Homem-Aranha: 50 anos de um mito

Enquanto participava de uma exposição científica, o jovem órfão Peter Parker foi picado por uma aranha contaminada por radiação. Não tardou e o rapaz percebeu que tinha adquirido habilidades semelhantes às do aracnídeo: podia aderir paredes, tinha grande força e um sentido que o previne dos perigos. Deslumbrado com esses poderes, Peter criou para si um uniforme e passou a se exibir em programas de televisão. A arrogância do rapaz teve um preço: ao deixar escapar um criminoso, este mesmo bandido, horas mais tarde, assassinou seu tio. Com isso, o rapaz aprendeu uma importante lição: grandes poderes trazem grandes responsabilidades.

“As pessoas não gostam de aranhas, Stan”. Aham, Cláudia…

Essa história você provavelmente já está cansado de conhecer. E, se você já se cansou de ouvi-la, é porque o Homem-Aranha se tornou, ao longo de todos esses anos, um ícone da cultura pop. Hoje faz exatamente 50 anos que este valoroso herói foi criado, pelas mãos de Stan Lee e Steve Ditko,   e chegou às bancas no dia 10 de agosto de 1962, na capa da revista Amazing Fantasy 15. A publicação, prestes a ser cancelada por baixas vendas, teve seu número derradeiro com a origem do personagem.

O herói estreia em título próprio… que continua até hoje.

Os editores não gostaram da ideia de Lee de associar um super-herói com uma aranha. “As pessoas não gostam de aranhas”, foi a resposta que o escritor recebeu. Como a revista ia ser cancelada, o herói foi meio que “jogado” em suas páginas, sem prejuízo para a Marvel. Ironicamente, a edição foi um sucesso em vendas e a redação recebeu uma enxurrada de cartas pedindo a volta daquele personagem tão carismático. No ano seguinte, o Homem-Aranha ganhou título próprio e nunca mais deixou de ser publicado, tornando-se o mais popular super-herói da editora.

Peter Parker: o herói por trás da máscara

O motivo dessa identificação com os leitores são vários: primeiro, porque Peter Parker era da faixa etária dos leitores. Os heróis criados por Lee anteriormente (Quarteto Fantástico, Hulk e Thor) eram adultos, cientistas, homens feitos. O Homem-Aranha, não: estava no colegial, sofria bullying dos colegas, não tinha sorte com garotas, vivia com os os tios idosos, passava pela experiência do primeiro emprego com um patrão explorador… e tinha super-poderes, a válvula de escape para os jovens leitores, que podiam se enxergar a si mesmos no herói e se imaginar com as mesmas habilidades.

Nada de músculos: o visual franzino se tornou definitivo e identifica o herói.

Outra particularidade do personagem que o diferenciava dos demais era seu porte físico. Embora tivesse força ampliada por seus poderes, Peter era franzino, característica que Lee fez questão de valorizar, substituindo a arte de Jack Kirby, seu parceiro criativo dos outros personagens, por Steve Ditko, que tinha uma arte mais cartunesca. Isso gerou um descontentamento por parte de Kirby, que nunca recebeu os créditos da criação do Homem-Aranha, já que ele desenhou algumas páginas que foram rejeitadas por Lee. Além disso, o desenhista também alega que Lee se inspirou no personagem Silver Spider (Aranha de Prata), criado por ele e Joe Simon, que nunca saiu do papel. Brigas de bastidores à parte, o fato é que a versão de Ditko se tornou definitiva para o herói.

Uma galeria tão grande de vilões merece uma imagem grande, muito grande (clique para ver)

A galeria de vilões do Homem-Aranha também é outro atrativo para as aventuras do herói. Nenhum outro personagem da Marvel tem uma galeria tão extensa e com vilões tão carismáticos. Duende Verde, Dr. Octopus, Homem-Areia, Abutre, Lagarto, Electro, Rei do Crime, Escorpião, Mysterio, Rhino, Kraven, o Caçador e Camaleão são os clássicos. Dos modernos, temos Venom, Duende Macabro, Carnificina, Homem-Hídrico, Halloween e Ameaça entre outros. É… o aracnídeo andou ocupado nesses 50 anos…

Momento marcante: a perda de um grande amor

Foram vários fatos marcantes nesse tempo todo, que ajudaram a consolidar a carreira do herói. Alguns, inesquecíveis, entre os quais as batalhas contra o Duende Verde, a morte do Capitão Stacy, o surgimento de braços extras, a controversa Saga do Clone, o casamento com Mary Jane, a polêmica troca de uniforme e a descoberta que se tratava de um simbionte e, o mais marcante de todos (pelo menos para este que vos escreve): a morte de Gwen Stacy, o grande amor da vida de Peter, no tempo em que morrer nos quadrinhos era algo chocante e dramático. Ainda hoje, a história mantém toda carga emocional de quando foi escrita, há quase 40 anos.

Homem-Aranha, Homem-Aranha, nunca bate, só apanh… ops! A letra não é bem essa…

Evidentemente, tamanho sucesso não poderia ficar apenas nas páginas dos quadrinhos e o herói migrou para outras mídias: em 1967 estreou a primeira série animada do Homem-Aranha, bastante cultuada por sua fidelidade às HQs – muito embora o uniforme só trouxesse as teias desenhadas nas luvas e máscara. Segundo consta, o responsável pelos desenhos se recusou a fazê-las, por dar muito trabalho. Se isso é verdade ou apenas lenda, não importa. O fato é que o desenho é até hoje lembrado pelos fãs e deixou como legado uma trilha sonora inesquecível. Quem não lembra dos versos “Spider-Man, Spider-Man, does whatever a spider can”, que atire a primeira pedra.

Algumas versões animadas do aracnídeo

Depois desse, veio Homem-Aranha (1981), Homem-Aranha e seus Incríveis Amigos (1981), Homem-Aranha Animated Series (1994) – a mais duradoura, com cinco temporadas; Homem-Aranha Ação sem Limites (1999), Homem-Aranha New Animated Series (2003), totalmente feita por computador; O Espetacular Homem-Aranha (2008) e a mais recente, Ultimate Spider-Man (2011).

Homem-Aranha em carne, osso e teias. Ou não.

Em 1977, com a febre de seriados de TV baseados em super-heróis, a Marvel não perdeu a oportunidade e escalou o aracnídeo para estrelar um deles. Infelizmente, não deu muito certo, pela fraca qualidade dos roteiros e, principalmente, por não ter o Aranha enfrentando nenhum dos clássicos vilões dos quadrinhos, mas apenas ladrões de banco mequetrefes. Outro problema é que o herói não se balançava pelos prédios em sua teia, apenas os escalava e corria pelo terraço. Isso se deve pelo baixo orçamento da série, que não permitiu um investimento em efeitos especiais de qualidade.

O herói estreia nos cinemas em (não tão) grande estilo.

Apesar de poucos episódios (14 ao todo, em duas temporadas) e dos defeitos, a série do Homem-Aranha foi muito bem na audiência e chegou até a superar o Incrível Hulk, muito mais amada pelos fãs. Inclusive, o episódio-piloto chegou a ser exibido nos cinemas no Brasil e, meses depois, o episódio duplo The Deadly Dust também chegou às telonas com o título Homem-Aranha volta a atacar. Além desta série americana, a Toei Company (empresa especializada em heróis japoneses como National Kid, Robô Gigante e Jaspion) produziu uma bizarra série protagonizada pelo Homem-Aranha, onde o personagem só tem de idêntico aos quadrinhos o seu uniforme. Ele é um jovem motoqueiro que recebe poderes aracnídeos de um alienígena e tem que defender a terra de outros invasores usando um robô gigante. Surpreendentemente, esse aranha nipônico durou 41 episódios (mais do que o americano).

Olha! Virei gente de verdade!

Mas foi só em 2002 que o aracnídeo ganhou uma adaptação decente nos cinemas, personificado por Tobey Maguire e dirigido pelo competente Sam Raimi. Na história, ele combate seu arqui-inimigo Duende Verde. O filme foi um sucesso nas bilheterias e, dois anos depois, o herói retornava numa aventura melhor ainda: Homem-Aranha 2, na qual enfrenta o Dr. Octopus, brilhantemente interpretado pelo ator Alfred Molina. O tiro de misericórdia veio com Homem-Aranha 3, no qual desentendimentos entre estúdio e diretor resultaram numa aventura fraca e descaracterizada, que revoltou fãs e crítica.

De cara nova, o herói aracnídeo recomeça nas telonas.

A redenção veio este ano, com o reinício da franquia. Em O Espetacular Homem-Aranha, o ator Andrew Garfield deu vida a um Peter Parker mais jovem, mais humano e mais divertido, semelhante ao personagem dos quadrinhos. Outro mérito do filme é a presença de Gwen Stacy como par romântico do personagem remetendo-o às suas origens.

Um mito mundialmente conhecido

Nem vamos mencionar as toneladas de produtos que trazem o Amigão da Vizinhança estampado e vão de brinquedos a vestuário, de utensílios domésticos a material escolar, de colecionáveis a acessórios. Mesmo quem não lê histórias em quadrinhos, certamente identifica o icônico uniforme azul e vermelho, colocando o Homem-Aranha no mesmo patamar de outros ícones da cultura pop como Tarzan, Mickey Mouse, Superman, Sherlock Holmes, Drácula e outros.

Sucesso em qualquer versão

Seja na versão tradicional ou Ultimate, 2099, Noir e qualquer outra que venha a ser feita, o Homem-Aranha mantém seu apelo junto ao público e, apesar dos 50 anos conquistados hoje, continua com o ar jovial de quando foi criado. Prova de que grandes poderes trazem grandes responsabilidades e a consequência é uma grande popularidade. Parabéns, Homem-Aranha!

Nova edição une Amazing Fantasy 15 e Amazing Spider-Man 1 recoloridas.

Em tempo: saiu hoje, nos EUA, uma reedição da revista Amazing Fantasy 15, que reproduz a edição original e a revista Amazing Spider-Man 1, com colorização especial por Jean-Francois Beaulieu. Edição de colecionador. Abaixo, você pode ouvir a inesquecível canção-tema do herói e comemorar esse jubileu de ouro.

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