Dez motivos para amar o primeiro Motoqueiro Fantasma

O filme Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança, ainda em cartaz nos cinemas do País, chegou com a missão de redimir o personagem do fiasco da produção anterior. Infelizmente, além de não ter conseguido (leia a nossa crítica aqui), ainda deixou a impressão que o primeiro filme é infinitamente melhor. Acha que este repórter está delirando? Ok, provamos que não: elencamos a seguir dez motivos que fazem o primeiro Motoqueiro Fantasma (2007), um filme bem legal, baseado em quadrinhos.

O diretor de Demolidor sempre gostou de heróis pegando fogo.

10 – O diretor é Mark Steven Johnson – O diretor não tem muitas obras importantes em seu currículo, mas ele já tinha feito um trabalho bacana em Demolidor – O Homem sem Medo (2003) – que muita gente odiou, mas que não pode ser considerado um fracasso total, já que faturou US$ 178,8 milhões ao redor do mundo, com um custo de U$ 78 milhões. Informações oficiais dão conta de que Johnson foi produtor executivo da segunda aventura, mas tudo leva a crer que ele não apitou muita coisa, porque um filme não tem absolutamente nada a ver com o outro.

Ah, vá fazer careta no inferno, Cage!

9 – Caras e bocas de Nicolas Cage – Que o ator não é lá muito expressivo todo mundo sabe. Porém, é duro ter que aturar as caretas que ele faz durante todo o segundo filme, cada vez que o Motoqueiro se manifesta nele. No primeiro filme isso não acontece – ou acontece com menos intensidade – e assistir o filme é uma experiência bem mais prazerosa.

Cof! Cof! Alguém chame os bombeiros!

8 – Visual limpo – À primeira vista, pareceu uma ideia bacana tornar o visual do Motoqueiro mais “queimado”, dando indicação que ele estava mais “demoníaco” e radical, à semelhança de seu perfil nos quadrinhos. Porém, tudo que é exagerado, incomoda. A fumaceira preta provocada por suas chamas tanto no crânio como na moto causa até mal estar e atrapalha as cenas. No primeiro filme, tudo é muito mais clean e brilhante. E nem por isso o personagem é menos macabro.

Eva Mendes teve função no primeiro filme. Já Violante Placido...

7 – Papel feminino de destaque – Além da beleza de Eva Mendes interpretando Roxanne Simpson, o seu papel tem uma participação muito mais importante para a trama. Tudo bem que a atriz foi mal aproveitada e sua personagem ficou um pouco “sem sal”. Mas pior foi o que fizeram com Violante Placido (Nadya), que interpretou uma personagem sem qualquer relevância para a história, que não serviu nem para um romance com o Motoqueiro. Não faria a mínima falta se ela não existisse na história.

"Droga! Tem uma alface grudada no meu dente!"

6 – Olhar de Penitência – Um dos principais poderes do Motoqueiro Fantasma (que não existia na versão original, mas foi muito bem introduzido em sua versão anos 1990) é o Olhar de Penitência: aquele que encara o olhar do Motoqueiro sente o mesmo mal que infligiu a suas vítimas aumentado milhares de vezes. Segundo Howard Mackie, o responsável pela reformulação do personagem, essa era a forma como ele entendia a experiência de viver no inferno e era perfeita para quem se dizia um “espírito de vingança”. Afinal, que melhor forma de se vingar do que devolvendo ao algoz o mal que ele causou? Esse poder foi muito bem representado na produção de 2007 sendo, inclusive, elemento fundamental para a derrota do vilão no clímax da aventura. Já na nova versão virou uma forma do Motoqueiro se ver refletido no olho da vítima. Como se ele precisasse de espelho…

Cavaleiro e Motoqueiro

5 – Homenagens ao personagem original – Pouca gente sabe, mas existiu nos quadrinhos outro personagem chamado Ghost Rider (o nome em inglês do Motoqueiro). Ele surgiu nos anos 60, num gibi de faroeste e foi conhecido no Brasil pelo nome de Cavaleiro Fantasma. A semelhança de nomes deve-se ao fato do verbo to ride ser mais abrangente e significar montar tanto uma motocicleta quanto uma bicicleta ou até mesmo um cavalo. O Cavaleiro Fantasma teve seus direitos comprados pela Marvel nos anos 1970, teve o nome mudado para Night Rider (Cavaleiro da Noite) a fim de evitar confusão de nomes, mas foi mal utilizado pela editora e caiu no esquecimento. O primeiro filme do Motoqueiro resgata esse personagem de uma forma bem bacana, inserindo-o numa “geração” de fantasmas que cavalga pelo mundo fazendo justiça – nos quadrinhos originais, ele era apenas um cowboy que vestia uma roupa fosforescente. Bela homenagem do diretor.

Duas faces do mal: um cínico e arrogante; o outro, um banana!

4 – Demônio verdadeiramente demoníacoCiarán Hinds estava bem no papel de Roarke, o capetão em uma de suas infinitas identidades. Porém, ainda falta muito para ele alcançar a experiência de Peter Fonda, que interpretou Mephistópheles (ou Mefisto para os íntimos), que aparece com seu jeito sedutor, semeia a discórdia e vai embora sem sujar as mãos. E, principalmente, não tem medo do Motoqueiro, como Roarke tinha. Alguém pode conceber um criador com medo de sua criatura? Cadê o poder do Príncipe das Trevas, que comanda todos os demônios e fica apavorado quando o Motoqueiro aparece?

3 – Ameaça de verdade – No primeiro Motoqueiro Fantasma, ele enfrenta uma verdadeira legião do inferno, com seres poderosíssimos capazes de fazer frente a ele: Abigor (demônio do vento), Wallow (demônio da água) e Gressil (demônio da terra) além do próprio Coração Negro, filho de Mefisto. Na aventura recente, ele só enfrenta serviçais humanos e, mesmo assim, ainda rói um osso, com o perdão do trocadilho. Nem parece o mesmo personagem…

Isso é que é uma moto incrementada!

2 – Apetrechos místicos – O Motoqueiro Fantasma é um personagem sobrenatural, com poderes que vêm do inferno. No primeiro filme, seus apetrechos demonstram bem isso: as correntes que se enrolam sozinhas no seu corpo e a moto que possui vida própria e visual tunado. No segundo filme, o que temos? Uma corrente que não tem nada de diferente das correntes comuns (exceto o fato de aumentar de tamanho) e uma moto derretida. É verdade que isso tornou tudo mais próximo da realidade, mas o Motoqueiro Fantasma é um personagem SOBRENATURAL, só pra lembrar.

Com todos os problemas, o primeiro filme ainda ganha disparado em fidelidade às HQs

1 – Fidelidade aos Quadrinhos – Por tudo que já foi falado, dá pra perceber que o primeiro Motoqueiro Fantasma é uma HQ em live-action. Em outras palavras, é uma história em quadrinhos com personagens reais. É verdade que o personagem foi “suavizado” para conseguir uma classificação que pudesse atingir o público mais jovem e, nos quadrinhos, ele é bem mais hardcore. Porém, em comparação com o novo filme, o primeiro tem mais semelhanças e referências aos quadrinhos. Sem contar que a maior parte do elenco tem sua contraparte nas HQs: Johnny Blaze, Mefisto, Roxanne, Crash Simpson, Coração Negro, Coveiro/Cavaleiro Fantasma… o novo filme tem Blecaute e… hã… o Motoqueiro. (Danny não conta: não sabemos se ele é Danny Ketch ou não.)

Estreia do Motoqueiro Fantasma, em 1973

Como dissemos no abre desta matéria, estas são as razões pelo qual o Motoqueiro Fantasma é um filme bem legal, baseado nos quadrinhos. Legal não quer dizer “espetacular, o melhor já feito no gênero”, mas também não é tão ruim quanto dizem por aí. A bem da verdade, o Motoqueiro Fantasma é um personagem amaldiçoado e essa maldição parece que se estende além dos conceitos criados em 1973, quando Gary Friedrich e Roy Thomas deram vida ao herói macabro. Vender a alma não é um bom negócio, no fim das contas. Em duas tentativas, nem mesmo com a ajuda do ator que já fez Cidade dos Anjos, o herói conseguiu se redimir. Talvez seja exatamente este o problema: não se pode confiar em anjos caídos.

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12 comentários

  1. Discordo em boa parte mas respeito sua opinião. Eu gosto mais do segundo pelos motivos que você citou.. eu vi pelo lado bom. As caretas tornaram a transformação mais pscotica, a fumaça e o design do Motoqueiro ficou menos play 2. Mas seu ponto de vista é interessante. Gosto dos dois. Parabéns,

    • Valeu, Francesco. O bom do cinema é isso: provoca reações diversas, mas independente de qual seja ela, ninguém fica indiferente. Que bom que você gostou do MF2. Porém, acho que dificilmente teremos um terceiro. O faturamento foi bem baixo (quase US$ 100 milhões a menos que o anterior), o que inviabiliza uma nova produção. Porém, nunca se sabe… o Motoqueiro é um personagem interessante, que merece ser bem explorado no cinema.

  2. concordo totalmente com tuuuuudo que vc disse, o primeiro filme é muito mais radical ! eu fui ver o filme no cinema com meu amigo e a primeira coisa q ele disse foi : , cade aquela moto maneira que ele tinha ?….cade as pontas de aço ? enfim…eu gostei do segundo, porque eu adoro o ghost rider, e sempre vou gostar do personagem, mas, falando serio…nenhuma cena vai ser tao épica quanto MEU NOME É LEGIÃÃÃo !!!! muito irado ! mais olha, nao se preucupe. a verdade é que mesmo algumas pessoas dizendo que o segundo é melhor. mais a maioria das pessoas que vai ao cinema nao tem senso critico, e so querem se divertir. eu conheço muitas pessoas assim, e todas elas preferem o primeiro

  3. Nenhum dos 2 filmes são bons, eu sou fã do motoqueiro também. Mas nem por isso vou ficar dizendo que o filme tem qualidades que ele não tem.

    O diretor do filme fez o Demolidor que foi massacrado pela critica, até o Stan Lee reclamou publicamente.

    Além disso teve a coragem de produzir o filme da Elektra, outra bomba. O problema desde o início desta historia foi o produtor Avi Arad, que indicou este diretor Mark Steve para o projeto. O cara é ruim de direção demais e depois desses filmes o cara só conseguiu fazer comédia romântica, não há mais nada a dizer sobre esse cidadão.

    Os 2 filmes são ruins porque as pessoas envolvidas na produção não são competentes para fazer filmes com o teor mais sério que o motoqueiro necessita.
    Outro problema é o estúdio, A Sony (Columbia), quer colocar os filmes do motoqueiro com indicação +13. Como se o motoqueiro fosse o homem-aranha, amigão da vizinhança. Pô fala sério né.
    O cara tem um demônio no corpo, e sai matando meio mundo. tenha dó !!

    Para mim (isso é a minha opinião, favor respeitar) o filme tinha que ser um lance meio Mad Max, tudo ou nada. Sem esse negocio de ficar ouvindo “Carpenters” e comendo “Jujubas” o lance é matar ou morrer sem esse negócio de ficar fazendo careta o filme inteiro.

    Eu gosto muito do Nicolas Cage, mas nesses filmes, principalmente no 2º o cara ta péssimo. Ligou o piloto automático e foi embora, um lixo, fica gritando e fazendo careta sem parar. Putz.

    Enfim, é isso espero que respeitem minha opinião, assim como eu respeito a opinião de todos que comentaram aqui, um abraço a todos e….Fui!

  4. Tenho em DVD os dois filmes e há tanto no primeiro quanto no segundo elementos bons e ruins. O primeiro me agradou pelos figurinos e adereços. A moto é muito melhor, a jaqueta, as correntes, um visual mais claro. O segundo pela ação mais forte, bem caracterizada. Mas uma cena deveria ser editada cortada e esquecida. A cena q o motoqueiro aparece pela primeira vez. Que ridicula aquela “dança”. Misto de Backstreet Boys com Calypso.

  5. Os filmes do motoqueiro decepcionaram, isso é um fato, o personagem possui uma força descomunal… se pegar na história das HQs, ele é um dos mais fortes da marvel, ele enfrenta o próprio inferno, ja peitou o hulk pau a pau, lutou o e venceu o próprio Dr. estranho, nem vingadores ou x-men conseguiram dar cabo do motoca, e isso esta relatado, até pq ele é um anjo caído, enfim ele merecia um filme a altura, existe a HQ que ele enfrenta o Zadkiel, esse daria um excelente filme, ou seja, é só vilão punk, de qualquer forma o primeiro filme retrata melhor o personagem, mas ainda esta muito longe do que realmente deveria ser, infelizmente!

  6. O primeiro filme lembra muito as HQs, já o segundo passa longe em qualidade. Fiquei decepcionado, mas espero um terceiro filme e dessa vez que façam seguindo como uma sequencia do arco do “ceu em chamas”. Mas a produção e direção do primeiro filme deve voltar!!!

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