Megamente: a vez dos vilões

Entre as estreias deste final de semana nos cinemas, uma das mais aguardadas foi a nova animação da Dreamworks, Megamente. Desde seu lançamento nos Estados Unidos, um mês atrás, o desenho vem liderando nas bilheterias e já acumulou mais de 136 milhões de dólares em cinco semanas de exibição. A liderança não é à toa. A Dreamworks conseguiu realizar outra obra-prima (a produtora é a responsável pela quadrilogia Shrek, Madagascar e Kung Fu Panda, entre outros) sem a necessidade de uma fórmula mirabolante de sucesso. Ao contrário, a animação vai na cola de um sucesso já consagrado: a história do Superman.

O vilão é o protagonista

Mesmo quem não é fã do Homem de Aço, consegue identificar as semelhanças: o filme já começa contando a origem de Megamente, um extraterrestre que veio ainda bebê num foguete, fugindo de seu planeta moribundo. Ele vive numa cidade chamada Metro City (que insiste em chamar de Metrócity – evidentemente para deixar mais parecido com Metrópolis) e convive com uma repórter que é a cara de Lois Lane. Ele mesmo é bem parecido com Lex Luthor, com sua enorme careca e seu cérebro privilegiado. O único porém dessa história toda é que Megamente não é o herói do filme, ele é o vilão. Ou quase, já que é o protagonista.

Perece a Lois Lane, mas não é.

Parece que virou moda em Hollywood fazer filmes em que o vilão é o protagonista. Já tivemos este ano outra animação que também foi muito bem nas bilheterias: Meu Malvado Favorito, no qual o malvado do título é obrigado a adotar um grupo de crianças órfãs enquanto realiza seu plano maligno de sequestrar a Lua. Megamente não tem essa pretensão. Ele é mais clichê: quer apenas dominar o mundo. E consegue quando, num golpe de sorte, descobre a fraqueza de seu arqui-inimigo Metro Man (que tem poder de voo, super força, visão de calor e cabelo com topete e franja. Lembrou de alguém?) e consegue matá-lo.

O peixinho Criado é o responsável pelas tiradas mais geniais do filme.

A partir daí, Megamente percebe que ser dono do mundo não é tão bom quanto parecia. O filme levanta a velha questão das HQs de que é o vilão quem define o super-herói e cria uma série de situações hilárias recheadas de clichês dos quadrinhos e referências a filmes de super-heróis – até Marlon Brando, no papel de “pai espacial” está lá. Impossível não simpatizar com o vilão e detestar o herói, numa inversão de valores que daria uma tese de mestrado de curso de psicologia. No entanto, os pais podem ficar despreocupados, pois seus filhos não vão virar maníacos homicidas ao ter Megamente como modelo.

A trilha sonora também reserva algumas supresas

Pelo contrário, o desenho pode até levantar a discussão do que leva uma pessoa a se tornar um criminoso: eles já nascem feitos ou o caráter é moldado conforme as influências que recebem? Até que ponto os heróis são bonzinhos e virtuosos e os vilões, maldosos? Filosófico demais para crianças pequenas? Tudo bem, isso é mesmo para os adultos. Para as crianças, Megamente nada mais é do que uma grande e divertida brincadeira. É um desenho animado que diverte todas as idades e que reserva algumas surpresas, de referências das HQs e cinema, passando por uma trilha sonora extremamente condizente com a premissa do filme. As mentes criativas da Dreamworks não deixam nada a desejar em relação às incríveis mentes da Disney/Pixar. Sorte nossa!

Cotação: *****

Vilões sempre fazem uma entrada triunfal!

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5 comentários

  1. Eu vi e senti sua falta, tudo bem culpa minha, mas é que quando sobra uma brechinha no tempo corro pro cinema…
    Gostei bastante e as referencias são inumeras, até o topete e cara de babaca do Herói de ferro… hehehehe Não briga comigo.
    Muito boa diversão, inteligente e recomendo.

  2. Tio.
    Tinha um vilão com essa cara de peixe-fora-da-geladeira-desde-a-semana-passda na década de 70 em Stingray.
    O cara cola um monte de clichês de filmes, HQs e desenhos diversos e ganha mais de cem milhões de dólares. Ô prole de uma senhora decaída!

  3. Negócio fechado.
    Vocês podem ficar com o barbichinha de pele azul, que não conseguiu papel de figurante em Avatar.
    MAs que ele lembra o vilão de Stingray lembra.

    Ah, tio.
    Compra para mim, no Natal, uma aquário em forma de robô ambulante que nem esse do filme e eu prometo que me comporto.
    Rsrsrsrs

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