Crítica: Não tenha medo do escuro

Lembra da história da fada dos dentes, que trocava sues dentes de leite deixados debaixo do travesseiro por uma moeda? Na visão de Guillermo del Toro essas criaturas não são assim tão simpáticas e generosas. O filme Não tenha medo do Escuro (Don’t be afraid of the Dark), que estreia no dia 14 de outubro nos cinemas de todo País traz uma versão mais assustadora destes seres dos quais todos já ouvimos falar, mas quase ninguém pensou em personificar.

Sally é uma garota solitária que vai encontrar "amigos" na mansão

A pequena Sally (Bailee Madison) chega à cidade para morar com o pai Alex (Guy Pearce) e sua nova namorada Kim (Katie Holmes) num casarão do século XIX que eles compraram há pouco tempo. O que o casal não sabe é que o filho do antigo proprietário havia desaparecido no local, sequestrado por criaturas misteriosas que se alimentam de dentes de crianças e seu pai também acabou desaparecendo pouco depois. Com a chegada de Sally, as criaturas usam a antipatia da garota pela futura madrasta e a hostilidade do pai como uma forma de atraí-la para “brincar”, antes de revelar suas verdadeiras intenções.

Tem alguém embaixo do meu lençol...

Até chegar esse momento, porém, o filme se estende numa longa narrativa: mostra a chegada da garota, o relacionamento conturbado com a futura madrasta, a descoberta do porão da casa, onde os monstros estavam presos, e a curiosidade da menina, que imagina encontrar novos amigos que só falam com ela. Não chega a cansar, mas nos faz pensar que o filme foi classificado como “terror” erroneamente. Depois das peças colocadas, a tensão vai crescendo, principalmente porque a garota liberta as criaturas e estas passam a circular livremente pela casa e podem estar escondidas onde menos se espera, sempre nos cantos escuros, pois elas não gostam de luz. A sensação é de estar numa casa infestada de ratos que passeiam pelos cantos sem você saber exatamente de onde eles vêm.

Parece Psicose, mas não é. Sally vai ser atacada no banho.

O filme foi dirigido pelo estreante Troy Nixey, mas tem roteiro do veterano Guillermo del Toro (Hellboy, O Labirinto de Fauno) que também atuou como produtor (como curiosidade, ele também faz a voz de uma das criaturas). Quem viu O Labirinto de Fauno vai notar certa semelhança no jogo de câmeras, que percorrem todos os cantos da imensa casa, cheia de passagens, corredores escuros e respiradouros, além do jardim ao redor da mansão, que também se parece com um labirinto.

Faltou química no casal

O filme tem bons sustos e a pequena Bailee Madison tem carisma suficiente para roubar todas as cenas, ao contrário do casal formado por Guy Pearce e Katie Holmes, que não possuem a menor química e protagonizam cenas forçadas. A narrativa mantém o suspense, mas está longe de provocar medo. Um ótimo termômetro é o comentário ouvido antes do início da sessão, no qual um dos jornalistas convidados para a cabine comentava sobre sua experiência ao ver O Exorcista pela primeira vez. Considerado um clássico do terror, este filme mantém o mesmo clima apavorante e é lembrado com detalhes, mesmo após quase 40 anos de sua estreia. Já Não tenha medo… é o filme que envolve o público na sala de projeção. Ao sair dela, pouco sobra para comentar.

"Calma, querida! Não precisa mais ter medo, porque o filme acabou."

De fato, como diz o título do filme, ninguém precisa ter medo do escuro. As criaturas só são assustadoras durante duas horas. Depois disso, elas voltam ao nosso imaginário com a aparência do fadas tão dóceis quanto a Sininho, trocando dentes por moedas de prata.

Cotação: 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s