Crítica: Titanic 3D

Exatos 100 anos após a tragédia real que deu origem ao filme e 15 anos depois de sua exibição original, chega aos cinemas, no dia 13 de abril, em versão tridimensional, o blockbuster Titanic, filme vencedor de 11 Oscars e que encantou multidões no mundo inteiro. Aparentemente, seria bobagem fazer a resenha de um filme que todo mundo já viu (se não no cinema, certamente em DVD ou numa das incontáveis reprises pela TV).

James Cameron reproduziu fielmente o navio original

Saber que se trata de uma produção convertida para o 3D também não é muito animador, uma vez que os filmes que não são gravados diretamente nesta tecnologia e convertidos posteriormente nunca produzem um bom resultado. A situação piora mais ainda levando em consideração que se trata de um filme meloso, com uma trilha sonora enjoativa e – o mais desanimador – com três horas de duração.

Kate, leia aqui: a cláusula do contrato proíbe você de criticar o filme no futuro.

Em se tratando de Titanic, nada disso é relevante. O diretor James Cameron realizou, em 1997, uma produção tão megalomaníaca como o foi o próprio navio, cuja viagem inaugural acabou no pior naufrágio da história. O filme, porém, não naufragou – como muita gente acreditava – e se tornou um sucesso de enormes proporções. O perfeccionismo de Cameron o levou a filmar nos destroços do verdadeiro Titanic, para capturar detalhes que ajudassem na reconstrução dos ambientes e também para dar mais autenticidade às cenas submersas. O resultado foi que o público acaba mergulhando na história – com o perdão do trocadilho – e se envolvendo com o drama dos personagens. As três horas de duração do filme, que seriam um elemento desmotivador, passam num sopro e mal se percebe o tempo.

Uma das cenas mais românticas da história do cinema, agora em 3D

Na nova versão, convertida para o 3D, Cameron conseguiu uma nova façanha. Realizado pela empresa Stereo D, especializada em conversões de 2D para o 3D, a produção transmite uma experiência real de profundidade que, mais uma vez, coloca o público como se fosse parte da história. Para o diretor, a tridimensionalidade não é apenas uma “camada de enfeite sobre as cenas de ação”, mas um elemento capaz de aumentar a carga emocional. Em Titanic, o efeito casa perfeitamente com os cenários do navio, onde os vários níveis de profundidade de cena são explorados. Dessa forma, se antes o público já podia se sentir como parte da história, agora ele pode passear pelo convés do navio com Jack e Rose e viver a experiência de “estar voando”, na mais bela cena da história – só para citar uma delas.

"Nem Deus pode afundar esse navio". Ele não, mas a arrogância humana pode.

O fato de relançarem o filme exatamente quando a tragédia completa seu centenário tem mais um objetivo: fazer as pessoas refletirem sobre até onde os limites da pretensão humana podem nos levar. Ao mesmo tempo em que nos apaixonamos pela história de amor de Jack e Rose e nos emocionamos com a luta pela sobrevivência dos passageiros, também somos levados a pensar que a soberba é o princípio de males maiores, quando um ser humano se acha tão superior a outro a ponto de acreditar ter o direito de ser tratado de forma diferente num momento tão crítico. E, cá pra nós, se estivéssemos lá, será que agiríamos diferente?

Quem é rei, não perde a majestade nem em 3D convertido.

Titanic ganhou 11 Oscars (Filme, efeitos sonoros, edição, montagem, efeitos visuais, trilha sonora, diretor, canção original, fotografia, figurino e direção de arte) e empatou com o até então imbatível Ben-Hur (1959), que vinha mantendo a liderança desde então. A produção faz valer cada um deles e, mesmo 15 anos depois, continua com a jovialidade de sua estreia. Não é à toa que se tornou um dos filmes mais importantes da história. Todo luxo e grandiosidade do navio original, transportado para a tela grande com perfeição e agora convertido para o formato 3D. É, Jack Dawson… você é mesmo o rei do mundo.

Cotação: 

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4 comentários

  1. Pingback: Titanic | Cinema Recife – Traillers e a Programação do Cinema Recife - PE

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