Crítica: Thor eleva filmes da Marvel à categoria divina

Sem exageros, Thor, a mais recente produção da Marvel Studios, que estreou no último final de semana nos cinemas brasileiros, é o melhor filme da safra de super-heróis que a editora vem produzindo. E são vários os motivos que levam a essa afirmação. Primeiramente, pela fidelidade aos quadrinhos. Claro que houve mudanças, sempre necessárias – e os fãs radicais precisam entender que o fato do cabelo do Thor estar 1cm mais curto que nas HQs não é motivo de chiliques nerds e mensagens raivosas à Marvel ameaçando nunca mais comprar as revistas, ok? – Porém, essas sutis alterações não alteram em nada a personalidade do herói. Cito aqui o fato de Thor não ter uma identidade terrestre como nos gibis (nos quadrinhos, ele assume a identidade do Dr. Donald Blake, que, por sinal, não foi esquecido no filme) ou o interesse amoroso do herói, a jovem Jane Foster, ser uma cientista ao invés de enfermeira – o que faz enorme sentido, já que ele não é mais médico.

Os olhos amarelos de Heimdall representa sua visão privilegiada

O personagem Heimdall, guardião e protetor do portal de entrada de Asgard, a terra dos deuses, também mudou de etnia, sendo interpretado por um ator negro, o que causou uma enorme polêmica nos fóruns da Internet. Pode até fazer um certo sentido afirmar que os deuses nórdicos surgiram na europa e, portanto, são representados como uma raça branca, mas não faz sentido criar um estardalhaço por conta disso. O ator Idris Elba, que interpreta o personagem, está perfeito no papel e, mais uma vez, sua cor de pele não altera em absolutamente nada o conceito da mitologia. Afinal, por que só loirinhos de olhos azuis podem povoar o céu dos nórdicos? Talvez seja uma forma sutil do diretor Kenneth Branagh dizer exatamente isso, uma vez que o personagem Hogun também é interpretado por um ator oriental (Tadanobu Asano). O céu é para todos!

Hogun, Fandral e Volstagg, fiéis amigos de batalha

Os fãs de quadrinhos também vão gostar da participação dos três guerreiros: Fandral (Josh Dallas), Volstagg (Ray Stevenson, que também já interpretou o insosso Justiceiro, outro personagem da Marvel) e o já citado Hogun. Presença constante nas aventuras do Deus do Trovão, o trio foi retratado exatamente como é nas HQs: fiéis amigos de Thor e companheiros de batalha, os três participam de todas as cenas de ação com Thor, desde a guerra no reino dos Gigantes de Gelo até a empolgante sequência contra o Destruidor – robô construído por Odin para defender o Reino Dourado, enviado à Terra por Loki para destruir seu irmão. A única ausência sentida é de Balder, o deus da bondade, que também faz parte do grupo e ficou fora da produção. Provavelmente para não confundir a cabeça daqueles que não acompanham as HQs, a deusa Sif (Jaimie Alexander), que nos quadrinhos é a paixão de Thor, tem uma participação secundária, uma vez que o interesse amoroso de Thor no filme é Jane Foster.

Sif: presença secundária

Surge um novo astro

Outro motivo pelo qual o filme merece ser visto é pelo elenco afinado. O desconhecido Chris Hemsworth deve ter um up em sua carreira depois desta produção, assim como aconteceu com Hugh Jackman após Wolverine ou Christopher Reeve como Superman. No papel do Deus do Trovão, o ator encarna perfeitamente a premissa adotada por Stan Lee quando adaptou a mitologia e transformou o personagem em super-herói: a princípio um deus imaturo e arrogante, é destituído de seus poderes e banido para a Terra por seu pai, o todo-poderoso Odin, a fim de aprender humildade. E, na convivência com os humanos, descobre o amor, o respeito, a amizade e o perdão. Só então recupera sua divindade perdida.

Esses chifres não são à toa. Loki é um capeta!

Hemsworth cresce no filme. Essa mudança de personalidade é notadamente sentida, de forma que o Thor do começo do filme parece outro personagem quando chega ao final. A impressão é que ele interpreta dois papéis diferentes. Seu irmão Loki (Tom Hiddlestom) também está perfeito no papel. Quem conhece o personagem sabe que Loki é o deus da trapaça, fingido, invejoso e manipulador, sempre pronto para criar situações que lhe favoreçam. No filme, ele faz as coisas tão dissimuladamente, que até acreditamos que está sendo sincero. Tanto que as críticas do filme feitas pelos veículos não especializados descrevem Loki como ” filho inseguro” de Odin. Ele conseguiu enganar até os jornalistas: de inseguro, Loki não tem nada. Cada um de seus atos é friamente calculado para que ele consiga tomar o trono de Asgard no lugar de seu irmão.

Anthony Hopkins dá o tom necessário ao papel de Odin.

Desnecessário comentar a participação de Anthony Hopkins como Odin. O ator dispensa qualquer classificação e a escolha do diretor não poderia ser melhor. Embora pequena, a participação de Hopkins dá todo peso que o papel exige: é sábio, bondoso e suas aparições transmitem toda grandeza de ser o regente do Reino Dourado.

O deus nórdico e a deusa do Oscar

A oscarizada Natalie Portman também está bem no papel de Jane Foster, mas ficou apagada por conta de sua assistente Darcy (Kat Dennings), que faz o contraponto humorístico da história e sempre rouba as cenas em que aparece, com seus comentários fúteis. É engraçado notar que a personagem, que não existe nos quadrinhos, consegue tirar o brilho da estrela principal.

Fútil e divertida, Darcy (à dir.) rouba o brilho de Portman.

Por fim, vale dizer que o filme agradará também quem não está acostumado com os quadrinhos. O roteiro está muito bem amarrado e mescla o passado e o presente de forma a deixar bem explicadinho o motivo pelo qual Thor é banido por Odin e como chega à Terra. Depois de situar os espectadores no tempo e espaço, a história vai alternando entre os eventos de Asgard e da Terra até chegar ao empolgante clímax, com a batalha contra o Destruidor e contra Loki no Reino Dourado. Não faltam cenas de ação (com direito a um “momento He-Man” de Thor) nem momentos de humor (como a participação de Stan Lee e as intervenções de Darcy). E a beleza física de Hemsworth é um atrativo para as garotas acompanharem seus namorados ao cinema. Rapazes, não reclamem: vocês tiveram sua vez com a Viúva Negra, em Homem de Ferro 2.

Meninas, esta imagem é para vocês!

Falando nisso, há uma repetição da cena exibida após os créditos de Homem de Ferro 2, quando o Agente Coulson (Clark Greg) encontra o martelo de Thor no meio do deserto, ligando as duas produções. Além disso, o filme também tem uma breve participação do Gavião Arqueiro, herói que também faz parte dos Vingadores. Nesse ponto, a Marvel está a anos-luz de distância da concorrente DC Comics, que não consegue se entender com suas produções cinematográficas. Os filmes da Marvel estão interligados e cada novo filme prepara o terreno para a estreia de Vingadores em 2012, que vai reunir todos os heróis, num elenco estelar e ares de megaprodução.

Acauteai-vos, mortais! O Deus do Trovão está na cidade!

Se você ainda não viu Thor, pode ir sem medo. Os produtores cumpriram sua promessa de fazer um filme épico. A unica crítica fica por conta da versão dublada, obrigatória para a opção em 3D, na qual as falas empoladas dos deuses – caracterizada pela utilização dos verbos em segunda pessoa – acabam se perdendo. Mas claro que isso não é um empecilho. O filme é tão bom que merece ser visto duas vezes: uma em 3D e outra em versão normal legendada. Só pra lembrar: não saia da sala antes do final dos créditos. Como sempre, há uma cena escondida.

Comemorai! Nossa missão foi cumprida com louvor!

Cotação: *****

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15 comentários

  1. Claro que houve mudanças, sempre necessárias – e os fãs radicais precisam entender que o fato do cabelo do Thor estar 1cm mais curto que nas HQs não é motivo de chiliques nerds e mensagens raivosas à Marvel ameaçando nunca mais comprar as revistas, ok? – Porém, essas sutis alterações não alteram em nada a personalidade do herói. Cito aqui o fato de Thor não ter uma identidade terrestre como nos gibis (nos quadrinhos, ele assume a identidade do Dr. Donald Blake, que, por sinal, não foi esquecido no filme) ou o interesse amoroso do herói, a jovem Jane Foster, ser uma cientista ao invés de enfermeira – o que faz enorme sentido, já que ele não é mais médico.

    Entendi, Tio.
    Esse parágrafo todo é para eu ficar calado.
    Tá bom, tá bom eu fico.
    Não fui eu o crítico que disse que o filme parece cópia de Homem de Ferro.

  2. Eu não sou uma garota comum…:o… caramba… eu fui ver o filme pelo Loki, e não pelo Thor… e me apaixonei pelo Tom Hiddlestom, o Loki… tudo o Loki… nada o Thor.. .eu chorei na cena em que o Loki cai da ponte, mas não chorei em nenhum momento pelo Thor… eu ria quando o Thor se dava mal pelas armações do Loki e ficava apreensiva quando o Loki poderia ser pego…:)….
    E eu perdi a cena pos creditos.. q raiva… mas um motivo para ver o filme de novo.. e ver o Loki…*o*

    • Hahahah… Ok, Nathalia. Nossas desculpas pelo suposto machismo ao afirmar sobre as garotas. Mas, como você mesmo reconhece, não é uma “garota comum”. As mulheres estão mostrando que super-heróis não é só “coisa de menino” e tem muitas coisas legais pra oferecer. Só tome cuidado com essa paixão pelo Loki. Ele é um trapaceiro de marca maior. Quanto à Hela, não tinha pensado nisso (nem ouvido falar), mas sabe que ela é parecida? Mas não particularmente, não acredito que sejam a mesma pessoa, não. Em todo caso, vamos aguardar Thor 2 para ver se vão dar mais espaço à personagem. Abração!

      • É por isso que eu gosto tanto dele. Saca. Esse jeito trapaceiro dele é um charme a mais, sei lá. Acho que é essa coisa das mulheres preferirem os cafagestes. E todo mundo sabe que o Loki é um cafa de marca maior.. hahahha… Eu babo por ele na verdade desde pequena. Sempre fui aficcionada por mitologia nórdica, e pelo Loki em específico. Confesso que não lia muitas comics antes do filme Thor, mas assim que eu vi o nome do filme quando os meus amigos iam ver e vi que se tratava de algo que provavelmente teria o Loki, eu fui ver. E quando eu vi comecei a gostar do ator que faz o Loki(que eu já amava) e da sua interpretação, e quis ler as hqs. Agora eu to viciada nas comics e to baixando direto o arco O Próprio Medo e comprando a Era Heróica. O Loki criança está tão fofo….to escrevendo fanfics de Marvel e até criei uma personagem heroína, só que meio dúbia, que tem um caso sórdido com o Loki ao mesmo tempo que luta ao lado de Thor contra ele. Saca, tipo a Amora é pro Thor o Loki é para ela. Mas ela ainda não tem uma lady Sif.. hahhaha….. nem uma Jane Foster ou uma Barbara Morris.

  3. Loki não vira mulher….simplesmente como o Loki mitologico, ele tem uma mania de ficar em formas femininas, aposto que é para ficar pelado olhando no espelho vendo seu corpo feminino gostoso.
    Acho que você fez o Loki parecer muito superficial, coisa que nem o ator o fez. O Loki não é inseguro, fato. Mas eles tem vários problemas psicológicos, e se você realmente acompanha os quadrinhos, vai ver que, em Hulk Anual, quando o Thor Hulkificado lutava contra o HulkAranha, apareciam lembranças dele da época que eram crianças, e se você ver como o Thor maltratava o irmão e tudo mais, você vai até entender pq ele é assim. Loki é muito mais profundo do que você imagina, e Tom Hiddleston conseguiu colocar toda a profundidade do personagem em sua interpretação. :)….Por isso que eu gostei, pois a interpretação de Tom mostrou e me fez lembrar do pq eu sempre ter sido apaixonada pelo Loki, desde pequena..

      • Para mim, Hiddleston é perfeito de qualquer forma… ainda mais como o meu amado Loki. Kkkkkkk….. Eu gosto do Loki por ele ser o deus mais humano da mitologia nórdica. Todos os outros deuses são meio perfeitinhos, principalmente aquele idiota do Balder, mas o Loki, ele tem qualidades e defeitos e sabe conseguir o que quer, e geralmente quando ele mete os deuses em confusão, ele consegue tirá-los tão rapidamente como colocou. E ele tanto ajuda os deuses quanto atrapalha. Só ele sabe o que ele quer, e as vezes nem ele mesmo sabe o que ele quer. Ele é egoista, egocentrico, arrogante, um pouco sádico. Mas é esperto, inteligente, sabe ser carinhoso quando é do seu interesse, e no fim de tudo tem sentimentos, mas ele racionaliza demais, então acaba não aceitando que tem. Antes do advento do catolicismo, Loki era tido como o Prometeus dos nórdicos, ou seja, ele era o patrono da humanidade, por ser o deus mais humanos dentre o panteão nórdico. Nas lendas antigas, ele tinha dado o fogo para humanidade. E muitas das trapaças dele contra os deuses fora para nos ajudar. Ele tinha um grande amor pela humanidade por ela ser dúbia, e não ser sempre perfeitinha como os Aesir e Vanir. Mas com o advento do catolicismo, e a necessidade de ter uma dicotomia entre o bem e o mal, as lendas começaram a ser modificadas e deturpadas, até Loki virar isso que a maioria sabe dele. Assim como transformaram Ares e Hades, na mitologia grega, como malignos, sendo que eles nunca foram isso.

      • Bacana seu conhecimento de mitologia nórdica. É algo que eu gosto bastante também. E você gostou da saga “O Cerco”? Loki teve uma participação fundamental tanto no início como no fim dela. É como você disse: ele criou a encrenca e, quando a coisa pegou pro lado dele, ajudou a resolver. Safado… rsrsrsrsr… Abração!

  4. Muito safado ele. Quando ele percebeu que a coisa tinha ido longe demais e Asgard poderia realmente ser destruida, ele voltou atrás e se sacrificou para salvar Asgard. Ficou até tido como herói por muitos Aesir, como o Balder e o Thor. E eu fiquei orgulhosa dele, mas com uma pulga atrás da orelha, que será resolvida no início do arco O Próprio Medo, mas não contarei spoilers… eu amei o Cerco, mas sempre esperava aparecer o Loki. Eu gostei da versão Ultimate também, da mini-serie Os Novos Supremos. O Loki da versão Ultimate está um sonho de consumo… Eu realmente se estivesse lá o levaria para o bom caminho.. hahahahahhahaha

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