Alice é de perder a cabeça!

Assista... ou corto sua cabeça!

Com um pouco de atraso, já que o filme estreou semana passada, ontem tive a prazerosa experiência de assistir “Alice no País das Maravilhas”, de Tim Burton. Prazerosa porque ver algo assinado por Tim Burton é sempre sinônimo de um bom programa. Não que eu seja daqueles que idolatram o diretor, como se tudo que ele fizesse fosse coisa de outro mundo e qualquer um que diga o contrário mereça queimar no inferno.

Não considero que Burton faça nada espetacular ou fora do comum, mas é fato que ele é um excelente diretor e que imprime uma visão bastante peculiar em todas as suas obras. A preferência pelo sombrio, pelas tomadas escuras e personagens beirando a insanidade é sua marca registrada e é exatamente isso que o torna tão diferente dos outros diretores e seus trabalhos, tão inusitados.

Depp é o Chapeleiro Louco

Alice não é diferente. Burton já havia dito em entrevistas que resolveu filmar essa história porque gostava do tom sombrio que tinha o original. Acostumados com os personagens fofinhos da Disney (o novo filme também é, o que cria um contraste interessante entre as duas produções), poucos conhecem a história de Lewis Carroll, repleto de personagens amalucados e misteriosos: de fato, o que pode ser mais dark do que um gato sorridente que evapora, uma lagarta que fuma narguile, um chapeleiro fanático por chá, um coelho sempre correndo contra o relógio e, claro, uma rainha com um exército de cartas de baralho, cujo maior passatempo é mandar cortar cabeças?

O filme é uma releitura da obra de Carroll: Alice não é mais uma garotinha, mas sim uma jovem de 20 anos, prometida em casamento a um rapaz afrescalhado que ela não ama, mas que, segundo os padrões da burguesia inglesa, seria capaz de fazê-la feliz, simplesmente porque é rico e nobre. Um padrão machista e ultrapassado que a jovem faz questão de questionar, para desespero de seus pais.

Na trama, Alice volta ao País das Maravilhas atraída pelo coelho atrasado. Mas ela não se lembra de ter estado lá, então, tudo acontece como na primeira vez. Ou seja, para nós, que estamos vendo, a “releitura” é a obra original recontada de outra forma e é exatamente aí que está a diversão. Burton não pecou em contar uma obra clássica de forma diferente. Ele a engrandeceu, com novos detalhes e inserida nos novos tempos.

Belo disfarce, 99!

Uma praxe nos filmes de Tim Burton é a presença de Johnny Depp e este não seria diferente. No papel do Chapeleiro Louco, Depp está praticamente irreconhecível por baixo da maquiagem. A bela Anne Hataway – a agente 99 de “Agente 86” (2008) e repórter enlouquecida pela editora Miranda Priestley de “O Diabo Veste Prada (2006) também está divertidíssima como Rainha Branca em sua pose constante de dama da corte, com as mãos erguidas.

Mas quem rouba a cena mesmo é a vilã, a Rainha Vermelha (não era Rainha de Copas? Ou eu também estou influenciado pelo desenho da Disney?), interpretada por Helena Bonhan Carter, que também fez a voz da Noiva Cadáver, outra obra de Tim Burton. Assim como aconteceu com o Coringa de Jack Nicholson em Batman (1989), a protagonista passa a personagem secundária, porque o filme é totalmente da Rainha. Enfim, Alice é diversão garantida, principalmente se for visto em 3-D.
Aliás, vale destacar uma piada logo no início: em filmes 3-D, é natural que os trailers também o sejam, logo, quando as luzes se apagam, todos já estão com os óculos especiais. Ao final de todos os trailers, aparece uma imagem do coelho apontando seu relógio e os dizeres: “É hora de você colocar os seus óculos!”. Se não foi uma brincadeira proposital, a piada já veio pronta. Esse coelho… sempre atrasado…!
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3 comentários

  1. Helena Bonhan Carter tá virando a versão feminina do Depp. Além de ser excelente atriz, tá optando pelos papéis fora do comum. Além da Noiva Cadáver, fez Belatrix Lestrange (louca) e a companheira de Sweeney Todd (louca tb).

    Sou só eu ou você também acha que ela se encaixa perfeitamente (cara de louca)?

  2. Excelente este filme!!!
    Uma breve fuga do mundo real para um mundo completamente imaginário, com personagens lúdicos porém marcantes e de personalidade forte e onde tudo (mas tudo mesmo) pode acontecer!
    E como foi gostoso poder “desligar-se” da realidade por alguns momentos…

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