Crítica: Os Vingadores

Cercado de expectativas, chega aos cinemas brasileiros no próximo final de semana – uma semana antes que nos Estados Unidos – o filme Os Vingadores. A primeira vez que o Brasil ouviu falar da equipe, o Capitão América lançava o seu escudo, o Homem de Ferro tirava onda de cientista espacial, o Thor era o “barra limpa” e o Hulk… esse, coitado!… sempre viveu na fossa. Naquela época, a equipe era mostrada com várias formações diferentes, mas ninguém estranhava o fato do Gavião Arqueiro ser o vilão no desenho do Homem de Ferro e aparecer como aliado do Capitão América no outro.

O Cubo Cósmico (ou Tesseract) é a chave para a invasão alienígena.

Hoje, os tempos mudaram e a inocência daqueles desenhos não agradaria o público atual. Tudo precisa ser muito bem explicado e mais focado na realidade. É por isso que o longa da superequipe demorou tanto para chegar às telas. Numa estratégia digna de elogios, a Marvel primeiro preparou o terreno e espalhou sementes de filmes individuais dos personagens, apresentando-os ao público. Agora, pode colher os frutos. Os Vingadores é o filme que todo fã de quadrinhos gostaria de ver nas telas. Repleto de ação, roteiro muito bem amarrado, momentos de humor na medida certa e, claro, batalhas memoráveis.

Quer brigar? Pode vir!

É um gibi na tela: primeiramente os heróis se desentendem e saem no pau uns contra os outros, para depois se unirem contra o inimigo comum. E essas brigas reservam momentos pra lá de empolgantes: tem a batalha entre Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) e Thor (Chris Hemsworth) na floresta, a Viúva Negra (Scarlett Johansson) contra o Hulk (Mark Ruffalo)  no porta-aviões aéreo da Shield (que, por sinal, tem um visual de cair o queixo!), o Hulk contra o Thor no mesmo local e até mesmo uma batalha verbal entre o Capitão América (Chris Evans) e o Homem de Ferro (quem lê quadrinhos sabe que eles sempre tiveram pontos de vista diferentes). Por trás de tudo, claro, está Loki (Tom Hiddleston), manipulando os acontecimentos, como sempre.

Loki está mais cruel e impiedoso do que nunca

Hiddleston está muito mais maléfico neste filme do que no longa do Deus do Trovão. Cansado de viver à sombra do seu meio-irmão Thor, o deus do mal mostra toda sua crueldade e faz de tudo para manter os holofotes sobre si. Causando terror em nosso planeta, ele chama a atenção dos humanos e ajudando a promover a invasão extraterrestre, ele conquista a confiança dos alienígenas.

Eles estão entre nós. E o Homem de Ferro está sozinho!

Os aliens, por sinal, são um segredo guardado a sete chaves pelos produtores e só na tela do cinema é que sua raça é revelada (não, não vou entregar o ouro!). Vale dizer, porém, que não são eles os únicos vilões da história. Há uma outra mente por trás de tudo, que vai surpreender o público – infelizmente, aqueles que não acompanham as HQs não saberão de quem se trata. Portanto, não saiam da sala antes dos créditos, sob a pena de perderem a cereja do bolo.

Cada herói tem sua importância

Ao contrário do que ocorre com filmes de grupos, o roteiro de Os Vingadores distribui bem os papéis e todos têm seu momento para brilhar, dos personagens principais aos secundários – como Maria Hill (Colbie Smulder) e Pepper Potts (uma interpretação graciosa de Gwyneth Paltrow). Quem rouba a cena, como sempre, é Robert Downey Jr. com suas piadas sarcásticas sobre tudo e todos. Mas isso se deve ao talento do ator e não a um roteiro que privilegie mais o seu personagem em detrimento a outro. Todos são importantes para a trama e nada que acontece é gratuito. Até o Gavião Arqueiro, que teoricamente é o menos relevante para a equipe, tem um papel fundamental para o andamento da trama.

"US$ 220 milhões? Só? Pode por na minha conta!"

O investimento para a realização de Os Vingadores foi de US$ 220 milhões, o maior até então nos filmes da Marvel Studios (Homem-Aranha 3 tem valor superior – US$ 258 milhões – mas foi produzido pela Sony). O diretor Joss Whedon aproveitou cada centavo e fez aquilo que já está sendo chamado pela mídia especializada como “o maior filme de super-heróis de todos os tempos”. É a vitória do diretor que foi protelado na realização do filme da Mulher-Maravilha e quase teve sua carreira em Hollywood encerrada após o fracasso do longa Serenity. A diretoria da DC deve estar se remoendo…

A postos para a batalha. E o público delira!

Os momentos finais do longa, com a batalha contra os aliens nas ruas de Nova York são sequências de tirar o fôlego. Com cenas extremamente realistas, que contaram, inclusive, com a participação de 25 membros do Batalhão de Polícia Militar de Ohio, o público verá explosões, carros voando, prédios desabando e naves, muitas naves espaciais, além, é claro, dos heróis mostrando porque são conhecidos como “os maiores heróis da Terra”. Depois de resolver seus problemas de relacionamento, é hora da ação em grupo. Nesse sentido, é o Capitão América a peça fundamental para liderar os heróis, pois possui a visão estratégica de como agir numa guerra e sabe como extrair o melhor de cada um.

"Hulk arrebenta!" Arrebenta?!?!

Só para não dizer que o filme não tem defeitos, há dois deles: a relação do Capitão América com o Homem de Ferro não foi bem resolvida, uma vez que Steve Rogers conheceu o pai do Vingador Dourado e isso é pouco trabalhado na trama. O outro é que não há o grito de guerra Avante, Vingadores!. Uma outra falha não é do filme, mas da companhia que realizou a dublagem: traduziram Ark Reactor como “Reator do Arco” e, o pior de tudo, Hulk Smash como “Hulk arrebenta”. Total falta de conhecimento das produções anteriores e dos personagens!

Peraí, vamos com calma. Os Vingadores foi apenas o começo. Vem mais coisas por aí! Avante!

Por tudo isso, Os Vingadores já entrou na lista das melhores adaptações de super-heróis, juntamente com O Cavaleiro das Trevas, Homem-Aranha 2 e Superman – O Filme. Não é apenas “mais um” filme de super-heróis, é “O” filme de super-heróis, que traz para as telas tudo aquilo que a Marvel traz para os quadrinhos há mais de 50 anos: heróis humanos, que são poderosos, mas que também têm defeitos, problemas de relacionamento e até podem morrer, mas sobretudo, tentam fazer a diferença, apesar das imperfeições. Daqui pra frente, só podemos esperar produções melhores e mais empolgantes. A Nona Arte tem assunto de sobra para render bons temas e boas adaptações. Avante!

Cotação: 

P.S.: Se você quiser ouvir uma crítica em áudio com quatro profissionais da área (eu, inclusive!) discutindo suas impressões sobre o filme, entre no site Antigravidade, clicando no link.

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8 comentários

  1. Pingback: Crítica: OS VINGADORES (em áudio!) « ANTIGRAVIDADE: Cultura Pop e Bom Humor

  2. Tio,
    eu também amo a Lois Lane.
    Anátema! Esses caras da DC puseram ela na cama com outro homem e ainda fizeram o Clark ver.
    Eu sei, eu sei. Desde Smallville esles têm um desejo secreto de destruir ela para a bestona da Lana ser o par do Super. Mas eles não vaõ conseguir, Lois tem fibra própria.

  3. Pingback: Diversão de Quinta #25 – Especial Os Vingadores | pedrow302space

  4. Demorei, mas li. Aqui em Brasília o pessoal tem adorado o filme e queria ver a opinião do expert no assunto das HQ’s. Vou ver o filme, só com a crítica fiquei puta curioso. Não ouvi o áudio, to no trampo. Vejo em casa.

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