Novo Conan: ação, sangue e pouco roteiro

Sabe aqueles “filmes de macho”, com luta, sangue, músculos, mulher pelada, homens bebendo no bar, perseguições e um roteiro tão profundo como uma esfiha aberta? Conan, o Bárbaro, que estreou no último final de semana, é tudo isso. A impressão que se tem é que o diretor Marcus Nispel preocupou-se apenas em fazer um filme-pipoca, que divertisse a plateia e mais nada. Estranho, vindo de alguém responsável pelo ótimo remake de Sexta-Feira 13, que ficou bem melhor que o original.

Cérebro? Deve ter algum por aqui...

O roteiro do filme é simples: Em busca dos pedaços de uma máscara mística que, unidos, dariam ao seu possuidor o poder de um deus, o vilão Khalar Zyn (Stephen Lang) mata impiedosamente o pai de Conan. Vinte anos depois, o bárbaro reencontra o cruel assassino e busca vingança. Só. O resto é pancadaria, perseguições, sangue jorrando e ação ininterrupta. E quando dizemos ininterrupta, é no sentido literal. O filme não dá um minuto de descanso ao espectador, apresentando uma cena de ação atrás da outra. Quando não é lutas de espada, é perseguição a cavalo, batalhas entre tribos, fuga de monstros, mortes cruéis e realismo em excesso. O exagero chega a dar náuseas.

Sangue e luta? Ok, mas não precisava tanto...

É sabido que um filme de Conan não vai trazer o bárbaro plantando flores e beijando criancinhas. Não se trata disso. Não é a violência que incomoda, é o excesso dela. Só pra citar uma cena: numa luta, Conan corta o nariz de um inimigo. A cena seguinte mostra o nariz caindo no chão. Pra quê? Totalmente desnecessário. O público não é burro, já entendeu o que houve. O filme todo é assim: cenas gratuitas e sanguinolentas quando uma simples insinuação já cumpriria o objetivo.

Nem melhor, nem pior, apenas diferente.

Fora isso, Conan é bastante fiel ao personagem, criado na década de 30 pelo escritor Robert E. Howard. Comparação inevitável, o Conan de Jason Momoa não é melhor nem pior do que o de Arnold Schwarzenegger, apenas tem seu próprio estilo, que corresponde, sim, à essência do personagem: bruto, mas justo. Trata as mulheres como objeto de diversão, mas não deixa de defender a monja Tamara, quando esta é ameaçada; salva a vida de um mercenário, mas não deixa de cobrar sua ajuda quando precisa dela. Momoa personifica bem o personagem, mas foi prejudicado pela falta de um roteiro mais consistente. Ele merece uma segunda chance no papel do bárbaro, mas com um diretor que saiba arrancar dele todo seu potencial.

Venha para o Freddy... ops... Marique!

Outra que também estava excelente no papel era Rose McGowen, como a feiticeira Marique, filha de Khalar Zyn. Ela é a própria “bruxa má”, com voz esganiçada e até um “momento Freddy Krueger”, arranhando a parede com suas garras e fazendo faíscas. Cotada para interpretar Sonja, a guerreira – outra criação de Howard e contemporânea de Conan – numa produção prevista para 2009, mas que não saiu do papel, tudo leva a crer que cumpriria sua missão com louvor.

Mythos lança quadrinização do filme

Antes de se aventurar na missão de fazer o filme do bárbaro, talvez Nispel devesse ter tido algumas aulas com o pai de Conan e ouvido dele a principal lição aprendida pelo jovem cimério: “Antes de empunhar a espada, você precisa compreendê-la.” Uma dica: leiam a HQ lançada pela Mythos Editora que está nas bancas e traz a adaptação do filme. Embora o cimério seja um mero coadjuvante na história, ela é bem mais divertida do que o filme.

Cotação: 

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