O Chaves da Literatura

O que faz o Chaves um dos seriados mais populares das últimas três décadas, com episódios repetidos à exaustão pelo SBT de modo que até já decoramos as falas e ainda assim rimos das piadas para lá de velhas é a sua simplicidade. Chaves não tem nada de extravagante. O cenário é pobre, as piadas são velhas, as situações são bobas… e, por isso mesmo, é engraçado e capaz de gerar identificação imediata.

Afinal, reservadas as devidas proporções e os exageros de caricatura, quem nunca teve uma vizinha megera ou um conhecido que fazia de tudo pra fugir do trabalho? Quem nunca fingiu que uma vassoura era uma espingarda ou um cavalo, nunca deu um susto nas meninas com uma lagartixa de plástico e nunca teve vontade de dar uns socos naquele colega riquinho mimado e exibido que vivia esnobando os brinquedos?

O autor Jeff Kinney

Todos nós já passamos por essas situações e são elas que tornam o seriado do Chaves um grande sucesso, apesar da produção ser tão deficiente. O seriado é tão cult que já virou até tese de mestrado e as frases mais marcantes ganharam características de ditados populares. Se Chaves tem um equivalente na literatura, certamente o “Diário de um Banana” seria este livro. Extremamente simples, caricato, com situações cotidianas e comuns, o livro alcançou o topo de vendas nos Estados Unidos e se tornou um best seller mundial.

Best Seller Mundial

No Brasil, o livro chegou em 2008, lançado pela V& R Editora durante a Bienal do Livro de São Paulo e logo conquistou uma legião de fãs. Este mês a editora lançou o livro “Diário de um Banana: A gota d’água”, terceiro volume da série, composta por “Diário de Um Banana” e “Diário de um Banana: Rodrick é o cara”. A narrativa é sempre a mesma, independente do volume. No entanto, o estilo adotado pelo autor, o americano Jeff Kinney, é que é cativante e torna a leitura um exercício agradável. O próprio Kinney afirmou que o segredo do sucesso de seus livros é narrar a parte divertida de ser criança, as situações mais engraçadas e absurdas que acontecem no processo do crescimento e que, analisadas depois, sempre fazem rir.

Segundo Volume

O livro tem uma linguagem leve e divertida e é rico em ilustrações que complementam o texto, diferente da maioria dos livros infanto-juvenis conhecidos cujas imagens servem para ilustrar um trecho da história. A obra não tem uma trama mirabolante e cheia de reviravoltas que fazem o leitor pensar e tentar descobrir algum mistério. Nem por isso deixa de ser um texto inteligente, uma grande sacada do autor, que conseguiu captar a pré-adolescência com todos os seus nuances.

Obra mais recente

A história é basicamente essa: o garoto Greg Hefley, tão comum e impopular quanto qualquer criança da sua idade, um “banana” qualquer, resolve contar suas desventuras cotidianas em um diário. Ponto. E assim vão sendo descritas, sob o ponto de vista de Greg, uma série de situações vividas por ele em seu dia a dia infanto-juvenil. Uma simples prova no colégio se torna uma grande aventura, especialmente quando o garoto não estuda e tem que inventar uma história para impressionar o professor e fugir da nota baixa, algo que, evidentemente, nunca acontece. Suas tentativas para impressionar as garotas também resultam quase sempre em situações vexatórias que só fazem piorar o modo como as meninas o enxergam. É engraçado porque é familiar. Qualquer semelhança não é mera coincidência.

Faça Você Mesmo

O sucesso do livro no mundo todo é tamanho que o terceiro volume, previsto para chegar às lojas brasileiras no dia 8 de maio, teve o lançamento antecipado para 29 de abril. O quarto volume, com o subtítulo “Dia de Cão” deve chegar às lojas em outubro, juntamente com o “Faça Você Mesmo”, uma edição interativa onde o leitor cria o seu próprio diário e se torna o banana da vez. A idéia é fazer um quinto volume, mas Jeff Kinney já disse que quer mais.

Quarto volume sai em breve

Tamanho sucesso já despertou o interesse de Hollywood e um filme sobre a obra estreou nos cinemas americanos em 19 de março deste ano com Zachary Gordon no papel de Greg. Gordon tem apenas 12 anos, mas já possui uma notável carreira que soma mais de 27 trabalhos e um prêmio de melhor ator coadjuvante no Young Artists Award, por seu trabalho em “Ela é A Poderosa” (Georgia Rule).

Mal estreou e “Diário de um Banana” ocupou o segundo lugar nas bilheterias americanas, perdendo apenas para Alice de Tim Burton. No Brasil, o filme ainda não tem data de estreia e, estranhamente, pouco ou nada se fala sobre ele em sites especializados de cinema. Provavelmente, sairá direto em DVD. Algo que seria bastante coerente, diga-se de passagem. Afinal, a mídia prefere lançar seus holofotes em bruxinhos mais populares. Ninguém tem paciência com um banana…

Cartaz do filme

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