Top 10 – O Melhor dos Quadrinhos em 2011

Cá estamos nós para mais um Top 10, desta vez com os melhores dos quadrinhos. Como na lista de cinema, a impossibilidade (leia-se falta de tempo e, principalmente, de dinheiro) de ler tudo que saiu de bom, fez com que os escolhidos se mantivessem no tradicional das bancas, mas é fato que as livrarias receberam muitos quadrinhos bons, o que mostra que as editoras estão investindo outros canais de distribuição e provando que quadrinhos não é coisa de criança. Mas vamos à nossa lista:

A volta dos que não foram como deveriam ter ido

10 – A Saga do Clone – Versão definitiva – A revista é de 2010, mas os atrasos editoriais fizeram com que ela só saísse em janeiro deste ano, por isso, ela entrou nesta lista. Merece uma menção por ter mostrado a história mais bizarra do Homem-Aranha (na época, claro. Comparada com Um Dia a Mais, esta saga é fichinha) da forma como ela foi concebida originalmente. Para quem não sabe, a Saga do Clone foi uma história publicada nos anos 90 que começou bem, mas a quantidade de mãos cuidando da trama fez com que ela se tornasse um emaranhado tão grande que os editores não sabiam mais como destrinchar. Se estendeu por uma centena de títulos, durou mais de dois anos e revoltou fãs do mundo inteiro, que querem esquecer que ela existiu. Nesta versão, com apenas seis capítulos, o roteirista Tom DeFalco resolve a questão. Rápido, claro e – o mais importante – com uma boa história.

O fim do reinado sombrio de Norman Osborn

9 – O Cerco – É fato que as megassagas da Marvel e da DC já cansaram. Todo ano, eles inventam de criar “a história que vai remodelar o universo” e estendem essas histórias para vários títulos. Sabemos que se trata apenas de estratégia comercial, para vender títulos que não têm tanto apelo junto ao público (quem compraria a revista da Miss Marvel se ela não tivesse relação com as sagas?) e já ficamos com um pé atrás quando essas histórias são anunciadas. Mas o fato é que O Cerco é muito bom. Encerra a fase Reinado Sombrio, na qual Norman Osborn derrotou os heróis e assumiu o poder nos Estados Unidos, tornando-se o mais poderoso cidadão americano. Incitado pelo deus das trapaças, Loki, Osborn empreende um ataque a Asgard, destruindo a Cidade Dourada e atraindo a atenção dos Vingadores, que resolvem por um fim à tirania do vilão. O final decepciona, mas no contexto geral, a história é bacana. E o melhor: é curta (teve quatro edições + dois especiais).

Ele voltou às bancas para lutar pela liberdade

8 – Capitão América & os Vingadores Secretos – No embalo do filme do Sentinela da Liberdade, ele ganhou um novo título nas bancas, depois de 14 anos sem uma revista própria. O melhor de tudo é que a revista traz uma excelente fase do herói, com roteiros de Ed Brubacker e Bucky na identidade do Capitão (do título Captain America), a fundação dos Vingadores Secretos (Cavaleiro da Lua, Homem-Formiga, Valquíria, Viúva Negra, Fera, Nova e o próprio Steve Rogers, que assumiu a identidade de Super Soldado) para missões secretas do Governo. O único porém é sermos obrigados a engolir os Guerreiros Secretos, equipe de Nick Fury, com péssimas histórias e totalmente dispensáveis. De qualquer forma, o Capitão América é um ícone e merece ter seu próprio título nas bancas.

Quatro edições imperdíveis

7 – Avante, Vingadores! – Revista bimestral da Panini, aproveitou o sucesso do Thor e Capitão América nas telonas para trazer excelentes sagas completas destes dois heróis ao longo do ano. Em abril, O Primeiro Trovão renovou a origem de Thor com histórias que faziam referência às suas primeiras aventuras, publicadas em Journey in to the Mistery. Um review para os novos tempos, mas com o devido respeito ao personagem. A edição seguinte trouxe Avengers Prime, com os três principais Vingadores – Thor, Capitão América e Homem de Ferro – tentando salvar os nove mundos das mãos de Hela, a deusa da morte. As duas próximas edições foram totalmente dedicadas ao Capitão América. Steve Rogers, o Super Soldado, traz o herói descobrindo que o soro do supersoldado está sendo refeito e pode ser usado de forma indiscriminada. Já em Teatro de Guerra, o Capitão América participa, desde a Segunda Guerra Mundial, passando pela Guerra do Golfo e a Guerra do Iraque, motivando e servindo de símbolo para os soldados. Estes últimos é que são os verdadeiros heróis das histórias.

Origem recontada

6 – Lanterna Verde – Origem Secreta – Geoff Johns é o roteirista que trouxe o Lanterna Verde de volta ao seu lugar no primeiro escalão de heróis da DC. Esta história reconta sua origem e serviu de base para o roteiro do filme do herói, mas ficou a léguas de distância da HQ. Já havia sido publicada no título regular do Lanterna Verde da Panini, mas esta edição traz capa dura, papel couché e preço bem acessível. Como deixar passar?

A batalha do século XX

5 – Superman Vs. Muhammad Ali – Outro encadernado especial nas mesmas condições: capa dura, preço atrativo e papel de qualidade. Este, porém, tem uma característica a mais: trata-se de um clássico, publicado no distante ano de 1978 (no Brasil, saiu pela Ebal) que reúne dois mitos americanos, um dos quadrinhos e outro da vida real. Muhammad Ali foi um lutador de boxe tão famoso quanto hoje é Anderson Silva e outros do MMA. Colocá-lo lutando contra o invulnerável Superman é algo que só a mente de Denny O’Neil e a arte de Neal Adams poderia conceber. Uma história inocente até, como eram naqueles anos de prata, mas exatamente por isso, um crossover imperdível. Um show à parte é identificar as 172 personalidades que estão na plateia, assistindo a luta. Até o Pelé aparece! Leitura simplesmente obrigatória que vem numa época oportuna, em que o esporte está no auge.

Turma da Mônica na visão de outros artistas

4 – MSP Novos 50 – Edição especial em comemoração aos 50 anos de carreira de Mauricio de Sousa, é a terceira edição que começou com MSP 50 e seguiu com MSP+50. Sob o ponto de vista artístico, é o melhor das três álbuns, pois traz a visão de Mike Deodato, Ed Benes, Adão Iturrusgarai e Felipe Massafera entre outros artistas de renome, para a turma mais amada dos quadrinhos nacionais. Uma merecida homenagem ao mestre incansável que, a cada dia, com pique renovado, brinda seus leitores com alguma novidade. A trilogia de livros teve tanta repercussão que deu origem a uma nova série para 2012: Graphic MSP. Vem coisa (muito) boa por aí.

O beijo mais famoso dos gibis

3 – Turma da Mônica Jovem 34 – Não tem como esta edição de TMJ ficar de fora da lista. Impossível ignorar o tremendo barulho que uma única edição fez na mídia na época do seu lançamento, tanto que teve a data de distribuição antecipada e já saiu com tiragem inicial de 500 mil exemplares e chegou a superar as vendas de Justice League 1, que marcou o reboot da DC Comics nos EUA. Precisa explicar mais? Precisa: esta edição teve todo esse boom de vendas porque trouxe o início do namoro entre a Mônica e o Cebolinha.

Um retorno mais que bem vindo

2 – Luluzinha/Bolinha – Um presente para os leitores foi o retorno às bancas, neste ano, das revistas da Luluzinha e Bolinha clássicos pela Pixel. A editora já publicava, há algum tempo, Luluzinha Teen e, desde março, adquiriu os direitos da personagem clássica, trazendo de volta as eternas brigas entre meninos e meninas, as brincadeiras inocentes e aquela ingenuidade que nos remetem à nossa própria infância. Além dos títulos regulares, várias edições especiais também chegaram às bancas, resgatando um material delicioso de ler e de guardar.

A história recontada de forma divertida

1 – Pateta Faz História – Uma coleção caprichada, lombada quadrada, capa envernizada, em 20 volumes, trazendo o Pateta em divertidíssimas encarnações dos mais importantes personagens da história e da literatura. Cada edição trazia duas aventuras, uma republicada e uma inédita no Brasil. Detalhe importante: uma coletânea assim só existe na Alemanha, e agora no Brasil. Uma delícia de ler e de colecionar, com edições novas a cada semana. Sem dúvida, é o melhor lançamento do ano.

HQ Mico

O ano também reservou grandes micos para os quadrinhos. Separei dois deles:

O título continua o mesmo, mas o conteúdo... quanta diferença!

Grandes Heróis Marvel – a volta de um grande título, que marcou época pela Editora Abril, só é grande mesmo no nome. A Panini transformou a revista numa extensão da revista dos X-Men, uma válvula de escape para adiantar a cronologia dos mutantes e lançar as histórias que não caberiam nos títulos de linha. Sob a premissa de publicar grandes sagas, a revista só trouxe histórias mornas e insossas. Bons tempos da Abril, quando GHM trazia a cada número, um personagem diferente, com a conclusão de grandes sagas e publicava tramas memoráveis e inesquecíveis. Da Panini, será que vamos lembrar dessas aventuras daqui a alguns anos?

Momento de insanidade

Deadpool – Por quê, em nome de Stan Lee, a Panini foi lançar um título com esse personagem mequetrefe, meu Deus?? POR QUÊ???? POR QUÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ?

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2 comentários

  1. Companheiros, algumas considerações:

    1 – Curti bastante o mix de Capitão América e os Vingadores Secretos. E, ao contrário do que foi escrito, as história de Nick Fury e seus Guerreiros Secretos são bem interessantes, sim. O autor, Jonathan Hickman, está utilizando alguns conceitos lááá de trás (os Howling Commandos do Nick Fury, os colegas de luta do Capitão América da época da 2ª Guerra) e misturando com os guerreiros secretos atuais (esses sim, um bando de personagens dispensáveis). Acho esse resgate de personagens e episódios muito interessante – e é algo que só engrandece o enredo da série – e vale a pena pesquisar, por exemplo, sobre histórias publicadas na década de 70 e que tinham personagens como Dino Manelli e Izzy Cohen. Acompanho a Marvel e acho que CA & VS terá uma longa vida: o mix é composto de séries boas, com ganchos bacanas e abordagens distintas. No more mutantes, please.

    2 – Apesar de não estar gostando muito da atual fase dos mutantes, comecei a ler recentemente as histórias do Deadpool e elas são hilárias e engraçadíssimas. Acho que elas estão há anos luz na frente das séries x mais costumeiras em termos de diversão, descompromisso e absurdices. Hoje, tenho curtido somente as histórias do mercenário tagarela e do X-Factor, com o sempre competente Peter David. O resto é só bocejos….

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