Crítica: O Vingador do Futuro

Estreia hoje, em circuito nacional, o longa-metragem O Vingador do Futuro (Total Recall, 2012), remake do filme homônimo lançado em 1990, protagonizado por Arnold Schwarzenegger. A nova versão traz o astro irlandês Colin Farrell no papel do agente secreto que teve memórias implantadas.

Collin Farrell acerta no alvo. Sempre.

O roteiro de ambas versões foi adaptado do conto We Can Remember it for you wholesale (Lembramos você a preço de atacado), do escritor americano Phillip K. Dick. O remake optou por dar mais ênfase na ação e menos na ficção científica, o que não chega a ser um erro, já que o filme mantém o ritmo do começo ao fim, mas fez com que ele perdesse muito do encanto original.

Paisagem do futuro

Tanto no conto de Dick como na primeira versão do filme, a ação principal se passa em Marte. No novo longa, a história se passa na Terra, num período futurista em que uma guerra química tornou o planeta quase todo inabitável. Os únicos locais onde os seres humanos possuem condições de vida são na Federação Unida Britânica (parte da Europa) e na Colônia (região que compreende a Austrália e parte da Ásia). O transporte entre uma região e outra é feito por uma espécie de metrô gigantesco que atravessa o centro da Terra.

São sonhos ou são memórias?

Os habitantes da Colônia são considerados a ralé da sociedade, enquanto que os da FUB são a parte rica, liderados por um político chamado Cohaagen (Bryan Cranston), que defende os cidadãos contra os ataques terroristas de Matthias (Bill Nighy) e seus rebeldes. É nesse contexto que vive Douglas Quaid (Colin Farrell), um pacato operário que vive com sua esposa Lori (Kate Beckinsale) uma vida monótona e rotineira. Todos os dias, Quaid é atormentado pelo mesmo sonho: ele é um agente secreto que tenta fugir de uma instalação repleta de guardas-robôs, mas sempre é recapturado. No entanto, consegue ganhar tempo para que sua parceira Melina (Jessica Biel) consiga fugir. Nesse instante, Quaid desperta.

Lori é uma esposa que lava, passa, cozinha… e mata!

Incomodado pelo que parece ser mais do que apenas um sonho, Quaid procura a Rekall, uma empresa que afirma realizar qualquer tipo de desejo das pessoas por meio de implantes de memória. Lá, ele pede para viver a vida de agente secreto, mas antes que possa fazer qualquer implante, a Rekall é invadida e todos são atacados. A partir daí, as coisas começam a tomar um rumo totalmente novo para Quaid, pois ele passa a ser perseguido até mesmo pela sua esposa sem nem ao menos saber por quê. O resgate pelas suas recordações é o fio condutor da trama, que vai levar Quaid a descobrir que nem tudo é o que parece e que sua vida monótona não passava de uma fachada para algo bem maior.

Cena memorável de 1990 mudou. Mas é lembrada.

Quem viu o primeiro filme com Arnold Schwarzenegger, vai perceber que a cena mais emblemática deste longa – a fuga de Quaid do aeroporto fantasiado como mulher, cujo rosto se abre em “fatias” – recebeu uma homenagem na nova produção, mas foi totalmente modificada – para pior, diga-se de passagem -, tornando-se mais realista e de acordo com as tecnologias atuais. No entanto, a prostituta com três seios permaneceu inalterada.

“Vamos antecipar o ‘Até que a morte nos separe’?”

O papel de Lori ganhou um belo upgrade na interpretação de Kate Beckinsale. A atriz, acostumada a filmes de ação por sua participação na franquia Anjos da Noite, deu muito mais agilidade às cenas de luta do que a insossa Sharon Stone, na primeira versão. O próprio Colin Farrell também não fez feio interpretando o desmemoriado protagonista.

Andar de carro é bom. Mas prefira sempre o lado de dentro.

Ao que parece, o diretor Len Wiseman tentou fazer uma trama mais próxima da realidade. Além da já citada cena da mulher no aeroporto, o fato de  focar a ação no nosso próprio planeta é muito mais palpável hoje do que era há cinquenta anos atrás. No distante ano de 1966, quando o conto de Dick foi escrito, era comum sonhar com viagens a Marte, principalmente se levarmos em conta o contexto histórico da corrida espacial durante a Guerra Fria – só pra lembrar, o homem pisou na Lua em 1969.

Lembrar o passado pode não ser uma boa ideia.

Em 1990, quando o primeiro Vingador do Futuro chegou às telas, essa mentalidade ainda existia. Hoje, já sabemos que o planeta vermelho é inóspito demais para suportar a vida humana. Assim, é bem mais provável a realidade criada por Wiseman – uma guerra química que destrói grande parte do planeta – do que ambientar a ação no espaço sideral. Ponto para o diretor.

Pior que cadeira de dentista

Porém, se a trama está mais bem amarrada e condizente com os nossos dias, a ação exagerada joga por terra todo esse realismo. É tanta explosão, queda, saltos, tiros e afins que, mesmo sendo conivente com a situação de que estamos no cinema e que a fantasia pode correr livremente, é duro engolir que um ser humano consiga sair de tantas situações impossíveis sem nem ao menos despentear o cabelo. Contudo, o filme deve agradar principalmente ao público masculino, que gosta de cenas de luta, tiroteios e, principalmente, da presença de belas mulheres como Kate Bekinsale e Jessica Biel. Mas as mulheres não precisam reclamar, pois Colin Farrel aparece sem camisa em várias cenas, logo no início do longa.

Relançamento em alta-definição

Bom mesmo é ver as duas versões. A Sony está relançando em blu-ray o longa de 1990, aproveitando a chegada do remake aos cinemas, o que permite comparar o trabalho de duas épocas diferentes. Tanto um como o outro trazem uma trama inteligente, cuja lição implícita é que, não importa quem você foi ou o que fez no passado, é o presente que importa e que vai definir quem você é de verdade.

Coletânea inédita no mundo reúne contos de Philip K. Dick

Além disso, a Editora Aleph também aproveita o filme e lança uma obra inédita no mundo inteiro: a coletânea dos contos de Phillip K. Dick, Realidades Adaptadas, incluindo o texto que serviu de roteiro ao longa. O autor, embora não seja tão conhecido como outros no ramo da ficção científica – como Isaac Asimov e H. G. Wells, por exemplo – já teve vários de seus trabalhos adaptados para o cinema, gerando filmes que se tornaram clássicos, como Blade Runner, Minority Report e Screamers entre outros. Com tantas opções, nem é preciso implantar memórias para lembrar sempre deste filme.

Cotação: 

 

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1 comentário

  1. Nossa tio!
    O tio Sergio me mostrou as gatas do filme orginal (Shron Stone e uma gringa hispânica que eu num lembro o nome), mas essa versão não fica atrás com a Kate e a Jessica (au amo as duas… e a Pepper Potts… e a Lois Lane).

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