

  2. Gostei do filme, achei que a tecnologia fez muito bem ao cinema, tendo em vista o anterior. Só fiquei chateado com algumas cenas que eram expostas no trailer, e não foram integradas ao filme. 1 arrependimento: Não ter visto a cena pós créditos. Ótima resenha, achei a atuação da Jane Levy muito boa. Parabéns!

    • Lucas, não percebi essas cenas. Apesar que este é um recurso comum. Lembra do filme Robin Hood, O Príncipe dos Ladrões, com Kevin Costner? O trailer mostrava uma flecha voando em “primeira pessoa” e se tornou icônica. Não quero mentir, mas parece-me que a cena originalmente não faria parte do filme, mas fez tanto sucesso no trailer, que acabou integrada na pós-produção. Abraço!

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