Crítica: Poder sem Limites

A convite da Fox Film, o blox O X da Questão participou de uma cabine de imprensa do filme Poder Sem Limites (Chronicle, no original), produção que estreia na próxima sexta-feira (2 de março) em circuito nacional. Narrado em primeira pessoa (estilo consagrado após o terror A Bruxa de Blair, no qual a câmera é um personagem da história e representa o ponto de vista do público), o filme mostra um grupo de adolescentes – Andrew, Matt e Steve – aprendendo a conviver com misteriosos poderes telecinéticos que eles adquirem após encontrar um meteorito alienígena.

Sorria, você está sendo filmado

A história é focada na vida de Andrew (Dane DeHaan), um rapaz comum e impopular no colégio, cuja mãe vive acamada e sob efeitos de remédios e o pai é um bombeiro aposentado e alcoólatra. Frustrado por ter sido obrigado a deixar o emprego após um acidente e viver com uma renda que mal dá para pagar os caríssimos remédios que mantêm sua esposa viva, o pai de Andrew desconta no garoto sua má sorte. Por causa disso, o jovem vive fechado em seu mundo particular e, entre uma surra e outra, encontra um passatempo ao adquirir uma filmadora de segunda mão.

Três amigos com uma história em comum.

O filme começa no momento em que Andrew liga sua câmera e começa a fazer um documentário de sua vida particular, levando seu novo brinquedo onde quer que vá. Seu único amigo é o primo Matt (Alex Russell), com quem costuma sair para o colégio e para algumas festas. Num desses raros momentos de lazer, Andrew conhece Steve (Michael B. Jordan), o aluno mais popular da escola que o convida para filmar uma gruta que ele e Matt encontraram e da qual provem um ruído estranho. Ao explorar a gruta, o trio encontra um meteorito que pulsa e muda de cor quando se aproximam. A câmera sofre uma interferência e desliga. A partir daí, os jovens percebem que adquiriram poderes telecinéticos e começam a usar essas habilidades para se divertir.

Ótimo lugar para se fazer um lanchinho

Quanto mais usam os poderes, mais suas habilidades se aperfeiçoam. Aos poucos, os rapazes percebem que podem levitar coisas, criar barreiras invisíveis ao redor de si mesmos e evitar que se machuquem e até mesmo voar. Com o tempo, o que parecia ser apenas uma brincadeira juvenil acaba saindo do controle e os jovens terão que arcar com as consequências de seus atos. As personalidades de cada jovem vem à tona no modo como cada um lida com suas responsabilidades, a exemplo do que acontece na vida real. No entanto, o fato de serem jovens e inexperientes e estarem lidando com algo totalmente novo é que faz a situação ser preocupante e, por que não dizer, catastrófica.

Alguém precisa levar umas palmadas

O diretor Josh Trank mostra, com muito realismo, a questão do deslumbramento juvenil ao lidar com uma novidade extraordinária. Diferente do que vemos nas histórias em quadrinhos, quem é que resistiria a usar uma visão de raios-X para olhar as garotas nuas no vestiário? Quem é que, se tivesse uma força descomunal, sairia para caçar bandidos ao invés de dar uma surra no valentão do colégio? Ou deixaria de exibir suas habilidades num festival de talentos para conquistar popularidade e simpatia dos colegas?

Teste de cena para o próximo filme dos X-Men

O filme faz referência a várias produções de super-heróis como X-Men (quando um dos garotos tem seu “momento Magneto”, imaginando a si mesmo como o próximo passo da evolução da humanidade e, portanto, um ser superior que deve ser o “predador” dos outros), o Incrível Hulk (quando a raiva reprimida de tantas surras coloca pra fora um “monstro” destrutivo e irracional) e até mesmo uma luta no centro da cidade que lembra bastante o confronto final do Superman com o General Zod em Superman II (alguns puristas poderão considerar esta declaração uma heresia, mas é apenas uma sensação que este repórter teve durante a exibição do filme). Além, é claro, da ideia implícita de que “grandes poderes trazem grandes responsabilidades”, lema clássico do Homem-Aranha.

Acho que as coisas fugiram um pouquinho do controle...

Se tudo isso foi proposital ou se trata apenas de um delírio nerd deste crítico acostumado a ler quadrinhos desde a mais tenra idade, não dá pra saber. Mas é certo que Poder Sem Limites foi criado para mexer com a sensibilidade de quem está vendo. O fato de ser narrado sob o ponto de vista do câmera já coloca o espectador como parte da história. Isso sim é proposital: o diretor quis que o público pensasse “e se fosse comigo? Será que eu faria diferente?” Em seu primeiro trabalho, Trank conseguiu transportar para as telas com perfeição os dramas vividos pelos jovens: a relação conflituosa com os pais, o desejo de liberdade, bullying, perda da virgindade, mudanças de personalidade e a transformação do menino em homem. Temas pelos quais todo mundo já passou e, por isso mesmo, também são motivos para que o espectador se enxergue como parte da trama.

Ei, esse ônibus não está um pouco fora do itinerário, não?

Exatamente por se prender nessa narrativa realista, a ação demora bastante para engatar. É só na última meia-hora que o enredo sofre uma reviravolta e a situação complica pra valer. Mas essa última meia-hora de filme compensa toda a demora e prova que a lentidão teve uma razão de ser. Afinal, é preciso criar o clima, mostrar que é fácil julgar atitudes erradas e irresponsáveis quando não vivemos todo o contexto da história. Difícil mesmo é estar na pele de quem errou e fazer diferente. Poder Sem Limites é uma crônica da vida que merece ser visto. Não é um filme espetacular, mas certamente você não vai sair do cinema sendo a mesma pessoa.

Cotação: 

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