Clone da Saga

Acaba de chegar às bancas – com atraso, por sinal – a edição 4 da revista A Teia do Homem-Aranha, que reúne as edições 1 a 6 da publicação The Clone Saga, uma nova versão para a controversa Saga do Clone, que dividiu os fãs do Amigão da Vizinhança nos anos 90. Para quem não lembra (será que alguém conseguiu esquecer?) ou não conhece, a Saga do Clone foi um arco de histórias que trouxe de volta um conceito criado em 1975, nas edições 144 a 149 da revista Amazing Spider-Man.

O embrião da saga do Clone, em 1975

Na história, o vilão conhecido como  Chacal (na verdade, o professor de ciências de Peter Parker, Miles Warren) obtém uma amostra do sangue de Peter e de sua namorada Gwen Stacy, morta meses antes pelo Duende Verde, e faz um clone dos dois, para se vingar do Aranha, a quem considera culpado pela morte de Gwen – o professor havia se apaixonado pela moça. No final, o Chacal morre, juntamente com o clone, que Peter joga dentro de uma chaminé para ser carbonizado, eliminando assim o corpo de sua cópia. Ao menos, era o que parecia.

como detonar uma boa ideia em 150 capítulos

Na saga dos anos 90, que se estendeu por mais de 100 títulos e durou dois anos, o clone retorna e é descoberto que ele era o verdadeiro Peter Parker, enquanto aquele que todos conhecemos e – e cujas aventuras havíamos acompanhado nos últimos 20 anos – era, na verdade, o clone. Evidentemente, a história causou uma revolta geral nos fãs do aracnídeo, que não se conformaram com a trama. De fato, a história original pode até ter sido uma forma de chacoalhar um pouco as aventuras do herói, que andavam meio sem sal depois do seu casamento, mas a grande quantidade de títulos do Homem-Aranha na época (eram sete), cada um com uma equipe criativa diferente, causou tantas reviravoltas na história que o conceito original se perdeu no meio do caminho e tornou o arco arrastado e confuso.

Nova versão, resumida e simplificada

O idealizador original da saga, o escritor Tom DeFalco, resolveu trazer isso de volta na edição especial The Clone Saga, publicação em seis capítulos, contando a mesma história “como ela deveria ter sido publicada”. Muito mais simples e resumida, a aventura resgatada do passado do Homem-Aranha provou como uma boa ideia pode ser distorcida e estragada quando não é bem conduzida por uma equipe competente. E os fãs brasileiros tiveram a vantagem de ver a saga completa lançada em um único encadernado. A edição da Teia vale o investimento tanto para os fãs antigos reverem a história contada de forma resumida, como para os fãs mais novos conhecerem esta aventura da qual já devem ter ouvido falar nos fóruns com todo ódio que ela merece.

Aranha Escarlate: a melhor coisa da Saga do Clone

No entanto, a nova versão apresenta muitas falhas, algumas até imperdoáveis. Na ânsia de resumir a trama, o autor desconsiderou os leitores que não tiveram acesso ao material original e deixou de narrar fatos essenciais para a compreensão da história. O que é “teia de impacto” e qual a diferença dela para a teia normal do Aranha? Como Ben Reilly se tornou o Aranha Escarlate? Quando Mary Jane contou a Peter que estava grávida? Quando o Homem-Aranha Clone decidiu trocar de uniforme? E o mais importante: afinal, Peter Parker é o verdadeiro ou o clone? Todas essas perguntas são irrelevantes para os leitores mais antigos, porque já conhecem a história original, mas os mais novos, certamente vão ficar confusos.

Uniforme moderno para o herói

Também é importante destacar que a história é um arco fora da continuidade do herói e, embora o final deixe um gancho para uma possível continuação, ela não existe, pois trata-se de uma história alternativa e não da cronologia oficial. Ao menos, não deveria existir uma continuação, mas claro que a Marvel sempre pode colocar a aventura dentro de seus infinitos universos alternativos e criar um novo mundo. O futuro dirá.

A Saga do Clone na versão Ultimate

Falando em universos alternativos, vale registrar que a Saga do Clone também foi revista no Universo Ultimate, em nove capítulos, publicada por aqui na revista Marvel Millennium Homem-Aranha 68 a 74. O fato do Universo Ultimate não ter ligação com o Universo Marvel tradicional permitiu uma trama criativa, cheia de reviravoltas, mas com uma linha narrativa coesa. Como deveria ter sido a original.

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