Jesus no cinema

A vida de Jesus Cristo já rendeu muita inspiração (e dinheiro) para Hollywood. Desde a invenção do cinema, em 1895, a vida do Homem de Nazaré é uma das histórias mais contadas, de diversas formas possíveis, desde as mais fiéis aos Evangelhos até as mais profanas e consideradas heréticas pela Igreja. Histórias dramáticas, que focam no sofrimento e no sacrifício do Filho de Deus, até as comédias, que brincam – dependendo do ponto de vista, até com requintes de mau gosto – com Seus ensinamentos.

Jesus Cristo Superstar (1973), versão hippie do Salvador

Há versões musicais, teatrais e parciais, onde só é retratado uma parte da história, seja o nascimento, seja a morte. E há também as histórias paralelas, que tem Jesus como pano de fundo, se passam no mesmo período, mas não se focam propriamente na história de Sua vida, mas sim nas repercussões de Sua passagem pela Terra.

A primeira versão cinematográfica da vida de Cristo que se tem notícia data de 1903: Trata-se do francês Vie et Passion du Christ (A vida e a Paixão de Cristo), produção muda de 44 minutos cujas cenas eram dividas em entretítulos que anunciavam os momentos da vida de Jesus (A Anunciação, O Nascimento, etc.) e os atores representavam cada uma delas. O cinema ainda bebia da fonte do teatro nessa época.

Da Manjedoura à Cruz (1912) - Primeiro filme

O primeiro filme com uma narrativa ininterrupta foi Från krubban till korset (1912) – From de Manjer to the Cross, ou Da Manjedoura à Cruz -, produção americana, apesar do título sueco, e que tem o ator Robert Henderson-Bland como protagonista. Pode-se dizer que este foi o primeiro ator a encarnar Jesus Cristo em tela grande (já que na produção francesa, o nome dos atores que fizeram parte do elenco se perdeu no tempo.)

Primeiro filme sonoro da vida de Cristo

Como o cinema ainda dava seus primeiros passos e, por medo de criar um atrito com as autoridades religiosas – e consequentemente fracassarem suas produções – os cineastas sempre retrataram Cristo de forma respeitosa e, na maioria das vezes, nem mostravam Seu rosto nas películas. Sabe-se que tal atitude deriva de uma proibição surgida na Inglaterra e que só foi quebrada por Cécil B. DeMille em 1927, quando ele filmou Rei dos Reis.

Clássico de Cecil B. DeMille

Em Gólgota (1935), tivemos o primeiro “Jesus falante” da história, com o advento do som nas produções. Além da possibilidade de ouvir a voz de Cristo no cinema, o diretor Julien Duvivier usou uma estratégia interessante: a câmera foi posicionada em primeira pessoa, ou seja, o espectador via o que Jesus estava vendo.

A Maior História de Todos os Tempos (1965) - épico desde o título

É interessante notar que Jesus é um “herói” diferente de qualquer um que atraía multidões aos cinemas: ele não luta, não beija a mocinha no final e todos sabem como o filme vai acabar. Mesmo assim, Sua história continua despertando interesse pela força de Sua mensagem, atemporal e que serve para qualquer pessoa, independente do credo.

Rei dos Reis (1961)

Veja a seguir algumas das produções mais famosas e comentadas sobre a vida de Cristo. É certo que a lista ainda será aumentada com novos filmes que serão feitos futuramente. Embora se trate de uma história conhecida, ainda há muito a se falar e muitos aspectos a enfocar da vida deste homem que modificou os rumos da História.

É um pássaro? É um avião? Não, é o Jesus de Godspell (1973)

1903 – Vida e Paixão de Cristo (França)
1912 – Da Manjedoura à Cruz (EUA)
1916 – Intolerância (EUA)
1927 – Rei dos Reis (EUA), dirigido por Cécil B. DeMille
1935 – Gólgota (França) – Primeiro filme sonoro da vida de Jesus
1961 – Rei dos Reis (EUA), dirigido por Nicholas Ray
1964 – O Evangelho Segundo São Mateus (Itália)
1965 – A Maior História de Todos os Tempos (EUA)
1973 – Godspell (EUA) – Musical que mostrava um Jesus contemporâneo, com a cara dos anos 60.
1973 – Jesus Cristo Superstar (EUA) – Outro musical, que retratava os últimos dias de Cristo na Terra.

Robert Powell foi chamado para interpretar Judas... mas seu olhar penetrante lhe deu o papel de Jesus

1977 – Jesus de Nazaré (EUA), série de TV dirigida por Franco Zefirelli, tido como o mais fiel retrato da vida de Cristo.
1979 – A vida de Brian (Inglaterra) – Comédia feita pelo grupo Monty Python, acusada pela Igreja de ridicularizar os ensinamentos de Jesus.
1979 – Jesus, o Filme (EUA) – Versão baseada no Evangelho de São Lucas.
1988 – A Última Tentação de Cristo (EUA) – Polêmica versão de Martin Scorsese, que mostra o lado humano de Cristo e supõe um romance dele com Maria Madalena.
1989 – Jesus de Montreal (Canadá) – Versão contemporânea da vida de Cristo, representada por um grupo teatral.
1999 – Maria, Mãe de Jesus (EUA) – Feito para a TV, mostra a história sob o ponto de vista de Maria.

Jesus caçador de vampiros? Humor de gosto duvidoso...

2001 – Jesus Christ Vampire Hunter (Canadá) – Comédia nada ortodoxa que mostra uma nova vinda de Jesus à Terra para caçar os vampiros que invadiram o planeta.
2003 – Maria, Mãe do Filho de Deus (Brasil) – Filme narrado pelo Pe. Marcelo Rossi, no auge da fama e que conta com Luigi Baricelli como Jesus e Giovanna Antonelli como Maria.
2004 – Paixão de Cristo (EUA) – Dirigido por Mel Gibson, retrata as últimas 12 horas de Jesus. Tornou-se polêmico pela crueza com que é mostrada a flagelação de Cristo. A reconstituição de época inclui diálogos em aramaico, a linguagem falada nos tempos de Jesus.

Todo sofrimento de Jesus narrado com realismo e crueza.

2006 – Natividade, a História do Nascimento (EUA) – Filme de Jesus sem Ele. Toda história gira em torno da vida de Maria e José e os fatos que precederam o Seu nascimento, da anunciação do anjo até a natividade.

O Manto Sagrado (1953) - Trama paralela

Além desses, há outros filmes também baseados na história de Cristo, mas que retratam a repercussão de Sua passagem pela Terra. Como exemplo, temos Quo Vadis (1951), o Manto Sagrado (1953), Barrabás (1953 – versão sueca – e 1961 – versão americana), O Grande Pescador (1959) e Ben-Hur (1959, um dos maiores vencedores do Oscar, com 11 estatuetas) entre outros.

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5 comentários

    • Tem razão. Há um filme sueco chamado Barrabás de 1953 ( e não 1935), que é uma versão anterior à mais conhecida, estrelada por Anthony Quinn, que é de 1961. E, de fato, ele não retrata a vida de Cristo, mas é um daqueles filmes “paralelos” mencionados no final do post, que mostram as repercussões da passagem de Cristo pelo mundo. Já consertamos o erro e agradecemos pela dica.

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