Crítica: Dylan Dog

Previsto para estrear no próximo dia 12 de agosto, o filme Dylan Dog e as Criaturas da Noite traz o astro de Superman – O Retorno, Brandon Routh, encarnando o personagem dos quadrinhos italianos da editora Bonelli. Criado em 1986, Dog é um detetive que só resolve casos envolvendo fenômenos sobrenaturais, relacionados a zumbis, vampiros, lobisomens e outros tipos de monstros. O personagem não tem superpoderes, mas é capaz de identificar a presença destes seres devido à sua experiência com o oculto e até possui “contatos” no submundo que o ajudam em sua missão.

Atirando para o alto... e avante!

No filme, Dylan Dog decidiu abandonar os casos sobrenaturais e só realiza corriqueiras investigações de esposas traídas e outras banalidades. Porém, quando se lida com as forças ocultas, a encrenca, muitas vezes, bate à porta. Ao investigar um misterioso assassinato, Dylan Dog percebe que a morte foi feita por um lobisomem.

"Você não espera que eu pegue esse amuleto, espera?"

Recusando-se à princípio a aceitar o caso, Dog acaba se envolvendo com a filha da vítima e descobre que está havendo uma guerra entre vampiros e lobisomens na busca de um amuleto que liberará um poderoso demônio. O grupo que o possuir terá poderes para dominar o mundo e cabe ao detetive impedir que tal demônio seja liberado na Terra.

"Eu era Jimmy Olsen. Hoje virei zumbi..."

Para isso, ele conta com a ajuda de seu assistente Marcus (Sam Huntington, que interpretou Jimmy Olsen em Superman Returns, repetindo a parceria com Routh), a parte cômica do filme, já que ele morre no começo do filme e retorna como zumbi, mas se recusa a aceitar sua nova condição. As cenas em que ele tenta comer comida “normal” (que é intragável para zumbis) ao invés de vermes e alimentos em decomposição são as melhores do filme, principalmente pela veia cômica do ator, que consegue roubar todas as cenas em que aparece. No entanto, vale dizer que o assistente de Dylan Dog nas HQs se chama Grouxo, numa homenagem ao comediante Grouxo Marx, mas por questões jurídicas, o personagem não pode ser levado às telas, sendo substituído por Marcus.

Brandon Routh fazendo cara de mau (ou tentando, pelo menos)

Se, por um lado, não houve prejuízo na substituição, uma vez que Marcus faz o papel cômico de Grouxo, a adaptação não pode ser considerada das melhores. A trama é morna, a interpretação de Routh é inexpressiva e a sensação que fica do filme é que ele não faz jus ao personagem. O filme brinca com alguns elementos dos quadrinhos, como o personagem Borelli, uma clara referência à Editora Bonelli, que publicou a série do personagem e, certamente possui outras citações que passaram despercebidas a este repórter não iniciado nos quadrinhos italianos mas que os fãs irão perceber.

"Oi, simpatia! Tudo bem aí em cima?"

Há uma tentativa de fazer da produção um terror leve, mas ele acaba funcionando melhor como comédia. Nos Estados Unidos, estreou na mesma semana que Velozes e Furiosos 5, o que, por si só, já é um motivo para que tivesse uma bilheteria apagada. Somado ao fato da produção não ser tão boa e o personagem ser desconhecido, o filme foi um fracasso de bilheteria. No Brasil, não deve ter um resultado diferente. Ainda não é desta vez que os heróis da Editora Bonelli ganharão a popularidade que merecem.

Tex é o principal personagem da Editora Bonelli

Como curiosidade, vale citar que não é a primeira vez que os quadrinhos italianos viram personagens de carne e osso nos cinemas. Em 1985, estreou na Itália o filme Tex e o Senhor do Abismo (Tex e il signore degli abissi), produção que trazia o consagrado ator Giuliano Gemma no papel do cowboy Tex Willer, o mais famoso personagem da Bonelli.

Zagor em pose sexy... hã... quase.

Outro que também saiu das HQs para as telas é Zagor, o Espírito da Machadinha, que mistura western, ficção científica e toques de terror. Foram três filmes, produzidos entre os anos de 1970 e 1971: Zagor (1970), Zagor kara bela (algo como Zagor e a praga negra, em tradução livre) (1971) e Zagor kara korsan’in hazineleri (Zagor e o Tesouro dos Piratas, em tradução livre) (1971). As três produções são um ótimo exemplo de globalização: filme feito na Turquia de um personagem italiano que vive nas florestas americanas. Embora a caracterização seja bem fiel aos quadrinhos, pouca gente sabe que esses filmes existiram e o personagem continua desconhecido do grande público.

Cotação: ***

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