Crítica: John Carter

A estreia mais aguardada do final de semana, sem dúvida, foi John Carter, a mais recente produção da Disney Pictures. O filme não havia me despertado tanto interesse até recentemente, quando descobri que tinha sido baseado numa história em quadrinhos. Ainda assim, o personagem não significou muita coisa até esta semana, quando ouvi o nome de seu criador: ninguém menos que Edgar Rice Burroughs, também criador de um certo homem das selvas chamado Tarzan.

Uma das inúmeras reimpressões da obra de Burroughs

Aí já era demais! Merecia mil chicotadas por ter tratado com tanto desprezo um dos romances mais conhecidos de Burroughs. Só pra corrigir o que foi dito no primeiro parágrafo, o filme, na verdade, não é baseado numa HQ, mas originalmente num romance, que virou quadrinhos anos depois – assim como Tarzan, que também surgiu num livro e foi parar em diversas mídias, incluindo as HQs.

Edgar vai ler a maior de todas as aventuras de seu tio

A história de John Carter baseia-se na obra A Princess of Mars (Uma Princesa de Marte) e começa com a morte do protagonista e a leitura de seu testamento pelo único parente vivo, seu sobrinho Edgar Rice Burroughs (numa homenagem do diretor Andrew Stanton ao autor da série), interpretado pelo jovem Daryl Sabara (Pequenos Espiões). Quando criança, Ned (o apelido como Carter chamava o sobrinho) sempre se encantava com as histórias do tio e, enquanto lê o testamento, o rapaz vai revivendo aquela que é considerada “a mais louca das aventuras” de Carter.

"Símbolos estranhos numa caverna? Ué, será que vim parar no cenário de Smallville?"

John Carter (Taylor Kitsch, o Gambit de X-Men Origens: Wolverine)é apresentado como um ex-capitão do exército americano que lutou com bravura na Guerra Civil (entre 1861 e 1865) e é novamente convocado – na verdade, forçado – a aplacar a tensão entre os apaches e a cavalaria. Enquanto foge de um ataque, Carter entra em uma caverna e encontra um homem misterioso que surgiu na sua frente, num raio de luz. Ao tocar num amuleto que o estranho possuia, é transportado para Barsoon, o quarto planeta do sistema solar, que os terráqueos chamam de Marte.

A princesa e suas aias: vai ter casório.

O planeta encontra-se dividido, com uma guerra entre suas raças de pele avermelhada: os habitantes da cidade de Helium e os Zodangans. Para unificá-las, o rei Tardos (Ciarán Hinds, o Roarke de Motoqueiro Fantasma 2) arranja um casamento entre sua filha, a bela princesa Dejah Thoris (Lynn Collins), e o rei Sab Than (Dominic West), cruel líder de Zodanga. Para Sab Than (que, não por acaso, tem um nome cuja pronúncia assemelha-se a “Satã”) tudo o que importa é dominar e o casamento lhe permitiria assumir a liderança dos dois povos.

Tars Tarkas encontra Carter

Além deles, há também a raça dos Tharks, com pele verde e quatro braços, que prefere se manter neutra nessa guerra. Com a chegada de Carter, porém, a situação muda de figura. Encontrado pelo líder dos Tharks, Tars Tarkas (Willem Dafoe), quando chegou, John Carter é levado para a aldeia e presencia uma batalha aérea entre Heliumites e Zodangans. Graças à gravidade de Marte, Carter pode dar grandes saltos e adquire também certa força física, habilidades que ele usa para salvar a princesa nesta batalha.

Vou dar um pulinho ali em Marte e já volto.

Ao descobrir que Dejah Toris é cientista e que descobriu uma forma de energia azul que tanto pode dar a vitória ao povo de Helium como levá-lo de volta para casa, John Carter parte com ela rumo ao templo que possui as informações para que ele possa retornar. Entretanto, Dejah Toris faz de tudo para convencê-lo a ficar e usar seus “poderes” a favor de seu povo e impedir seu casamento. Claro que um romance surge entre os dois, mas Carter resiste em se envolver, atormentado pelas memórias de sua esposa e filha, que morreram na Guerra Civil.

Qualquer semelhança é mera coincidência. Ou não.

O filme tem batalhas épicas que, respeitadas as devidas proporções, lembram bastante a saga de Star Wars. Com uma bela fotografia, o filme teve grande parte de suas cenas filmadas no deserto de Utah, com locações em Moab, Lake Powell, nas planícies salinas Delta, em Hanksville, o que garante lindíssimas paisagens desérticas e uma ambientação que, realmente, faz o público acreditar que está em outro planeta. A arquitetura das cidades aéreas também são bastante impressionantes e transformam o filme num belo espetáculo visual.

Romance no ar de Barsoom

A trama, porém, é um pouco confusa, principalmente com a grande quantidade de raças e personagens que vão sendo inseridos ao longo das 2h12min de projeção. A situação complica mais ainda quando não fica explicado qual o papel dos Therns, uma espécie de sacerdotes da deusa Issus, divindade da religião barssoniana. Eles iniciam o filme dando a Sab Than um artefato que lhe dá o controle da energia azul, mas também são eles que levam Carter da Terra a Marte e o ajudam, em certos momentos, a lutar contra os Zodangans. Difícil entender de que lado estão e quais são suas motivações.

Woola: o jeito Disney de ser

As cenas violentas contidas no filme não são excessivas ou fora dos padrões mas, em se tratando de um filme da Disney, escrito e dirigido pelo mesmo roteirista de diversos filmes da Pixar (Wall-E, Procurando Nemo, Vida de Inseto, Toy Story 2 e Monstros S.A.), é de causar surpresa que a empresa seja a responsável. Parece que a Disney quer deixar de lado a imagem de produtora de filmes com bichinhos fofinhos – mas tem uma recaída e deixa sua marca em Woola, o animal de estimação marciano de Carter, que é uma mistura de cão, lagarto e sapo. Dá vontade de levar pra casa…

Batalha na arena dos Tharks

John Carter é um ótimo filme de ficção científica, com ação, romance, humor e fantasia muito bem dosados e excelentes efeitos especiais. Talvez um conhecimento prévio dos personagens por meio das HQs e da obra de Burroughs ajude a entender melhor a trama. A impossibilidade de adquirir esse material, no entanto, não inviabiliza a diversão. Os homens vão amar as cenas de ação (a luta na arena é épica, embora olhares mais atentos vão notar um detalhe, digamos, meio falsificado no meio da cena) e as mulheres também vão gostar de ver Taylor Kitsch sem camisa a maior parte do tempo. Mas calma, rapazes: Dejah Thoris também é um colírio! Afinal, ainda é um filme da Disney e belas princesas não podem faltar. Mesmo que seja em outro planeta.

Meninas, essa foto é pra vocês!

Cotação: 

Curiosidades: 

Quadrinhos da Gold Key e da Marvel

A Princess of Mars, romance no qual o filme foi baseado, é a primeira obra de Edgar Rice Burroughs e foi publicado em 1912. Desde 1935 já há planos para transformá-lo em filme, mas somente agora, 100 anos depois, o sonho vira realidade. Porém, em 1964, a Gold Key, lançou a primeira série em quadrinhos do personagem. John Carter of Mars teve três edições e foi publicada entre abril e novembro de 1964. Em 1966, o personagem teve suas histórias publicadas na revista Witzend, que reunia quadrinhos de vários autores.

Minissérie cujo último número coincidiu com a estreia do filme

Em 1977, a Marvel comprou os direitos do personagem e lançou John Carter: Warlord of Mars, com roteiros de grandes feras como Marv Wolfman e Chris Claremont e arte de Gil Kane, Carmine Infantino e outros. Durou 31 edições e mais três anuais, de junho de 1977 a outubro de 1979. Por ocasião do filme, a Marvel lançou, em novembro de 2011, uma minissérie em cinco edições, cuja última edição sai exatamente este mês, quando o filme chega aos cinemas.

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5 comentários

  1. Esse tipo de história em que um homem vai a um planeta e se envolve com seus habitantes e luta com eles, já está um pouco batida. Recentemente vimos isso em Avatar. Mas não me incomodo de ver essa mesma história quando ela é bem contada.
    Gostei muito do filme, mas o inicio do heroísmo e do romance me incomodaram, achei rápido demais.
    PS: Jar Jar Binks tinha que ser parecido com o Woola. O alivio cômico, mas com seriedade quando se é necessário .

  2. Bom, e convenhamos, se a história já existia em forma de livro 100 anos antes, o que veio depois com outros filmes, pode ter servido de inspiração não acham.
    Onde econtro os gibis aqui no Brasil, ou não chegou neste fim de mundo ainda.

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