Crítica: Branca de Neve e o Caçador

Os contos de fada não são mais os mesmos. Prova disso é o novo filme Branca de Neve e o Caçador (Snow White and the Huntsman, 2012), que estreia na próxima sexta, 1º. de junho, em circuito nacional. É a segunda produção deste ano que retrata a clássica personagem, mas,  diferente da colorida produção Espelho, Espelho Meu (Mirror Mirror, 2012) protagonizada por Julia Roberts (Rainha Má) e Lily Collins (Branca de Neve), que estreou em abril, o novo filme é escuro, sombrio e em nada lembra a candura da animação imortalizada por Walt Disney no primeiro desenho animado de longa-metragem da história do cinema.

Existe alguém mais Bella do que eu?

A produção junta uma quase-vampira, um deus mitológico e uma agente secreta assassina para dar vida a um dos mais conhecidos contos de fada escrito pelos Irmãos Grimm no século 18. Mas calma, a história não foi tão radicalmente alterada: estamos falando de Kristen Stewart (a Bella da saga Crepúsculo), Chris Hemsworth (o Thor, de Os Vingadores) e Charlize Theron (a Aeon Flux, do filme homônimo), nos papeis de Branca de Neve, do Caçador e da Rainha Má, respectivamente.

Branca D’Arc Neve

A protagonista também está mais adequada ao século 21: de mocinha indefesa que espera seu príncipe encantado chegar num cavalo branco e se torna a submissa mulher limpadeira da casa dos anões, a Branca de Neve é uma heroica princesa, que sabe se virar muito bem sozinha, pega em espadas e se reveste de uma armadura, incitando o povo oprimido a lutar pela liberdade de seu reino, tomado pela malvada rainha Ravenna. Quase uma Joana D’Arc.

Eu sou má, muito má!

O enredo, porém, é aquele conhecido por todos, que começa com o clássico Era uma vez…: a rainha de um reino distante dá à luz uma menina com “cabelos negros como a noite, lábios vermelhos como o sangue e pele branca como a neve”. Pouco tempo depois, a rainha morre e o rei (Noah Huntley) se casa novamente com uma mulher extremamente vaidosa.

Espelho, espelho meu… por que diabos eu chamo você de “espelho”?

A nova rainha mata o marido, assume o trono e impõe sua tirania ao reino, trancando a própria enteada nas masmorras. Quando o espelho mágico – que, na verdade, nem é um espelho de fato – informa que a jovem, já adulta, é a mais bonita do reino, a invejosa rainha adquire uma obsessão em acabar com a concorrência. Para isso, chama um caçador conhecido em todo reino para matar a jovem. Ou não, porque é nesse ponto que o conto de fadas muda de rumo.

Nascida para reinar

Quando criança, Ravenna recebeu da mãe o dom de se manter sempre linda. Mas a promessa de que “a mais bela começou, a mais bela irá terminar” cria um “contra-feitiço” que a vaidosa mulher faria de tudo para quebrar. Odiando todos os homens, Ravenna passou a usar de sua beleza e de sua magia para subjugá-los e ascender ao poder.

Amiga dos animais

Branca de Neve, por outro lado, era a predestinada a ser aquela que acabaria com as maldades da cruel rainha. Ao contrário do conto tradicional, onde era uma menina comum, esta Branca de Neve também tem poderes mas não tem consciência disso. Sua bondade revitaliza e restaura tudo que o toque maléfico da rainha destroi. O bem e o mal é caracterizado nesta produção como a luz e as trevas.

Hora da caçada

Outra novidade da produção é o destaque dado ao caçador. Destaque esse que – não vamos revelar spoilers – lhe dá um novo status dentro da história. Após subjugar o irmão submisso e afetado da rainha (sim, um novo personagem entrou na trama) Branca de Neve foge e o caçador é chamado para… hã… caçá-la, claro! Porém, o solitário herói simpatiza com a jovem e a ajuda a fugir, defendendo-a do exército da rainha, liderado pelo seu irmão e ajudando-a a chegar até o reino vizinho, onde pode encontrar ajuda para retomar o reino que, por direito, lhe pertence. Ah, sim: e encontrar o príncipe Willian (o insosso Sam Claflin), seu amigo de infância que fugiu quando a rainha tomou o trono.

“Someday my prince will come” uma pinoia! Eu vou é atrás dele!

Sim, Branca de Neve não fica sentada esperando o príncipe chegar. Ela vai atrás dele, ao mesmo tempo em que ele, ao saber que sua amada estava viva, também vai atrás dela. No meio do caminho, estão os oito anões (não, não erramos a conta!), que também não têm nada de fofinhos. São agressivos, muito bem armados e sabem defender o seu espaço na floresta – muito embora tenham muito medo da rainha e seu exército. Os anões são os primeiros a perceberem que aquela mocinha aparentemente indefesa era a única que tinha o poder para acabar com a ameaça de Ravenna e devolver a paz ao reino.

Se me chamar de Gavião Arqueiro, vai levar uma flechada!

Repleto de efeitos especiais muito bem produzidos, o filme bebe em várias fontes e em certos momentos, chega a lembrar O Senhor dos Anéis, com o exército fantasma ou o monstro gigante escondido na floresta.  A aventura não é cansativa, mas por vezes se arrasta demais em determinados momentos e perde a agilidade. A trama, porém, consegue dar uma cara nova à história conhecida e, ao mesmo tempo, se manter fiel ao espírito dos personagens. Charlize Theron está perfeita como a rainha má e consegue encobrir o brilho de todos os personagens – apesar que, para cobrir o brilho de Kristen Stewart não é preciso grande esforço. O filme deveria se chamar A Rainha e o Caçador, porque a história é toda dela.

Eu sou o herói desse filme!

A exceção fica para Chris Hemsworth, que trocou seu martelo por um machado e, como já foi dito, elevou o caçador sem nome a um novo status dentro da história. Hemsworth pode não ser um grande ator, mas o fato de ser um dos protagonistas, já mostra que seu personagem provoca uma grande mudança no roteiro. A única coisa imutável é o conceito de que o bem sempre vence o mal e que a maior beleza vem do interior, tanto faz se você pertence à realeza ou aos plebeus.

Bem que a Eva me avisou que comer maçã era encrenca…

Cotação: 

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