X-Men First Class: Entenda o filme

Estreou na última sexta-feira a mais nova aventura dos mutantes da Marvel: X-Men: First Class (ok, tem o título em português – X-Men: Primeira Classe – mas já incorporei o título em inglês de tal forma que não consigo mencioná-lo pelo nome brazuca. Acontece o mesmo com Superman Returns.). No primeiro dia, a produção já começou arrecadando US$ 21 milhões só nos EUA, mostrando que os personagens não perderam o fôlego, mesmo depois de três produções anteriores (desconsiderando o filme solo do Wolverine).

Bryan Singer é o dono do X

Matthew Vaughn (o mesmo diretor de Kick-Ass) tomou as rédeas da franquia e contou com a ajuda de ninguém menos que Bryan Singer no roteiro. Singer, pra quem não sabe, foi o diretor de X-Men – O Filme (2000), X-Men 2 (2003) e só não dirigiu X-Men – O Confronto Final (2006) porque trocou com Brett Ratner a direção de Superman Returns. Além de experiência, Singer tem o feeling necessário com os personagens, pra repetir a dose de 2000, quando pegou uma equipe até então desconhecida do grande público e conseguiu transformar num fenômeno de bilheteria. E olhe que é criar uma trama coesa tendo nas mãos um monte de personagens, cada um com um poder exclusivo, diferentes personalidades e efeitos específicos para tratar não é das tarefas mais fáceis.

Amigos inimigos

X-Men: First Class busca retratar o início da saga dos mutantes, como Charles Xavier decidiu formar um grupo de heróis para proteger a humanidade, sua amizade com Erik Lensherr e os motivos que levaram os dois a se tornarem inimigos mortais – já vimos algo parecido em Smallville, com Clark e Lex, não? Contudo, o filme toma a liberdade de seguir sua própria linha e, aos que não acompanham as aventuras dos mutantes pelos quadrinhos, pode se tornar um tanto quanto confuso… (Sejamos honestos: as histórias dos X-Men são confusas também para quem acompanha as HQs…)

Pensando nisso, nosso blox resolveu prestar um serviço de utilidade pública: já que a maioria dos sites especializados já publicou sua crítica do filme com uma semana de antecedência e você certamente já deve ter lido várias – na sessão que vi no último domingo, tinha até quem já sabia que o filme não tem cena pós-créditos – resolvemos fazer algo diferente: falar do filme sem falar do filme. Ou seja: falamos do filme, mas ajudando você a compreendê-lo melhor. Se você ainda não viu, este pequeno guia vai ajudar na compreensão da história. Se você já viu, vai ajudar a elucidar qualquer dúvida que tenha restado com este ou aquele personagem.

O ataque é a melhor defesa

Tempo: A história começa no ano de 1944, em plena Segunda Guerra Mundial, quando Magneto manifesta seus poderes pela primeira vez ao ser separado de seus pais. A cena inicial é a mesma que também abre o primeiro filme dos mutantes e mostra que Magneto não é totalmente mau. Ter vivido nos campos de concentração mostraram a ele toda crueldade que existe no coração humano, de modo que ele prefere atacar antes de ter que se defender. A história dá um salto de 20 anos, em plena Crise dos Mísseis de Cuba, quando Estados Unidos e União Soviética estavam às portas de um novo conflito nuclear. Mesclando fatos reais (há pronunciamentos do Presidente Kennedy na TV) com ficção, o filme situa o tema “mutação” no período da História em que começaram a nascer “os filhos do átomo” (nome com o qual os X-Men são conhecidos). É também uma referência ao período em que os X-Men foram criados nos Quadrinhos (1963), portanto, não queira ser racional demais e calcular que quem tinha 20 anos nessa época não pode ter aparência de 30 nos dias de hoje. Estamos falando de personagens fictícios, ok?

"Fazer o papel, tudo bem. Mas nem pense em tocar nos meus cabelos!"

Amigos-inimigos: A amizade entre Xavier e Magneto existiu também nas HQs. No entanto, o idealismo de Xavier não batia com o sentimento de vingança de Erik e os dois acabaram se distanciando, sabendo que, em algum momento, eles iriam se confrontar. Xavier ficou careca desde criança, um efeito colateral da manifestação de seus poderes. Sua paralisia é o resultado de uma luta contra um alienígena chamado Lúcifer, que esmagou suas pernas sob uma rocha. O filme segue um caminho diferente para explicar este fato e o faz de forma bastante eficiente. O capacete de Magneto, que não permite que Xavier leia sua mente, também existe nas HQs, mas foi feito pelo próprio vilão, já pensando em se proteger do poder de seu ex-amigo. Isso também foi mudado no filme, mas sem prejudicar o contexto.

O bem e o mal, em sua eterna luta.

Os X-Men: O nome da equipe já foi escolhido por Xavier antes de formá-la. No filme, ela não tem nome e só no final é que alguém tem a ideia dar um nome ao grupo. Aliás, a ideia dos codinomes surge para aproximar os heróis dos agentes secretos espiões, comuns naquele período a Guerra Fria – nada mais justo, uma vez que eles agiam em segredo. A primeira turma, nos quadrinhos, é formada por Ciclope, Fera, Anjo, Homem de Gelo e Garota Marvel. Destes, apenas o Fera permaneceu e novos membros foram incluídos: Banshee (que teve um breve contato com o grupo original, mas permaneceu esquecido por vários anos, até ser recrutado para a segunda equipe de X-Men, em 1975, que incluia Wolverine e Tempestade), Mística (que, como se sabe, pertence à Irmandade de Mutantes de Magneto e, no filme, é mostrada como quase irmã de Xavier – nos quadrinhos, o professor é meio-irmão de Cain Marko, o Fanático, presente no terceiro filme), Destrutor (Alex Summers, irmão de Ciclope, que só entra no grupo anos depois dele formado. No filme, não é dada nenhuma indicação de que ele seja irmão de Scott), Darwin (personagem com poderes de adaptação, que foi criado apenas em 2006, na história Gênese Mortal, uma releitura da origem da segunda formação dos X-Men) e Libélula (uma vilã do grupo dos Homens-Animais, que enfrentou a segunda formação dos X-Men em suas primeiras aventuras).

Banshee não fez parte da primeira equipe, mas é uma presença essencial no filme.

Os vilões: o Clube do Inferno surgiu nos anos 80, durante o arco que culminou na morte da Fênix. O grupo é uma sociedade secreta de um clube de milionários, cujo objetivo é dominar o mundo (claro!). O líder da equipe é Sebastian Shaw, mutante capaz de absorver energia e convertê-la em força física. Da equipe original que surgiu nos quadrinhos, apenas Shaw e a Rainha Branca (Emma Frost) permanecem. Os outros membros são Maré Selvagem (que, nas HQs, pertence aos Carrascos, mutantes malignos responsáveis pelo Massacre de Mutantes) e Azazel (que é pai de Noturno, embora no filme isso não seja mencionado). Porém, diferente do que o filme mostra, o Clube do Inferno não tem qualquer relação com Magneto ou sua Irmandade de Mutantes, pelo menos, não como é retratado nos quadrinhos.

Ninguém me convida pra dançar o Footloose... 😦

No mais, o filme é fiel ao retratar a transformação do Fera de um ser humano aparentemente normal num monstro peludo e também dá referências sobre o que seria a Sala do Perigo e os próximos personagens do grupo (aparece uma Tempestade criança, que foi cortada do filme do Wolverine, e o próprio Logan também faz uma ponta, para um orgasmo nerd dos fãs). Tudo o mais são licenças poéticas que em nada prejudicam o resultado final, fazendo de X-Men: First Class uma excelente diversão.

"Hã... pessoal... acho que queimei um pouquinho a Sala de Perigo..."

Esperamos que esse pequeno (!!!) guia tenha servido para ampliar um pouco seus conhecimentos sobre o universo mutante e auxilie na compreensão do papel desses personagens na trama cinematográfica. Embora se distancie dos heróis como eles foram concebidos nos quadrinhos, o filme não diverge naquilo que eles têm de essencial: a ação dosada com uma trama coesa e bons efeitos especiais para apresentar um universo fascinante de entretenimento que existe há quase 50 anos. E que ainda tem muita história pra contar, tanto nos quadrinhos como no cinema.

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13 comentários

  1. Quando se adapta uma história de um meio de comunicação para outro, é natural que hajam mudanças e, claro, adaptações. Se Vaughan seguisse estritamente a história dos quadrinhos, além de confusa, a trama se tornaria algo massante para qualquer espectador, fosse este leitor dos quadrinhos dos X-men ou não. Acho que o filme funcionou na sua proposta de mostrar a origem do grupo que representa nele mesmo a mudança do padrão humano comum. “X-men – First Class” (também assimilei melhor o título em inglês) é mais do que uma história de aventura de um grupo de seres super poderosos, mas sim o próximo passo num melhor aproveitamento das histórias dos quadrinhos como base para se criar boas tramas na sétima arte também. Observar toda obra ficcional publicada com os personagens de forma extremamente racional só pode levar a alguns resultados limitados: ou você enlouquece; ou você não vê a menor graça e deixa de acompanhar qualquer abordagem dada a estes. O correto, então, é sentar na poltrona do cinema e abrir sua mente para assistir uma aventura dos X-men, e não dessa ou daquela formação de equipe especificamente. Isso apenas poderá limitar o seu aproveitamento e a sua satisfação com esse filme espetacular de quadrinhos.

    (http://quadrinhospraquemgosta.blogspot.com)

  2. Realmente, este novo filme mutante surpreendeu muita gente! Como é de se esperar, qualquer adaptação, na transposição de uma forma de arte para outra, sofre mudanças. E souberam fazer isso com exímio talento! O diretor Matthew Vaughn acertou na abordagem, no elenco e no roteiro, embora houvessem muitos personagens que não tinham nada a ver com as histórias das HQs. Mesmo assim, com o “excesso” de personagens souberam usá-los bem numa história com roteiro bem fechado, quase sem pontas, com ótimos diálogos e cenas de ação, no uso dos efeitos e acertaram também em usar personagens pouco conhecidos.
    Também não é pra menos, já que Brian Singer estava presente tanto no roteiro quanto como Diretor de Produção. Apenas poderiam sido mais atentos e ter adequado melhor a questão cronológica (durante a “monitoração” do Cérebro aparece Ororo adolescente e aparentemente Scott criança, sendo que Tempestade é da mesma idade ou mais velha que o Fera e Alex é mais novo que o irmão, Ciclope, e o aparecimento da mutação secundária de Emma. Ela era só telepata e sua transformação em diamante veio anos depois…). De qualquer forma, sua matéria ficou muito boa, inclusive para eu conhecer melhor algumas questões sobre os XM (como a causa da paraplegia de Xavier e sua carequisse). Só acho que a Emma poderia ser mais sensual e manipuladorae foi uma pena a perda de Darwin (gosto muito do personagem).

  3. Sensacional! Este guia foi feito para mim que acompanha alguns fragmentos dos HQ e como não assisti o filme me ajudou a compreender alguns detalhes que eu não conhecia. Abraços. Vou colocar o link do post na minha fanpage que tem integração com a minha conta no Twitter e compartilhar aos meus seguidores

  4. Sensacional esse seu post! Falou tudo q eu defendi em comentários em outros blogs q só falam besteira, nunca leram uma hq na vida e se acham no direito de fazerem as comparações mais toscas! As mudanças são necessárias, principalmente pra qm nunca viu nada de x-men, imagina só botar o lúcifer de cara nesse filme, nego n ia entender nada! E assim como vc falou essas mudanças n influenciaram tanto na essência da história, sendo até legais, a sacada da crise dos mísseis foi genial pra tornar a história mais atual e crível! Acredito que os próximos filmes vão explicar melhor o papel de cada e um e oq aconteceu até chegar na configuração da cronologia mais nova dos filmes dos x-men, estilo star wars, mas com aquelas diferenças básicas (e as vezes até legais) das hqs! E valeu ai por lembrar do efeito “carecal” do xavier, não lembrava direito da hq desse fato e cheguei até a ficar na dúvida se essa história era verdade msm ou se eu tinha sonhado! shausahu! abraço

    • Obrigado pelas palavras, amigo batatinha (Ruffles é batata, né? hehehe…) A função do nosso site é essa mesma: trazer o prazer de ler quadrinhos, ir ao cinema e saber curtir tanto uma mídia como a outra pois elas não se excluem, mas se completam. (ok, algumas produções são catastróficas… mas são exceções. rsrsrs…) Abração e visite-nos sempre!

      • Olá, Joanna… estamos numa situação complicada… se respondemos a sua pergunta, vamos revelar spoilers para quem ainda não viu o filme. heheheh… Mas vamos lá… quem não quiser saber, não leia a resposta. Mas antes de falar do filme, vamos falar dos quadrinhos: Um alienígena chamado Lúcifer veio à Terra para preparar o planeta para uma invasão e foi impedido pelo então jovem Charles Xavier. Em retaliação por ter sido impedido de cumprir seu objetivo, o alienígena jogou uma enorme pedra sobre Xavier, esmagando suas pernas. A partir daí, ele passou a necessitar de sua cadeira de rodas. Isso foi publicado na revista Uncanny X-Men (jan. 1965). Eis a capa da edição: http://www.comicbookdb.com/graphics/comic_graphics/1/381/192020_20100215224018_large.jpg

        A partir daqui, o texto contém spoilers do filme.

        Em X-Men: First Class, os produtores optaram por dar um rumo diferente à história. Assim, Xavier fica paraplégico no final da história, quando Magneto se rebela e decide atacar os humanos. Para tentar impedir o vilão, Moira McTaggert dispara contra ele, mas Magneto usa seus poderes para dispersar as balas. Uma delas atinge a coluna cervical de Xavier. Percebendo seu erro, Magneto novamente usa seus poderes para extrair a bala do ex-amigo, mas o mal já estava feito. Ele perdeu a mobilidade de suas pernas. Esclarecido?

        Um abraço e volte sempre!

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