Crítica: Ultimate Spider-Man Animated Series

Começou, nos Estados Unidos, a nova temporada de séries e desenhos animados, incluindo a estreia de algumas novidades. Uma delas é o novo desenho do Amigão da Vizinhança, Ultimate Spider-Man, baseado na versão recauchutada do personagem lançada pela Marvel no ano 2000. O episódio de estreia aconteceu no dia 1º. de abril, juntamente com a segunda temporada de Avengers – Earth’s Mightiest Heroes, a animação dos Vingadores no canal Disney XD, como parte do horário dedicado ao Universo Marvel.

Nova animação é baseada no Universo Ultimate

O episódio de estreia, Grandes Poderes, ao contrário do que o nome dá a entender, não traz a origem do herói aracnídeo – muito embora ela seja citada rapidamente em flashback. Os produtores preferiram trabalhar com o conceito que o público já conhece o Homem-Aranha e decidiram já partir para a ação – bem frenética, diga-se de passagem. O desenho já começa com o Aranha se balançando pela cidade e ouvindo uma das inúmeras difamações promovidas por J. Jonah Jameson na TV e exibida nos telões espalhados pela cidade.

Brigando com o Ardiloso, o Aranha destrói a cidade

Nesse meio tempo, o herói se envolve num confronto com o Ardiloso, membro do Quarteto Terrível, e, na batalha que se segue, destrói uma parte da cidade. É quando surge Nick Fury e propõe que o jovem ingresse na S.H.I.E.L.D. para aprender a usar melhor seus poderes e causar menos danos ao patrimônio quando em ação. Ele se tornaria um herói melhor, o Ultimate Spider-Man (Homem-Aranha Supremo ou Definitivo), semelhante a heróis experientes como o Capitão América ou Homem de Ferro. Acostumado a trabalhar sozinho, o rapaz recusa a oferta.

Grandes poderes trazem grandes responsabilidades

Quando o restante do Quarteto Terrível (Mago, Tundra e Garra Sônica) invade a escola onde Peter Parker estuda, em busca do Homem-Aranha, ele percebe que o Ardiloso tinha colocado um transmissor em seu uniforme, dando aos vilões pistas de sua localização. Compreendendo que poderia colocar em risco a vida de seus colegas e das pessoas ao seu redor, o Aranha decide aceitar a proposta de Fury e usufruir de toda tecnologia que a S.H.I.E.L.D. pode oferecer.

Narração descontraída: Peter narra combates anteriores e explica como funciona o Sentido de Aranha

O traço arredondado do desenho difere da animação anterior do aracnídeo (The Spectacular Spider-Man), que usava figuras angulares e de queixo pontudo. É produzido pela Marvel Animation e pela Film Roman, empresa responsável pelo desenho dos Simpsons e também pela nova animação dos Vingadores. O estilo brincalhão e tagarela do Homem-Aranha foi transportado fielmente para o desenho, que narra as próprias aventuras e conversa com o espectador, apresentando fatos e personagens secundários.

Personagens são apresentados no desenho através de “fichas”.

É aí que está a graça, pois quando Peter conversa com o público, o tempo congela para que ele possa apresentar os fatos e sempre tem uma piadinha relacionada, com “fichas técnicas” dos personagens aparecendo e o pensamento do rapaz tomando forma, no melhor estilo “Fantástico Mundo de Bobby”.

O Fantástico Mundo de Peter

Nesse tom “engraçadinho”, Peter fala conta como começou sua amizade com Harry Osborn, explica como conseguiu seus poderes, ensina como funciona seu sentido de aranha e narra sobre sua conturbada relação com Flash Thompson. Como nos filmes da Marvel, o primeiro episódio conta com a participação especial de Stan Lee numa aparição bastante divertida e dublado pelo próprio.

Olha o Sr. Marvel aí, fazendo sua participação especial.

De um modo geral, Ultimate Spider-Man tem todos os ingredientes para agradar crianças, jovens e adultos, que acompanham o herói desde sua criação. É um desenho dinâmico como pedem os tempos atuais, com elementos modernos como celular e Internet, mas sem perder a essência do personagem clássico que aprendemos a amar há 50 anos.

Cotação: 

Saído do Forno: Vingadores Vs. X-Men

Chegou às bancas americanas nesta semana o primeiro número da megassaga Vingadores Vs. X-Men, também chamada pelo singelo pseudônimo de AVX, numa referência ao título original Avengers Vs. X-Men. Nós tivemos acesso ao número de estreia – que, segundo consta, já teve sua primeira tiragem de 200 mil exemplares esgotada um mês antes de ser lançada, num fenômeno semelhante ao que aconteceu com o lançamento do reboot da DC Comics no ano passado.

A Força Fênix chega arrasando em AVX.

Com roteiro de Brian Michael Bendis e desenhos de John Romita Jr., os motivos que levam as duas equipes a se digladiarem é simples. O complicado está nos eventos anteriores que levaram ao combate, resultado de uma intrincada rede de histórias interligadas que aconteceram desde 2004. Vamos tentar fazer um resumão (cortesia do blox para você que está chegando agora e não acompanhou os quadrinhos Marvel na última década e também para você que acompanhou, mas precisa se situar nessa salada “quadrinhesca”):

Vingadores: A Queda (2004) ainda repercute em AVX

Tudo começou com a saga Vingadores: A Queda (2004), que mostrou a Feiticeira Escarlate enlouquecendo e provocando o desmantelamento da equipe de heróis, além das mortes do Visão, do Homem-Formiga e o Gavião Arqueiro. Depois de tudo isso, Magneto resgatou sua filha e a levou a Genosha, o país mutante, para que Charles Xavier a tratasse. Incentivada pelo irmão Mercúrio, a maluqui… hã… a heroína usou seus poderes de alteração da realidade para criar um universo totalmente novo, feito à sua imagem distorcida.

Três palavras e puf!... a Feiticeira criou um problemão.

Ao final da história, os heróis descobrem que estavam sendo manipulados e conseguem devolver a Feiticeira à razão que, ainda perturbada, diz a frase “Chega de Mutantes” e 90% da população mutante perde seus poderes e se tornam pessoas comuns. Desde então, a Feiticeira desapareceu e nunca mais foi vista. Essa história foi publicada na minissérie Dinastia M (2005).

A Esperança é a primeira que nasce.

Aquele que seria o próximo passo da escala evolutiva regride… mas a esperança ainda existe com o nascimento da primeira criança mutante após estes eventos, na saga Complexo de Messias (2008). Dotada de poderes tão incríveis que causaram curto em Cérebro, o computador detector de mutantes criado por Charles Xavier, a criança pode tanto ser a salvadora da raça mutante como ser a causadora de mais destruição. Por isso, ela é levada ao futuro por Cable para ser protegida e treinada. De volta ao presente, com 16 anos de idade, a criança, batizada com o nome Hope (Esperança), passa a morar junto com os X-Men.

Feiticeira Escarlate volta ao Universo Marvel.

Por conta de seu enorme poder, a Força Fênix – entidade cósmica que já possuiu o corpo de Jean Grey – decide usar o corpo de Hope como hospedeira, o que poderia gerar problemas de proporções cataclísmicas. Ao mesmo tempo, a Feiticeira Escarlate é reencontrada por seus filhos Wiccano e Célere, na saga A Cruzada das Crianças (que estreia esse mês na revista Vingadores Especial e que já foi comentado aqui, sob o título A Cruzada da Inocência) e é reinserida no universo dos super-heróis.

Nova saiu meio chamuscado

É nesse ponto que tem início a saga de AVX: os Vingadores interceptam uma nave espacial caindo na terra e encontram Nova, todo queimado e ferido, que balbucia apenas a frase “It’s Coming” (Está chegando). Uma análise de energia residual detecta que o herói foi atacado pela Força Fênix e que a entidade está se dirigindo para a Terra em busca de Hope, para usar como hospedeira.

Quer a garota? Venha buscar...se puder!

Antes que isso aconteça, o Capitão América vai conversar com Ciclope para levar a jovem mutante sob custódia, mas não é tão bem recebido como ele esperava. Os mutantes vão fazer de tudo para proteger a Messias e a sua raça, enquanto que os Vingadores também farão de tudo para proteger a humanidade. Quem vai ganhar essa batalha?

Prólogo de AVX foca em Wanda e Hope, as duas peças chave da saga. Será?

Vale dizer que houve uma edição prólogo, lançada na semana passada, que mostra a Feiticeira Escarlate de volta à ativa combatendo M.O.D.O.C. e reencontrando seus antigos parceiros Vingadores. Em paralelo, Hope desobedece Ciclope e se mete numa batalha contra a Sociedade da Serpente. Esta edição é um indício que as duas personagens são fundamentais para a saga.

Nas asas da Fênix, o destino da humanidade.

Hope já sabemos o motivo: ela é hospedeira da Força Fênix. E a Feiticeira? Provavelmente, seus poderes de alteração de probabilidades farão a diferença na hora do pega pra capar. Será uma batalha entre duas personagens com poderes quase divinos, ambas renascidas das cinzas, numa metáfora que só os quadrinhos podem proporcionar. O fim dessa saga, vamos saber só daqui a seis meses, quando a edição 12 chegar às comic shops americanas. Ou daqui a cerca de um ano, quando essa série chegar ao Brasil.