Origem secreta (secreta?)

O título regular do Superman publicado no Brasil pela Panini começou a publicar neste mês a história “Origem Secreta”, que reconta – de novo – a origem do Homem de Aço. Os roteiros são de Geoff Johns, artista que recolocou o Lanterna Verde no ranking dos personagens mais importantes da DC Comics, talvez em quarto lugar – atrás apenas da famosa “trindade” Superman/Batman/Mulher-Maravilha. O autor trouxe o Gladiador Esmeralda de volta da morte, recontou sua “origem secreta” e é o responsável pelos arcos “Guerra dos Anéis” e “Noite Mais Densa”, líderes de vendas nos EUA.

Lanterna Verde também ganhou nova origem

Mas o que pode ter de novidade na origem do Superman, que já foi contada e recontada tantas vezes? Novidade, nenhuma. As constantes releituras dessa história tem alguns objetivos concretos: primeiro, o de apresentar o personagem aos leitores mais novos. Depois, atualizar as histórias, rejuvenescer o personagem e situá-los nos tempos atuais, tornando-os mais verossímeis. Afinal, quando foram criados, há várias décadas atrás, o mundo era outro e muita coisa que se acreditava na época, hoje já sabemos ser errado… um exemplo clássico diz respeito à teia do Homem-Aranha: como é possível um jovem adolescente criar um adesivo no sótão de sua casa e uma grande multinacional nunca conseguir copiar em seus sofisticados laboratórios?

Superman de John Byrne: nova origem

Enfim… ao saber que iam refazer a origem do Superman, torci o nariz. Sabia que iam acrescentar detalhes, tirar outros, mexer e inventar moda. Cada autor tem a sua visão do personagem e quer colocar a sua história como a “oficial”. Aí, aquilo que lemos anos antes passa a não ter mais sentido. Em 1986, John Byrne fez isso, mas foi um caso especial. A DC Comics estava “arrumando a casa” e resolvendo um problema que ela mesma havia criado ao longo de 50 anos com a criação de inúmeros universos alternativos. A saga “Crise nas Infinitas Terras” se fez necessária. Muito bem amarrada, cheia de ação e com ótimos desenhos, a história em 12 capítulos acabou com uma imensidão de “terras paralelas” e deixou uma única linha temporal. Alguns heróis morreram e os que restaram tiveram suas origens recontadas.

Superman ganhou uma origem muito mais palpável – Byrne até explicava cientificamente seus poderes – e essa passou a ser a história oficial. Ao longo dos 20 anos seguintes, outros autores foram mexendo, mexendo, retomando personagens esquecidos (e até mortos), outras crises aconteceram… nenhuma com o charme da original, mas o suficiente para bagunçar novamente o universo DC, de modo que as reformulações resultantes da primeira Crise já não valem mais nada. Então, novamente, pergunto: para quê mexer na origem do Superman, se daqui há algum tempo, ela não vai valer nada?

Smallville: as aventuras do Superman adolescente

Apesar de contrariado e com o pensamento de “vamos ver o que vai dar”, li a história e me surpreendi. O roteiro é muito bom. Os desenhos de Gary Frank, idem. Clark, um garoto de cerca de 13 anos, descobre seus poderes, no melhor estilo Smallville – seriado que já está na décima temporada e que conta fatos da adolescência do Superman. É odiado pelos fãs exatamente por mexer demais na mitologia do personagem. Há várias referências à serie de TV, como quando Clark salva Lana de um furacão, sua visão de calor é revelada quando sente desejo e aparece até a assinatura de Chloe Sullivan no braço engessado de Pete Ross. Aliás, Pete quebra o braço durante uma jogada mais violenta de Clark no futebol, algo que seu pai sempre proibiu.

Onde está Wally: referências no gesso

Porém, diferente da série de TV, a história se forma mesclando fatos da origem clássica, da versão de John Byrne e de diversas outras fontes. Quando Clark descobre seu verdadeiro pai, Jor-El, este possui traços do ator Marlon Brando, que interpretou o personagem no clássico Superman – o Filme, de 1978. Clark é mostrado, não como um garoto “bonzinho”, mas como um adolescente igual a qualquer outro: questiona os pais, desobedece, acha “maneiro” ver a nave espacial no celeiro, descobre a sexualidade e considera ridículo seus óculos e a roupa colante feita pela mãe, numa cena pra lá de divertida.

Em resumo, “Origem Secreta” é uma história que merece ser lida. Enquanto em sua fase atual o Homem de Aço é castigado por uma saga sem pé nem cabeça (cerca de 100 mil kryptonianos apareceram na Terra e criaram um novo planeta chamado Novo Krypton) essa volta às origens é como um oásis no deserto. Talvez ela não traga tantos fatos novos à história que já sabemos de cor e salteado, mas certamente mostra os motivos pelos quais o Superman é um personagem tão conhecido e amado no mundo inteiro.

Capas unidas formam um belo painel (clique para ver maior)

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2 comentários

  1. Boa matéria Edu…reflete exatamente o que senti quando soube do lançamento!
    Mas me enganei quando a li…Geoff Johns consegue dar um ar nostálgico às histórias que escreve e Gary Frank manda muito bem nos desenhos!

    É sem dúvida a melhor história do super em muitos anos!

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