Tron: outra odisseia eletrônica

Quem assistiu Tron, O Legado, viu um show de luzes e efeitos especiais e em 3-D que só a tecnologia do século 21 pode proporcionar. Contudo, quem pertence à geração que viu Tron: Uma Odisséia Eletrônica (ainda com acento no ditongo crescente), de 1982, pode ficar um pouco frustrado com a “nova” versão. O motivo é que ela não é tão nova quanto os produtores querem nos fazer acreditar, embora a história se passe 27 anos após a aventura original.

um avanço nos distantes anos 80

O X da questão é que o primeiro filme foi um marco tecnológico, criado quando computadores pessoais ainda eram um sonho futurista existente apenas no desenho dos Jetsons. A informática dava seus primeiros passos e algum visionário da Disney – que, diga-se de passagem, está repleta deles, a começar pelo próprio Walt – resolveu criar uma história com visual de videogame – na verdade, fliperama, aquelas máquinas que funcionavam com fichas e que deixavam as mães morrendo de preocupação com os filhos que cabulavam aula para se enfiar nos botecos e jogar – e enredo até um tanto quanto complexo para a época.

sucesso nos consoles

O filme foi revolucionário pela sua inovação e por criar efeitos que, para a época, eram pra lá de modernos e devem ter custado uma fortuna para os cofres da Disney. Falar em Tron é falar da corrida de motos sobre uma plataforma quadriculada com movimentos restritos, “quadrados”, mas nem por isso, menos divertidos e empolgantes. E, é bom que se diga, fez muito sucesso, tanto nos fliperamas da vida real como nos consoles do Atari. E Jeff Bridges, no auge de seus 32 anos (mas com aparência de uns 25), interpretando o salvador da humanidade contra o domínio das máquinas, dá o tom da aventura. O visual luminoso do filme fez tanto sucesso que o produtor Glen A. Larson repetiu-o na série Automan (1983), incluindo o cursor luminoso que cria os aparatos virtuais do herói no mundo real. A série não tem qualquer ligação com o filme, mas é indiscutível que o visual é semelhante.

Plágio não, mas inspiração, com certeza.

Em O Legado, o mesmo Jeff Bridges repete seu papel de Kevin Flynn, mas o herói da história agora é seu filho Sam (Garrett Hedlund, de Eragon). A história começa em 1989, quando o pai do garoto se despede para o trabalho e nunca mais retorna. Herdeiro direto da Encom, a empresa criadora do game de maior sucesso no mundo, o rapaz se nega a assumir o controle da fábrica, mas quando o filho de Dillinger (o rival de Flynn no filme original) e acionário da empresa começa a assumir o papel de líder, surge uma misteriosa mensagem que vai fazer com que Sam entre no mundo virtual em busca de seu pai, que aparentemente não morreu.

Qualquer semelhança com o poster lá de cima não é mera coincidência.

A partir daí, há uma sensação de deja vù, com a entrada de um “usuário” entre os programas, sua inclusão nos “jogos”, a corrida de motos, os discos de memória, a roupa em neon, o trio formado por dois homens e uma mulher que devem levar o disco até o ponto chave e acabar com o controle do MCP… enfim, parece a mesma história em efeitos mais modernos. Até o pôster do filme é igual.

Há uma tendência saudosista em afirmar que o original é sempre melhor do que a cópia. Nem sempre isso é verdade. Tron, o Legado não é um filme ruim. O problema está na falta de criatividade do roteiro, que repete aquilo que a geração anterior já viu com maestria na primeira versão. Dependendo do ponto de vista, pode ser um trunfo, uma vez que respeita a obra original e dá aos fãs um revival de tudo aquilo que deixou as plateias deslumbradas. Porém, pode também ser um tiro no pé, pois deixa a sensação de que toda inovação já foi usada quase 30 anos antes e não sobrou nada para a versão atual. Para quem não conhece a versão antiga, no entanto, a aventura deve encher os olhos. Afinal, os tempos mudaram, a tecnologia evoluiu e a geração atual respira computadores. A linguagem técnica não soa mais tão complexa. Mas seria melhor os produtores assumirem que O Legado é um remake do original do que nos induzir que é uma continuação. A comparação seria muito mais condenscendente.

Cotação: ***

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1 comentário

  1. Tio-ô-ô-ô

    Nem pensar em ver essa bagaça. Ainda tô com bronca do filme original. Esperei pacientemente ser lançado (naquela época não existia exibição simultânea) ser lançado e era un “saco”.
    Só se “Ela” daqueles tempos quiser fazer uma sessão nostalgia.

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