Lanterna Verde já chega com má impressão

Finalmente, depois de um longo e tenebroso inverno, estreia nos cinemas brasileiros o longa Lanterna Verde, que marca o début do herói esmeralda da DC Comics nas telonas. O filme estreou nos EUA há dois meses atrás e, segundo a distribuidora, precisou ter sua estreia adiada no Brasil porque não haviam salas 3-D suficientes para exibição. Desculpas à parte, o prazo longo serviu para que cópias do filme vazassem na Internet e muita gente já tenha visto – o que não impede ninguém de ver novamente no cinema, com qualidade decente e o tão valorizado efeito 3-D.

Será que a luz do Lanterna ainda vai brilhar com tantas críticas?

A pergunta que fica é se isso vai acontecer de fato, visto que o filme chega bombardeado pela crítica especializada em todos os países em que estreou. Os críticos não economizaram adjetivos negativos para a produção que, embora tenha estreado como primeiro lugar no ranking das maiores bilheterias, na terceira semana já havia caído para a sétima colocação. No período, o filme já acumulou US$ 102 milhões, o que é considerado um bom resultado e os produtores já falam de uma continuação.

Capa da edição de estreia do herói esmeralda

Ok, verdade seja dita: os críticos exageram. O filme não é ruim. É até divertido, principalmente para os não iniciados no universo do personagem nas HQs. Quem não acompanha as aventuras do herói nos quadrinhos, certamente vai curtir a produção em live-action. O roteirista foi bem fiel aos quadrinhos e conta a origem do Lanterna Verde (Ryan Reynolds), mesclando elementos da estreia do personagem na revista Showcase 22 com a nova mitologia criada por Geoff Johns, que revitalizou o herói nas sagas Renascimento, A Guerra dos Anéis e A Noite Mais Densa. Houve uma preocupação em explicar de forma bem didática sobre o rico universo do personagem, formado por 3600 Lanternas Verdes, sem contar os vilões, os Guardiões do Universo e os coadjuvantes. E estão todos lá, no filme.

Hector Hammond: vilão sem tempero

Talvez aí resida o grande erro da produção: a preocupação em ser explicativo deixou o roteiro sem a ação característica dos filmes de super-heróis. A falta de um vilão carismático também é um problema. Parallax, a entidade que representa o medo, não chega a amedrontar ninguém e lembra um pouco o Galactus de Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado (2007) e Hector Hammond (Peter Sarsgaard), o cabeçudo que incorpora o vilão e desenvolve poderes mentais é mais sem sal que sua própria versão em quadrinhos. Sinestro, o arqui-inimigo do Lanterna Verde (interpretado por Tom Strong), ainda é apresentado como um dos membros da Tropa, embora sejam plantados os elementos de que ele está destinado a se tornar o grande vilão da história.

"Ainda serei um grande vilão"

Kilowog: detonando os "poozers"

Ou seja: o Lanterna Verde não tem uma grande ameaça que conduza a história para um clímax empolgante. Porém, como já foi dito, o filme não chega a ser ruim. Há bons momentos, como o treinamento de Jordan em Oa pelo impagável Kilowog e o salvamento de Carol Ferris (Blake Lively) utilizando uma pista Hot Wheels gigante criada por seu anel. O uniforme digital, tão criticado por alguns puristas, também funciona bem: há linhas luminosas que são como veias mostrando a energia correndo pelo corpo do herói.

Cenários grandiosos e bela fotografia

Lanterna Verde é um personagem complexo, pela grande quantidade de personagens que faz parte de sua mitologia. E, como já sabemos, um filme com muitos personagens não funciona bem na telona. Batman e Robin e Homem-Aranha 3  estão aí para não nos deixar mentir. Claro que a escolha do diretor certo faz muita diferença (os filmes dos X-Men também provam essa teoria), mas temos que reconhecer o esforço de Martin Campbell em fazer um filme grandioso. O erro dele foi exatamente focar na grandiosidade e se esquecer da história. Quase nada…

"Ei, não me crucifiquem tanto, vai..."

De qualquer forma, o público pode gostar de Lanterna Verde, desde que não espere demais. É um “filme pipoca” e despretensioso, que não faz jus à importância que o personagem tem nos quadrinhos, mas tem o mérito de apresentá-lo às pessoas. A torcida é que, na continuação que já está sendo estudada, os buracos no roteiro sejam tapados e que a luz verde brilhe forte neste fascinante universo das HQs adaptadas para o cinema.

Cotação: ***

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