Superman em histórias “pé no chão”

Estreou em novembro de 2011, na revista do Superman publicada pela Panini, a saga Solo (Grounded, no original), escrita por J. Michael Straczynski, conhecido por “pilotar” durante muitos anos o título de um certo cabeça-de-teia da editora concorrente. Como não coleciono os títulos da DC (exceção feita a Lanterna Verde), deixei passar essas edições, erro que foi corrigido durante as férias, quando visitei algumas lojas de quadrinhos no Rio de Janeiro com o amigo Gabriel Guimarães (do site Quadrinhos para Quem Gosta) e pude adquirir os números antigos. Só aí percebi o que estava perdendo.

Fase ruim culminou numa guerra de supers

A história vem depois de uma fase extremamente ruim, na qual Brainiac libertou milhares de kandorianos que estavam miniaturizados em sua nave e infestou a Terra com vários super-homens e supermulheres. O medo e a rejeição do povo terrestre fez com que eles criassem um novo planeta na posição oposta ao nosso, na órbita do sol e fossem morar lá. O próprio Superman abandonou a Terra e foi com seus compatriotas para Novo Krypton, onde se tornou um líder militar, juntamente com o General Zod. Não tardou para que Zod e seus seguidores arrumassem um ardil para dominar e deflagrassem a Guerra dos Supermen, fazendo com que Novo Krypton fosse destruído e tudo voltasse como era antes.

Homem de Ferro, não! De aço!

Straczynski assumiu o título do Homem de Aço com a tarefa de resgatar o herói desta má fase. E começou em alto estilo: a saga Solo começa com o retorno do Superman à Terra e, logo de cara, o herói leva uma bofetada de uma mulher, que reclama de sua ausência enquanto o marido dela morria de câncer. Segundo ela, o herói, com sua visão de raios X, poderia identificar a doença e fazer algo mais pelas pessoas comuns, ao invés de se meter em batalhas intergalácticas.

Voar é para os pássaros.

Embora não tenha sentido o tapa no rosto, as palavras da mulher penetraram fundo na alma do herói, que entrou em conflito consigo mesmo e com seus valores. Assim, ele iniciou uma jornada solitária pelos Estados Unidos de uma forma pra lá de incomum: caminhando. Enquanto está com os pés no chão, o Homem de Aço tem contato com a realidade do povo americano e ajuda a resolver questões cotidianas como violência doméstica, bullying, tráfico de drogas e outros.

Problemas cotidianos estão fora do alcance do Superman. Mas e do nosso?

A grande sacada da história está na humanização do personagem, que de um ser quase onipotente, passa a enxergar a vida do ponto de vista dos seres “comuns”. Straczynski resgata a inspiração que o Homem de Aço provoca nas pessoas e coloca em discussão o papel do ser humano comum que, mesmo sem poderes especiais pode fazer a diferença nos assuntos corriqueiros.

Lanterna Verde também teve uma fase peregrinando pelo país

Impossível não se lembrar da clássica fase do Lanterna Verde e Arqueiro Verde de Denny O’Neal e Neal Adams nos anos 1970. Outra relação é com o álbum Paz na Terra, de Alex Ross, no qual o Homem de Aço acredita que pode fazer mais pela humanidade e ajuda a acabar com a fome no planeta – pelo menos, ele tenta. Uma prova de que nada se cria e boas ideias podem e merecem ser recicladas, desde que bem escritas.

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