Quadrinhos ou livros de luxo?

Com a chegada nas bancas de Mitos Marvel, quinto e último volume da coleção de edições de luxo lançadas pela Panini, aproveito para fazer minhas considerações a respeito de cada uma. Cada edição é composta por arcos completos, lançados nos Estados Unidos em edições mensais pelo selo Marvel Knights, uma linha de quadrinhos mais maduros da Marvel, voltado a adolescentes mais velhos.

Acabamento de luxo nas edições

A Panini presenteou os leitores brasileiros com uma edição única, evitando que os leitores tupiniquins precisassem esperar cinco ou seis meses para ver a conclusão da série, o que é uma vantagem. Por outro lado, o preço salgado (R$ 22,90 cada volume) é uma desvantagem já que, se fossem lançados em formato de minissérie, seria mais acessível (algo em torno de R$ 5,90 cada capítulo).

Mas o preço vale o investimento. As edições são todas com acabamento de primeira: capa dura, verniz destacando os detalhes da imagem e papel de qualidade. Na estante, ninguém diz que se trata de uma história em quadrinhos, até pegar nelas. Isso tudo, claro, sem contar a obra de arte que é cada edição, com desenhos de saltar os olhos.

Ano zero do aracnídeo

O primeiro volume a ser lançado foi Homem-Aranha: Com grandes poderes…, de David Lapham e Tony Harris. Trata-se de uma espécie de “ano  zero” do personagem, mostrando o que aconteceu tão logo ele recebeu seus poderes aracnídeos, antes da morte de seu Tio Ben. O deslumbramento de um jovem de 15 anos ao se ver superpoderoso e capaz de tudo é o foco da história. Isso, claro, até ele aprender a completar a frase que dá título à série.

Quem será o substituto do Capitão América?

O segundo volume se passa num tempo indeterminado, em que o Capitão América – já morto há mais de um ano nas revista de linha – desenvolve uma doença incurável causada pelo Soro do Supersoldado em seu sangue e precisa encontrar um substituto. Para isso, ele mostra, por meio de aparições ao cabo James Newman, que o verdadeiro herói não precisa ter superpoderes, basta ter quatro virtudes básicas: coragem, honra, lealdade e sacrifício. Capitão América: A Escolha tem roteiros de David Morrell e arte de Mitch Breitweiser.

Namor é mero coadjuvante

O terceiro livro é, na minha opinião, o mais chatinho. Namor: As Profundezas conta a história de um cético explorador que vai até as profundezas do mar para provar que a Atlântida não existe. A sua tripulação teme encontrar-se com Namor – que aqui é como uma espécie de “monstro de Loch Ness”, nunca visto por ninguém, mas que põe medo em todo mundo – o que só irrita ainda mais o cientista.

A história de Peter Milligan (roteiro) é narrada em ritmo de thriller psicológico, com arte primorosa de Esad Ribic, mas o fato de Namor ser apenas um coadjuvante na aventura, agindo como um fantasma é que torna o argumento maçante. Não combina com o personagem, sempre cheio de si e incapaz de passar o tempo todo brincando de esconde-esconde com os seres “inferiores” da superfície.

A perda da inocência

Em Magneto: Testamento, o maior inimigo dos X-Men tem sua infância revelada. Quando o nazismo ainda avançava nos Estados Unidos, espalhando aos poucos seus ideais racistas o pequeno Max Eisenhardt, com nove anos de idade, sofre os primeiros preconceitos por ser de família judia. Muito antes dos seus poderes magnéticos virem à tona, ele acompanha o crescimento do nazismo e vai parar, junto com seus familiares, num campo de concentração. Todo o sofrimento e amargura acumuladas nesses anos, vão moldar o caráter daquele que se tornaria um dos maiores vilões da humanidade. Uma das melhores séries da coleção, com excelente reconstituição de época, escrita por Greg Pak e desenhada por Carmine di Giandomenico.

Os maiores heróis da Marvel em novas origens

Fechando a coleção, Mitos Marvel é uma releitura da origem dos principais heróis do Universo Marvel. X-men, Quarteto Fantástico, Hulk, Capitão América, Motoqueiro Fantasma e Homem-Aranha (sim, de novo!) têm suas origens recontadas, sob a visão de Paul Jenkis e Paolo Rivera. É a única edição que não tem o gosto da novidade, porque as histórias já são conhecidas da maioria dos leitores (embora sejam novas versões), mas serve para mostrar porque esses personagens se tornaram verdadeiras lendas.

A coleção se torna mais atrativa com o exclusivo brinde que acompanha cada um dos títulos: uma parte de um pôster dos heróis que, com os cinco volumes, forma um painel gigantesco de mais de 2,5 m X 0,68 m, numa arte de Gabrielle Del’Otto. Embora eu não acredite que alguém vá colocar um painel desses na parede, não deixa de ser um presente bacana.

Achou pequeno? Então clica na imagem!

A Panini tem investido bastante no leitor com mais poder aquisitivo e lançado muitos encadernados de luxo. É um produto atraente, pois o acabamento diferenciado garante uma durabilidade maior, ideal para os colecionadores, que pretendem guardar seus quadrinhos para a posteridade. Cabe aos leitores colocarem a relação custo-benefício de seus tesouros na balança e ver se o investimento compensa.

Use a cabeça e decida se vale o investimento!

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