Kick-Ass, o herói nerd

Desde 1938, o mundo acompanha as aventuras do Superman, que inaugurou um novo universo de histórias em quadrinhos: os super-heróis. Mas dois anos antes, em 1936, surgia nos jornais o primeiro herói fantasiado: o Fantasma, criação de Lee Falk. O herói vivia na selva e vinha de uma longa geração de homens que vestiram essa mesma fantasia, passada de pai para filho. Por causa disso, os criminosos achavam que se tratava da mesma pessoa, que não podia morrer e isso dava ao Fantasma a vantagem contra eles. Na verdade, o Fantasma era um homem comum, com conhecimento de técnicas de combate corpo a corpo, mas sem poderes especiais, que usava o medo e a superstição como estratégia. Exatamente o mesmo que o Batman faz, mas o Homem-Morcego foi criado anos depois.

São mais de 70 anos de histórias de heróis fantasiados e são vários os que não têm superpoderes, apenas técnicas de luta, inteligência e estratégia para combater o crime. Se já ficou provado que pessoas comuns são capazes de se tornarem heróis, porque será que, em todos esses anos, nunca ninguém pensou em vestir um uniforme colorido e sair caçando bandidos? Essa é a premissa do personagem Kick-Ass (ou Chuta-bundas em tradução ao pé da letra, mas que é uma gíria americana cujo significado é “detonar”, “arrebentar”), criado por Mark Millar e John Romita Jr. Dave Lizewski é um jovem fã de quadrinhos que não é nada popular no colégio, exatamente por ser o típico esteriótipo nerd: magrelo, de óculos, fã de videogames e rato de comic shops (as livrarias americanas que vendem quadrinhos).

O rapaz questiona o motivo de nunca ninguém combater o crime vestido como um super-herói – principalmente porque os heróis povoam o imaginário popular e muita gente sonharia em ter poderes fantásticos e realizar tantas façanhas – e resolve ser ele o primeiro a fazer isso. Vestindo uma fantasia colante e armado com dois bastões, o jovem começa a patrulhar a cidade e percebe que ser super-herói não é tão fácil como se lê nas HQs. Mas ele não está sozinho: sua atitude acaba inspirando outras pessoas e daí surgem novos heróis – Hit-Girl, Red Mist e Big Daddy.

Lançado em 2008, numa minissérie de oito capítulos pelo selo Icon Comics, uma subsidiária da Marvel, o personagem logo dividiu opiniões do público e crítica: alguns adoraram o realismo da história, com um personagem que poderia ser qualquer um de nós. Outros criticaram o alto nível de violência da história, com cenas bastante fortes. Para promover a série, foram colocados no You Tube vários vídeos que mostravam o herói enfrentando criminosos. Os vídeos não revelavam se tratar de uma HQ. Pareciam cenas reais, filmados em celular, com imagem tremida, gente gritando e que pouco revelavam da figura do herói. Muita gente chegou a pensar que se tratava mesmo de um vigilante uniformizado que andava pelas ruas de Nova York.

Antes mesmo da série ser lançada, os estúdios de cinema já demonstraram interesse em fazer um filme do personagem. Com os mesmos níveis de violência, o que acabou censurando a película para R – código que indica que o filme tem audiência restrita a menores de 17 anos. O filme traz o novato Aaron Johnson no papel do herói adolescente, Nicholas Cage como Big Daddy, Chloë Moretz como Hit-Girl e Christopher Mintz-Plasse interpretando Red Mist. No Brasil, ganhou o título em português de “Quebrando Tudo” e estreia em 11 de junho. Decididamente, Kick-Ass coloca no lixo a teoria que diz que “quadrinhos é coisa pra criança”.

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