Indiana Jones comemora 30 anos de aventura

No dia 12 de junho de 1981, estreava nos cinemas americanos o filme que mudou a cara do cinema de aventura. Com doses de ação ininterrupta, Caçadores da Arca Perdida contava as aventuras do professor de arqueologia Indiana Jones (Harrison Ford) ao redor do mundo, na busca da Arca da Aliança, artefato onde teriam sido guardadas as tábuas contendo os Dez Mandamentos e que, dado seu teor sagrado, daria a seu possuidor poderes ilimitados.  O ar retrô, que lembrava as matinês de antigamente, fez o filme se tornar um enorme sucesso e conquistar plateias de todas as idades. O filme recebeu nove indicações para o Oscar, sendo contemplado em cinco categorias: Direção de Arte, Efeitos Especiais, Efeitos sonoros, Edição e Som. Também garantiu a indicação de Steven Spielberg ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Diretor, além de outros prêmios.

Se aventura tem um nome, ela é Indiana Jones

O professor Jones, com seu chicote e chapéu de couro, voltaria à tela ainda mais duas vezes na mesma década. Em 1984, chegou às telas o filme Indiana Jones e o Templo da Perdição, que mantinha o clima de ação do filme anterior, mas o roteiro sombrio fez com que esta nova aventura recebesse uma classificação maior: PG-13, ou seja, menores de 13 anos só poderiam assistir o filme na companhia dos pais. O motivo era simples: cenas de sacrifícios humanos, banquete com animais vivos (que, por sinal, é uma das cenas mais hilariantes da produção) e exploração de crianças. Mesmo assim, arrecadou US$ 333 milhões, aproximando-se do faturamento de Caçadores, que ficou em US$ 384 milhões. Novamente, uma relíquia sagrada estava em jogo, mas desta vez, os roteiristas ingressaram nos mistérios da Índia e da seita da deusa Kali. Ao invés de fazer Indiana buscar as Pedras Sankara por interesse arqueológico,  Indiana o faz para devolver a paz a um vilarejo cujas crianças haviam desaparecido.

"Pai, esse seu guarda-chuva é de causar vergonha..."

Em 1989, o filme voltou às origens e trouxe Indiana de volta ao confronto com os nazistas. Desta vez, porém, ele contou com uma ajuda especial: seu pai, Prof. Henry Jones, magistralmente interpretado por Sean Connery. A química entre os dois personagens resultou em diálogos pra lá de divertidos, que ajudaram a dar um descanso entre uma cena de ação e outra. A parceria de Ford e Connery fez com que este fosse o filme mais lucrativo da trilogia (US$ 474 milhões). A busca, desta vez, foi pelo Santo Graal, o cálice que Jesus Cristo usou na Última Ceia e que, segundo as lendas, garantiriam a vida eterna a quem dele bebesse.

"Ford, eu sou você ontem!"

Quase 20 anos se passaram antes que o Dr. Jones voltasse às telas. Mesmo assim, nesse período, o mundo não ficou privado da presença do herói: a série Young Indiana Jones Chronicles que durou de 1992 a 1996, trouxe o jovem Indy (interpretado por Corey Carrier nos primeiros 10 episódios e Sean Patrick Flanery nos episódios seguintes) vivendo suas primeiras aventuras entre 1908 e 1920. A série era narrada pelo próprio Indiana Jones, aos 93 anos (interpretado por George Hall). Apesar de ter durado quatro anos, a série teve poucos episódios – apenas 44 – e serviu para deixar os fãs com sede de novas histórias envolvendo o arqueólogo, mas, embora a ideia existisse, os produtores não conseguiram um bom roteiro que sustentasse uma nova aventura de duas horas.

"Sobrevivi a nazistas e sacerdotes assassinos pra morrer nas mãos de uma motorista barbeira!"

A insistência dos fãs e da imprensa especializada era tanta que o produtor George Marshall chegou a declarar que não aguentava mais ter que responder à pergunta “Indiana Jones” a cada entrevista e disse a George Lucas que, ou eles começava a produzir um novo filme ou encerravam de vez a franquia. Lucas, evidentemente, aceitou o desafio e Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal aconteceu em 2008. Sem parecer ter envelhecido um ano sequer, Harrison Ford voltou a vestir sua jaqueta marrom, desta vez contra os russos, em plena Guerra Fria. A história se passa em 1957, exatamente 19 anos depois de A Última Cruzada (obviamente uma referência ao tempo que demorou entre uma produção e outra) e o elenco traz a atriz Karen Allen de volta ao papel de Marion Ravenwood, de Caçadores da Arca Perdida.  O filme também apresenta o jovem Mutt Willians (Shia LaBeouf), filho que Indy teve com Marion e que ele nem ficou sabendo.

Estaria o continente perdido da Atlântida na lista do Prof. Jones?

Aproveitando a corrida espacial, que, na época em que se passa o filme era um tema em destaque, Jones e sua família saem à procura da Caveira de Cristal do título. O artefato, supostamente, teria relação com a presença de extraterrestres no planeta. Evidentemente, os russos também têm interesse no item e pretendem fazer de tudo para consegui-lo antes dos americanos. Mesmo com idade avançada para este tipo de produção, Harrison Ford mostrou que ainda tem pique para novas aventuras e boatos já dão conta de que um quinto filme está a caminho. Sinal que a água do Santo Graal está fazendo efeito e que Indiana Jones se tornou mesmo eterno, para sorte dos fãs do cinema de ação.

Em Quadrinhos

Marvel e Dark Horse publicaram versões em quadrinhos

Indiana Jones também virou personagem de quadrinhos, publicado pela Marvel de 1983 a 1986. Em The Further Adventures of Indiana Jones, o arqueólogo repetia a mesma agitação vivida nas telas, sob o traço de ícones da editora como John Byrne e Howard Chaykin. No Brasil, essas histórias foram publicadas na revista do Capitão América, pela Editora Abril. A Dark Horse também publicou diversos títulos do personagem, porém em minisséries ou edições não sequenciais.

Indiana Jones Genéricos:

Separados no nascimento

Como no mundo nada se cria, uma série de cópias de Indiana Jones surgiram nos anos seguintes à sua estreia. Alguns foram bem adaptados e seguiram seu próprio rumo. Outros, descaradamente aproveitando apenas a onda do momento, mas sem profundidade para se sustentar, acabaram sumindo tão rápido quanto surgiram. De qual você se lembra?

Indiana Canastrão

Tudo por uma Esmeralda (1984), com Michael Douglas
As Minas do Rei Salomão (1985), com Richard Chamberlain. Rendeu uma continuação Allan Quatermain e a Cidade do Ouro Perdido (1986). O personagem voltaria ainda na esteira do sucesso da nova aventura de Indiana Jones com Allan Quatermain e o Templo das Caveiras da produtora Asylum, especializada em plagiar filmes de sucesso. Desta vez, o personagem é interpretado por Sean Cameron Michael.
Tomb Raider (1996 – games e 2000 – filmes), com Angelina Jolie. Rendeu uma continuação em 2003: Tomb Raider: A Origem da Vida.
Caçadora de Relíquias (1999) – Série de TV com Tia Carrere. Durou três temporadas.
A Lenda do Tesouro Perdido (2004), com Nicolas Cage. Gerou uma continuação: O Livro dos Segredos (2007)

Versões femininas: Lara Croft veio dos games e Sydney Fox, das séries de TV

Curiosidades: 

– O nome completo de Indiana Jones é Henry Walton Jones Jr. Como detestava o apelido de “Júnior”, ele adotou Indiana, mesmo nome de seu cachorro. Na verdade, a piada era dupla: Indiana também era o nome do cachorro de George Lucas.

"Acho que fizeram uma cachorrada conosco!"

Short Round, o garoto que contracena com Indiana Jones em Templo da Perdição (interpretado por Jonathan Ke Quan), também era o nome do cachorro do roteirista Willark Huyck. E já que a moda é batizar personagens com nome de cachorro, Willie Scott (Kate Capshaw), par romântico do herói no mesmo filme, teve esse nome em homenagem ao cocker spaniel de Steven Spielberg.

– Diz-se que os roteiristas de Templo… não sabiam como começar a história já com uma sequência de ação e a solução foi reaproveitar uma cena cortada de Caçadores:  a sequência da briga no bar. Outra cena limada do primeiro filme que acabou sendo usada é a dos carrinhos na mina.

"Alô? Indiana Jones? Não, obrigado... Prefiro praia, porshe vermelho e mulheres"

Tom Selleck e Nick Nolte foram cotados para fazer o papel de Indiana Jones. Selleck, na época, recusou o papel para ser protagonista da série de TV Magnum. Da mesma forma, Sharon Stone também foi uma das selecionadas para o papel de Willie e Gregory Peck foi indicado para viver o Professor Henry Jones no terceiro filme. A escolha de Sean Connery foi do próprio Spielberg, que sempre quis dirigir um filme de 007 e, por isso, escolheu o primeiro ator a encarnar o espião.

– O terceiro filme revela detalhes da origem de Indiana: como ele conseguiu seu chapéu e chicote e de onde vem seu medo de cobras.

– Em Caçadores foram utilizadas 6500 cobras na cena do templo no Egito. Nenhum problema para Harrison Ford, que, ao contrário de seu personagem, não tem medo dos répteis. Já Karen Allen quase morreu do coração nos 10 dias de filmagens.

Oi, simpatia. Espero que a produção não tenha esquecido sua ração...

– Antes de optar pelas caveiras de cristal alienígenas, os produtores pensaram em fazer Indiana procurar o reino perdido da Atlântida. Algo que, possivelmente pode acontecer na quinta aventura.

– Além de fazer o pai de Indiana Jones, Sean Connery também interpretou Allan Quatermain no filme A Liga Extraordinária.

Pra finalizar, relembre o tema de Indiana Jones.

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3 comentários

  1. Titio…
    Eu acho que você nçao deve chamar o Alain Quarteirão de cópia descarada do Indiana Jones.
    As Minas do Rei Salomão é um livro de 1885 e que gerou um filme homômino, honômimo… do mesmo nome em 1950.
    É provável que o Alain tenha sido uma das inspirações para o Indiana.

    • Você tem razão em afirmar que Allan Quatermain surgiu antes de Indiana Jones e pode ter sido uma inspiração para o personagem. No entanto, só lembraram que ele existia depois do sucesso de Caçadores da Arca Perdida. Ou seja: o filme “As Minas do Rei Salomão” foi uma cópia descarada do Indiana Jones. Mantenho a afirmação. Abraços!

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