Karate Kid – Uma história de amor à primeira vista (Parte 2)

Ontem publicamos aqui a crítica da nova versão de Karatê Kid, filme que estreou no último final de semana. Hoje faço um segundo post sobre o assunto, para contar como foi meu primeiro contato com esta série cinematográfica e como se transformou em paixão à primeira vista.

A primeira vez que ouvi falar em Karatê Kid foi por meio do trailer do segundo filme, em 1985. Nunca gostei de filmes de artes marciais, mas achei engraçado as regras do karatê, anunciadas por aquele simpático velhinho japonês: “Regra número um: Karatê é só para defesa. Regra número dois: aprender primeiro a regra número um.” Alguns dias depois, vi um anúncio de que o primeiro filme ia passar na TV e lembrei do trailer.

Figurino que foi parar em Smallville

É nesses momentos em que percebemos a importância de se fazer uma boa campanha de marketing. Em uma única cena, vista no cinema, a curiosidade foi desperta e lá estava eu, grudado na TV no dia da exibição. A identificação foi imediata: vi-me no lugar daquele garoto, que era saco de pancadas dos garotos maiores. Embora nunca tivesse apanhado no colégio, sempre fui vítima de gozações e humilhações por ser o CDF da sala e preferir a leitura ao futebol.

Quem teve a idéia de botar esses troncos no meio da praia?

Diferente do filme, porém, a vida real é sempre mais cruel e não tinha um velhinho simpático para me ensinar a me defender. Refugiar-me no mundo da imaginação era minha terapia. E antes que alguém diga que fugir da realidade não resolve os problemas, reforço que usei a palavra refúgio, não fuga. Quando voltava para o mundo real, trazia sempre uma boa lição de vida. Karatê Kid tem várias delas.

Encere o carro, lixe o assoalho, pinte a cerca, pinte a parede!

John G. Avildsen é um diretor que soube, como ninguém, conduzir uma história cativante e a química entre Daniel (Ralph Macchio, à epoca com 24 anos, mas aparência de 15) e Sr. Miyagi (Pat Morita, merecidamente indicado ao Oscar e ao Globo de Ouro por seu papel) não podia ser melhor. Lembro que o impacto que o filme me causou foi tamanho que minha primeira atitude quando este terminou foi pegar um caderno e escrever a narrativa da história, para nunca mais esquecê-la (na época, ainda não tinha videocassete).

O figurino melhorou...

Algumas semanas depois, estava eu no cinema para ver a segunda parte e a experiência foi melhor ainda. Apesar do enredo semelhante – Daniel continua apanhando de um rapaz mais velho e Miyagi ensinando a manter a paz – a história era muito mais dramática e com situações mais realistas. O beijo apaixonado que não aconteceu no primeiro filme, ganhou neste um momento ritualizado, o que tornou a cena ainda mais especial.

aulas de karatê garantem carro brilhando, nô?

Depois de um terceiro episódio fraquinho, com Macchio velho demais para interpretar um garotinho frágil e um roteiro forçado, onde até o Sr. Miyagi parecia estar pouco à vontade, e uma quarta aventura melhor, em que substituíram o rapaz por uma menina (a estreante Hilary Swank), gerando situações totalmente novas, a franquia foi encerrada.  A morte de Pat Morita em 2005 foi a certeza de que nunca mais veria um filme tão marcante e com tantas lições de vida disfarçadas de aulas de karatê. A frustração foi ainda maior porque, até recentemente, a quadrilogia não havia sido lançada em DVD no Brasil e só depois que anunciaram a produção do remake é que a produtora resolveu presentear os fãs com o box caprichado deste clássico. Infelizmente, faltou o quarto filme, mas ao menos, o melhor da série já está eternizada digitalmente.

Obrigado, Sr. Miyagi, pelas lições de vida.

Agora chegou aos cinemas a nova versão e, embora com certeza de que a magia não será a mesma, não pude conter as lágrimas em três momentos do filme. Em parte pelo saudosismo, em parte porque a maturidade ensina que a vida não é como no filme, embora as lições sejam aplicáveis à realidade. Infelizmente, sempre haverá por aí falsos mestres ensinando que “o inimigo não merece piedade”, “perdão é para os fracos” e o que conta é a lei do mais fraco sobre o mais forte. Dificilmente veremos na vida real uma pessoa que cresceu aprendendo conceitos errados reconhecer sua derrota perante alguém mais fraco.

Ao mesmo tempo, fica a certeza de que bons exemplos estão aí, para quem quiser aprender e que sempre é possível ser aquela pessoa que pode fazer a diferença para alguém. É isso que faz de Karatê Kid uma história tão cativante, seja na simplicidade dos saudosos anos 80, seja nos tempos modernos, com exageros tecnológicos, mas com a mesma essência. Imortal.

"Ganhar, perder... não importa. Faz boa luta, ganha respeito."

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